Antes do Nazismo, Alemanha era porto seguro da comunidade LGBT no mundo

Antes do nazismo, Alemanha era porto seguro mundial da comunidade LGBT

Descobertas científicas e ativismo pulsante foram destruídos por regime nazista, que enviou até 15 mil homossexuais a campos de concentração e matou 7 mil

Central LGBTQIA+ do início do século 20

Fachada do bar El Dourado, um dos principais pontos de encontro LGBT da República de Weimar

Acervo

Fachada do bar El Dourado, um dos principais pontos de encontro LGBT da República de Weimar

“No fim do século 19 já haviam muitos ativistas, que hoje seriam considerados LGBTQIA+, surgindo e trazendo uma nova percepção sobre a sexualidade humana e a diversidade sexual”, afirma Albino.

No entanto, o fim dos anos 1910 foi marcado por um “florescimento do universo cultural tolerante à diversidade sexual e de gênero, sobretudo em Berlim”, segundo Ehrlich. A República de Weimar era considerada como a central LGBTQIA+ e foi palco de descobertas e momentos históricos para a comunidade.

Albino afirma que, durante o período da república, Weimar era um porto seguro para a comunidade LGBT da época. “Existiam espaços para poder celebrar, como baladas, cabarés, bares e um centro comunitário”, diz. Estima-se que, só em Berlim, existiam cerca de 20 bares gays, 5 bares lésbicos e 5 bares trans, um número extremamente alto para a época. Dentre eles, o mais popular e emblemático era o bar El Dorado, onde aconteciam apresentações de drag queens.

“Ao ver as fotos das pessoas no bar, percebe-se que havia uma experimentação de algo não normativo em sexualidade e gênero. Existia uma vida muito pulsante em Berlim nesse sentido, por mais que houvesse a existência do parágrafo 175. Neste momento, não haviam tantas prisões”, afirma o educador.

Essa atmosfera impulsionou diversas descobertas e inovações no período. Por exemplo, existia uma revista chamada Der Eigene, fundada por Adolf Brand, que abordava com naturalidade o erotismo masculino e o amor romântico entre dois homens.

Fachada do bar El Dourado após ser fechado por nazistas. "Lista número um de Hitler", diz a placa. Foto: Acervo

Interior do Bar El Dourado. Foto: Acervo

Interior do Bar El Dourado. Foto: Acervo

Página do Der Eigene, folhetim do século 20 que falava sobre homoerotismo. Foto: Reprodução/Wikipedia

Essas bases foram motivadas pelo médico judeu e gay Magnus Hirschfeld. Chamado de Einstein do sexo, ele foi o criador do Instituto de Ciências Sexuais, fundado em 1919. Já naquela época, o instituto se dedicava a estudos sobre diversidade sexual e mapeava traços de diferentes identidades de gênero e orientações afetivo-sexuais. Além do trabalho como cientista, Magnus se montava como drag queen sob o nome de Tía Magnesia.

O trabalho de Magnus foi de extensa contribuição para os saberes contemporâneos da comunidade LGBTQIA+. Por exemplo, foi ele quem criou o termo que conseguia explicar, na época, o que é uma pessoa trans e a transgeneridade e deu nome a diversas experiências da comunidade.

Além disso, Magnus conseguiu mapear cerca de 82 identidades de gênero diferentes em seus estudos, conhecimentos que seriam perdidos durante o período das grandes queimas. “Ele é uma das figuras-chaves de uma tentativa de mudar o cenário a partir da educação social e de lançar base do ativismo LGBT moderno e das demandas que perduram até os dias de hoje: de mudança nas legislações, a criação de igualdade perante a lei e a promoção de direitos humanos”, diz Albino.

