Adriana Araújo sobre saída da Record: “Tive a coragem de defender o que acredito”

A partir desta segunda-feira (04), Adriana Araújo estará diariamente nas tardes da Band ancorando o Boa Tarde São Paulo. Ao NaTelinha , a jornalista explica que está sendo um desafio fazer um telejornal no formato sem o teleprompter e que o novo produto do Grupo Bandeirantes vai apostar na agilidade e na notícia conversada para enfrentar a concorrência do horário. Araújo conta que sua saída da Record, após 15 anos, em 2021, foi um momento difícil e que considera sua estreia na Band um recomeço profissional.

“Ao longo da minha carreira, tive a sorte de trabalhar com grandes jornalistas, pessoas que me ensinaram a respeitar a notícia, a me preocupar com o impacto que as notícias têm na vida das pessoas. A pandemia foi uma prova de fogo, mas tive a coragem de defender o que acredito. Quando a vida das pessoas está em risco, não importa se você vai perder status, salário, posição. Importa a vida das pessoas”, diz Adriana Araújo sobre o fim do seu vínculo com a Record.

Em junho de 2020, durante a pandemia, a jornalista defendeu nas suas redes sociais uma maior transparência do governo nos números de mortos pelo vírus da Covid-19. Tendo um alinhamento editorial com Bolsonaro, as críticas desagradaram a direção da Record, o que culminou em sua saída. Na emissora, Araújo ancorou o Jornal da Record por 10 anos, além do Domingo Espetacular e o Repórter Record. Em 2022 ela completa 30 anos de profissão, somando em sua experiência reportagens para o Jornal Nacional e o Jornal Hoje da Globo, entre 1992 e 2005.

“Quando saí da TV por um tempo, ouvi da Giovanna (filha) uma frase que me ajudou muito. Ela dizia: ‘mãe, você vai voltar. Um momento difícil não pode acabar com o amor que você tem pela sua profissão’z Estava certíssima. Tenho mesmo um grande amor pelo Jornalismo”.

Adriana Araújo

Nova fase de Adriana Araújo na Band

Mas tudo isso agora é passado. Admirada nas redações por onde passou, Adriana Araújo assinou com o Grupo Bandeirantes no fim de 2021 e no novo canal, inicia uma nova fase na sua história.

“É um momento de olhar para frente! Fui muito bem recebida pela direção da Band e pelos colegas. É um ano decisivo, de muito trabalho, de cobertura eleitoral e estou pronta. Na segunda-feira, com o Boa Tarde São Paulo, farei minha estreia na Band em um jornal diário. Mas a estreia mesmo aconteceu no Canal Livre e foi muito importante para mim”, conta a jornalista de 49 anos.

Boa Tarde São Paulo estreia como um produto multiplaforma da Band. As equipes da Rádio Bandeirantes, BandNews FM e o BandNews TV estarão envolvidas no jornalístico que será exibido de segunda a sexta, às 14h. “Nosso foco é a notícia, informar com dinamismo e responsabilidade”, adianta.

Confira a entrevista completa de Adriana Araújo:

Adriana Araújo sobre saída da Record: “Tive a coragem de defender o que acredito”

NaTelinha - Como está a expectativa para a estreia do Boa Tarde São Paulo?

Adriana Araújo - Estou feliz demais que o nosso “Boa Tarde São Paulo” está ficando pronto. É um desafio fazer um jornal sem teleprompter, mais conversado com o público, num horário em que tudo acontece. A proposta não é ler as notícias, mas contar ao telespectador o que está acontecendo. Será um jornal muito ágil, em tempo real. Aconteceu, colocamos no ar. E tem uma equipe muito competente e animada junto comigo.

NaTelinha - Quais serão os diferenciais do novo telejornal da Band para enfrentar a concorrência no horário?

Adriana Araújo - Nosso foco é a notícia, informar com dinamismo e responsabilidade. Dar prioridade aos fatos que mudam a vida, a rotina de pessoas. Vamos falar de São Paulo e de todas as cidades da Região Metropolitana. 22 milhões de pessoas vivem aqui. A Região Metropolitana é um país dentro do Brasil. Quem gostar de notícia, pode chegar que estaremos juntos!

