Vale Tudo foi a grande apostas da dramaturgia da Globo para 2025, ano que marcou o 60º aniversário da emissora. O remake do clássico de 1988 contou com um elenco estrelado, divulgação pesada e toda a pompa da celebração. Porém, quem realmente deu motivos para comemorar foi Três Graças.
Patinando entre uma releitura, um reboot e puro invencionismo, o texto de Manuela Dias cambaleou no Ibope e não conquistou a simpatia do público. Há de se dizer, no entanto, que Vale Tudo foi assunto nas redes sociais durante toda a exibição, de março a novembro. Nem sempre --ou melhor, quase nunca-- por uma boa razão.
Os problemas nos bastidores envolvendo Taís Araujo e a autora ou Bella Campos e Cauã Reymond, a inserção de pautas passageiras (como o bebê reborn) e até as mudanças sem propósito na história fizeram a clássica história perder o peso e virar chacota na web.
Quando menos esperar, clareou!
A festa de aniversário de 60 anos da Globo, pelo menos, conseguiu ser salva em sua reta final. Com estreia em outubro de 2025, o texto de Aguinaldo Silva logo caiu nas graças do público e da crítica.
Grande parte da aclamação de Três Graças se deve ao empenho do elenco. Grazi Massafera, Sophie Charlotte e Alana Cabral, por exemplo, roubaram a cena e são apontadas como motores da história.
Outros quesitos técnicos marcaram a exibição, como os closes dramáticos (apesar de eles tem sido deixados de lado na reta final) e a construção de uma São Paulo viva e caótica nos Estúdios Globo do Rio de Janeiro.
Na web, Três Graças também foi hit. Momentos viralizaram sem apelar para modinhas efêmeras. Até ao surfar em uma onda do momento, como quando Arminda dançou Freak Le Boom Boom, o roteiro soou natural. Isso sem contar o fenômeno Loquinha e os memes envolvendo os atrasos de Gerluce.
Além disso, o folhetim se empenhou em retratar um Brasil real, igual ao que a Vale Tudo de 1988 havia feito. Com constante embate entre classes, retratação da desigualdade social e corrupção, Aguinaldo Silva fez tudo o que Manuela Dias não conseguiu.
Apesar de não ter dado um baile no Ibope, Gerluce e companhia ocupam um lugar mais carinhoso perante ao público do que o remake de Manuela Dias.
Até mesmo a Globo reconheceu
No prêmio Melhores do Ano, Três Graças deu um banho em Vale Tudo e sacramentou de vez a troca moral do título de novela especial de aniversário.
Enquanto o remake de Manuela Dias venceu nas categorias de atuação coadjuvante, com Paolla Oliveira e Alexandre Nero, o folhetim de Aguinaldo Silva levou quatro estatuetas para casa, com melhor novela, revelação do ano (Alana Cabral), melhor atriz (Grazi Massafera) e melhor ator (Murilo Benício).
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e terminará em 15 de maio.