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@Curiosos a reportagem é longa e interessante, mas destaquei essa parte…

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o covil sapatonico na foto

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Mas isso é óbvio

Berlin era um centro cultural e já em 1870 um deputado do reichtag tinha se assumido gay na frente de todos

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Pós segunda guerra, a Alemanha Oriental era o mais avançado na cidadania LGBT entre os países do bloco socialista da época, e acredito que mais avançado que boa parte do ocidente num geral

para quem se interessa pelo assunto, eu indico “adeus a Berlim” (livro que inspirou ‘cabaret’ com a liza Minelli)

ele conta como a vida noturna de Berlim antes da guerra fervilhava em cultura, liberdade e modernidade

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e voltou a ser, Alemanha dona do ocidente

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Meu amigo italiano
Disse que Berlin é considerada uma cidade “suja”
Porque a meteçao corre solta

Ele disse que eu iria amar ir para lá lkkkkkkk

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Isso é pra quem acha que um lugar não pode retroceder e que direitos conquistados não podem ser tirados do dia pra noite.

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Claro
Até o Brasil numa certa forma está retrocedendo com os gays
Nos estaríamos muito melhor sem o resto de aborto que tá no poder
Como falaram, ele despertou um conservadorismo enorme dentro de muitos brasileiros
E mesmo que ela não ganhe isso vai continuar na nossa sociedade
E olha que os :rainbow_flag: estão batendo de frente com essa gente

Mas no caso, a comunidade não tinha direitos, inclusive era crime ser homossexual na época desde 1870… eles eram ‘tolerados’ se ficassem nos seus cantos específicos…

Berlin com 20 bares gays, 5 lésbicos e 5 trans, isso deve ser mais que mega capitais hoje em dia bicho, nem São Paulo deve ter 5 bares pra pessoas trans

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Ué isso já devia ser muito bom para aquela época
Nos estamos falando do século 19
Muitos ainda viviam num regime absolutista

Tinha visto uma matéria da BBC ou DW sobre isso uma vez

Comentando pra ler esta mais tarde

Mas não tô falando q era ruim, isso para época era muito avançado até… era apenas q ele tinha falado de direitos, mas os LGBTs ainda estavam nas sombras da lei, mesmo com esse ambiente mais aceitável em relação ao resto do mundo…

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Lindas as sapatonicas centenárias

Russia no século 19 também tinha uma aceitação aos gays, tem até grandes de música clássica se eu n me engano o Tchaicovisk que era homossexual.

Enquanto isso no UK no fim dos 1800 e começo dos 1900 a rainha Vitória era super falsa moralista e colocou vários artistas como Oscar Wild na prisão por homossexualidade e cientistas que contribuíram muito pro mundo atual que também foram pra prisão por isso.

O legal é que todos os países liberais hoje podem acabar de novo com costumes falso moralistas. É uma batalha sem fim.

Pensa que no Egito antigo há 8 mil anos atrás as mulheres tinham equidade total com os homens, sexualmente e socialmente.

A gente olha pra trás e acha que todo mundo era retardado e que acreditavam em bobagens, mas o mundo especialmente o antigo (até a queda do Império Romano) era super evoluído, agora tudo fica péssimo durante a idade média.

Pensa que no Império Romano eles tinha água chegando em casa, privada, direito inclusive pros escravos, elevadores, eleições, o tráfico na rua já seguia a mão direita como a gente tem hoje etc etc.

Idade média o povo jogava as fezes pela janela na rua. lol 2000 mil anos atrás em Roma já tinha privada e o sistema de esgoto. Tinha gente vivendo em prédios de 4 andares etc.

Daí se pega Egito que eles sabiam de astronomia de uma forma exata que hoje é confirmado com computador etc. Se calcular os lados da pirâmide dá certinho infos tipo tamanho da terra etc. Já há 8 mil anos faziam cirurgias, faziam prótese pra quem n tinha pé etc. Sabiam química avançada até nos níveis de hoje.

Ou Grécia que também era incrível em termos de conhecimento.

Quando a Biblioteca de Alexandria pegou fogo, muito conhecimento foi perdido, imagina, a gente seria outra humanidade.

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as sapatonas tudo igual kk ao menos isso nao mudou

Meu Deus que inferno
Se esses merda não tivesse atrasado nos já estaríamos viajando para outros planeja como se fosse uma simples viagem de avião

Aqui no Brasil em 1895 tem o livro ‘Bom-Crioulo’ que o protagonista é homossexual e é apaixonado por um homem, e até vivem um romance, com descrições bem sensuais.

Acho q tem até ‘O Ateneu’ q mostra isso de maneira discreta (ainda não li ele), ‘O Cortiço’ do Aluísio Azevedo.

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