Crítica de Petal, por Neil Z. Yeung
Centrado na ideia de uma flor crescendo através do concreto, o oitavo álbum de Ariana Grande, Petal, chega após um período intenso para a artista multifacetada, que conciliou dois filmes de Wicked campeões de bilheteria, outro álbum de sucesso com Eternal Sunshine e, como é mencionado aqui, mais um relacionamento que começou e terminou. Agora, ela tenta seguir em frente, precisando processar tudo isso sob os olhos do público.
Por isso, embora grande parte da produção de Petal soe contida, ela está longe de ser passiva. Há uma angústia fervilhante sob toda a superfície do projeto, seja direcionada aos críticos, aos antigos parceiros ou aos fãs com relações parassociais. Na verdade, em muitas das faixas, é difícil dizer se Ariana está cantando para um ex ou para um observador cheio de opiniões.
Veja a faixa-título (e seu videoclipe impactante), um comentário mordaz que funciona como uma resposta a todo o barulho e escrutínio, deslizando por vocalizações angelicais enquanto riffs cortantes e batidas agressivas atravessam a atmosfera sombria. Ou o primeiro single do álbum, “Hate That I Made You Love Me”, produzido por ILYA e Max Martin e que chegou ao topo das paradas, cuja perspectiva muda dependendo de o ouvinte acreditar que ela está cantando para um antigo amor ou para os cantos mais obscuros de seu fandom.
Ela enfrenta seus conflitos na marcante “Oh Well”, de ritmo inquieto, e imagina estar livre de tudo isso em “Freak”, na qual canta: “Me acorde quando toda essa merda acabar.”
Mais adiante, Grande apresenta uma agradável surpresa com “Bad Thing (Bunny Hop)”, uma faixa pop-punk influenciada pela new wave, cheia de energia e ritmo saltitante, que injeta vitalidade ao álbum e sugere possíveis caminhos que ela pode seguir para canalizar suas frustrações no futuro.
No restante, as atmosferas densas de R&B — que remetem a parte do material de thank u, next e Positions — refletem o turbilhão que ela vive nos bastidores, enquanto as letras pintam um retrato triste e, por vezes, trágico da vida sob os holofotes. Nele, Grande tenta equilibrar seus objetivos pessoais e profissionais diante de críticas constantes.
Esse borramento entre o público e o privado faz de Petal mais um olhar destemido sobre a vida da superestrela, que, amparada por este excelente conjunto de canções, está apenas tentando florescer e prosperar em um lugar difícil.