Ana Carolina Raimundi reestreia o quadro 'Isso tem nome', no 'Fantástico', e confessa sofrer de Síndrome da Impostora

Ghosting, Stealthing, Síndrome da Impostora. Você pode até não saber, de cara, o que significam tais expressões, mas provavelmente já viveu ou conhece alguém que experimentou as situações que elas representam. A repórter Ana Carolina Raimundi estreia neste domingo (19), no “Fantástico”, a segunda temporada do quadro “Isso tem nome”, em que alerta para abusos cotidianos sofridos, principalmente, por mulheres.

“Os três primeiros episódios — sobre Mansplaining (quando o homem explica coisas óbvias à mulher), Gaslighting (manipulação psicológica) e Etarismo (preconceito por conta da idade), exibidos em outubro do ano passado — repercutiram demais! Nunca recebi tanta mensagem inbox na vida. Fiquei impressionada, especialmente, com a de uma mulher que me disse ter assistido ao episódio do Gaslighting sentada no sofá, ao lado do marido, e percebido que há 25 anos sofria exatamente esse tipo de violência. Ela, então, decidiu que queria se separar, porque foi traída a vida inteira e chamada de louca. Disse que tinha vergonha de falar sobre o assunto, mas estava encorajada a mudar. É mágico abrir uma janela para pessoas que achavam estarem trancadas em quartos escuros para sempre”, relata a jornalista, de 40 anos.

A própria Ana Carolina Raimundi afirma já ter sido vítima de abusos do tipo: “Presenciei uma situação e o cara me falou que eu estava exagerando. Acabei o dia pedindo desculpas. Minhas tias sempre disseram: ‘Homem é assim mesmo…’. Essa frase é um clássico, né? Dá para ter relacionamentos melhores. Essa série não é contra os homens, ao contrário, eu amo os homens! É para trazê-los para perto e dizer: ‘Olha o que você está fazendo’. Eu ouvi de alguns que assistiram ao ‘Isso tem nome’: “Estou muito envergonhado. Fazia isso naturalmente, sem perceber’. Desnaturalizar esses abusos é o começo de tudo. Se o outro lado compreende, imagina que relações incríveis podemos construir…”.

Sobre o Ghosting (o famoso “dar um perdido”, sumir do nada), ela confessa já ter praticado: “Eu já sumi de uma maneira feia, sem dar explicações. Mas eu não tinha um relacionamento com a pessoa. Ele tinha um interesse em mim, mas eu não sabia se queria corresponder e desapareci. Eu me arrependo bastante. Fazer o outro sofrer é muito ruim. Tive a oportunidade de pedir desculpa depois”.

Por Stealthing (quando o homem tira o preservativo durante o ato sexual sem o consentimento da parceira), ela nunca passou. Mas da Síndrome de Impostora, a conceituada jornalista diz ser vítima frequente: “Estou há 18 anos na TV Globo, passei por uma prova de estágio com 5 mil pessoas e ainda falo: ‘Foi sorte, não tenho a menor ideia de como cheguei até aqui’. Nós mulheres, temos o costume de nos sabotar, diminuir o nosso valor. Se eu fosse homem, de repente teria um néon na minha testa brilhando: ‘Eu sou repórter do ‘Fantástico’”.