NaTelinha - Além de começar um novo telejornal, você faz sua estreia na TV aberta do Grupo Bandeirantes. Como está sendo essa nova fase da sua carreira?

“É um momento de olhar para frente! Fui muito bem recebida pela direção da Band e pelos colegas. É um ano decisivo, de muito trabalho, de cobertura eleitoral e estou pronta. Na segunda-feira, com o “Boa Tarde São Paulo”, farei minha estreia na Band em um jornal diário. Mas a estreia mesmo aconteceu no “Canal Livre” e foi muito importante para mim, pela história que o programa tem. É uma honra e uma responsabilidade me juntar a essa equipe que valoriza tanto a notícia”.

Adriana Araújo

NaTelinha - Num ano de eleição, como você avalia a atuação da mulher na política de hoje?

Adriana Araújo - Essa participação está crescendo. As mulheres são cada vez mais atuantes nos debates nacionais, ocupam espaços que antes eram exclusivamente masculinos. Mas, precisamos acelerar e muito esse processo. Somos quase 52% da população e temos cerca de 15% das vagas no Congresso. Sempre que dou palestras conto das minhas lembranças de uma aula de OS (Organização Social), que tive em uma escola pública aos 9 anos de idade. Nessa aula, a professora listou as qualidades masculinas e as qualidades femininas em duas colunas. Os meninos eram líderes, inteligentes, rápidos. As meninas eram intuitivas, delicadas, aptas aos trabalhos manuais. Era o comecinho dos anos 90. Temos uma longa batalha contra preconceitos e estereótipos.

NaTelinha - Na Record, você comandava um telejornal à noite. O que precisou mudar em sua rotina pessoal para ancorar o Boa Tarde São Paulo ?

Adriana Araújo - Trabalhei mais de uma década até tarde da noite, das 15h às 2h. Minha vida pessoal acontecia de manhã. E agora inverteu tudo. Confesso que ainda estou me adaptando. Fazer ginástica no fim do dia, por exemplo, ainda não encaixou bem para mim (risos). Acordar cedo não é problema. Sou ‘madrugadeira’, sempre pulei da cama cedo. Mas, tudo se ajeita.

NaTelinha - No ano passado, você enfrentou uma pandemia e, ao mesmo tempo, encerrou um ciclo de 15 anos na Record. Como Adriana Araújo passou por tudo isso e como ela está hoje? Mudou algo em você?

“Foi um fim de ciclo difícil para mim. Ao longo da minha carreira, tive a sorte de trabalhar com grandes jornalistas, pessoas que me ensinaram a respeitar a notícia, a me preocupar com o impacto que as notícias têm na vida das pessoas. A pandemia foi uma prova de fogo, mas tive a coragem de defender o que acredito. Quando a vida das pessoas está em risco, não importa se você vai perder status, salário, posição. Importa a vida das pessoas. E quando estava fora do ar, longe do front da notícia, talvez tenha sido o momento em que mais me senti jornalista. Agora é hora de olhar para frente. É um recomeço para mim”.

Adriana Araújo

NaTelinha - O público acompanhou sua luta pelo tratamento de saúde da sua filha, a Giovanna. Como ela está hoje e como enxerga essa mudança profissional da mãe?

Adriana Araújo - Giovanna está ótima, no quinto ano de Medicina, feliz com a escolha que fez. Ela, que passou por 10 cirurgias para poder caminhar, agora entra no bloco cirúrgico como assistente para aprender com os professores. E eu fico toda orgulhosa, mãe coruja mesmo! Ela é uma grande parceira da vida. Quando saí da TV por um tempo, ouvi da Giovanna uma frase que me ajudou muito. Ela dizia: “mãe, você vai voltar. Um momento difícil não pode acabar com o amor que você tem pela sua profissão”. Estava certíssima. Tenho mesmo um grande amor pelo Jornalismo.