Ator comemora estreia de longa com Rafael Vitti na HBO Max e cria projeto de aulas gratuitas de teatro

Maurício Piancó está no elenco do filme Júpiter, que entrará no catálogo da HBO Max ainda em novembro. O ator, que diz consumir muito streaming, foi criado na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, começou a estudar teatro em uma oficina cultural e, graças à ajuda financeira de duas tias, passou por dois cursos renomados. “Ainda adolescente, entrei no Tablado e fiquei lá durante cinco anos, tenho um carinho enorme pela escola. Além de todo aprendizado e experiência, foi lá que conheci a maioria dos meus amigos, inclusive, os integrantes do coletivo de teatro que faço parte hoje. Na CAL [Casa de Artes de Laranjeiras], foi onde tive um aprofundamento maior, minha formação acadêmica, fiz bacharelado em teatro, também foi importante demais”, conta, em entrevista ao NaTelinha.

Filho de um comerciante e uma cabeleireira, Maurício reconhece o privilégio de sempre ter tido apoio da família para seguir a carreira artística. “Sempre me apoiaram e acreditaram em mim. Sei que isso não é algo comum, principalmente, por vir de uma família com pouca relação com arte. Meus pais não tinham muitas condições de arcar com todos os cursos que fiz” explica, lembrando que a ajuda que recebeu das tias foi fundamental.

Pensando nisso, o ator criou um projeto para dar aulas de teatro gratuitas na Ilha do Governador. “Inclusive, já estou em contato com algumas empresas em busca de apoio. Também tenho o sonho de criar mais espaços culturais na Zona Norte, mas esse requer um investimento maior, por isso, ainda é um sonho mais distante”, lamenta o jovem de 26 anos.

Júpiter, filme que Maurício gravou em 2017, chega na HBO Max para a alegria do ator, que se diz um grande consumidor de streaming. A produção conta a história de Mario (Orã Figueiredo), um detetive especializado em casos de adultério que descobre um filho já adolescente e fruto de um caso extraconjugal chamado Júpiter (Rafael Vitti).

Os dois precisam descobrir como podem se tornar mais próximos e o xadrez, hobby do menino, é o que une pai e filho. No longa, o personagem de Piancó se chama Vicente e é um enxadrista que acaba se metendo em algumas furadas e atrapalhando o trabalho de Mario. “O filme mostra essa tentativa desesperada de encontrar algo que os ajude a se relacionar bem, mas de forma muito leve e bem-humorada. Acho que todo mundo vai se identificar um pouco com os personagens”, aposta.

Sobre a parceria com o marido de Tatá Werneck, o carioca é só elogios. “O nosso primeiro trabalho no audiovisual foi juntos, no Nós, curta do Fábio Brandão e do Dário Gularte. Foi muito legal reencontrar o Rafa depois de tanto tempo, é ótimo trabalhar com ele. Além de ser um ótimo companheiro de cena, ele tem a capacidade de deixar o set sempre mais leve e divertido”, diz ele, contando ainda que, quando o filme foi gravado, eles nem imaginavam que ele seria lançado em tempos de uma pandemia, como a do coronavírus.

Maurício Piancó mergulhou no mundo do xadrez para gravar Júpiter
Maurício Piancó conta que precisou fazer algumas aulas para aprender a jogar xadrez. “Eu não sabia movimentar uma peça no tabuleiro. Conversei com alguns enxadristas profissionais, pesquisei a fundo como funcionavam os campeonatos, entrei de cabeça nesse universo tão novo pra mim. Além disso, tivemos uma preparação de elenco incrível com a Ana Kfouri [diretora teatral], que também foi muito importante para o processo”, explica.

Perguntado se assistiu à série O Gambito da Rainha, produção da Netflix sobre uma menina que descobre seu talento para o xadrez ainda criança e se torna uma enxadrista profissional, o ator diz que maratonou os episódios em poucos dias. “Assisti e amei. Apesar de o lançamento acontecer agora, Júpiter foi gravado antes da série. Então, quando rolou, eu já estava inserido nesse universo do xadrez por conta do filme. Fiquei completamente aficionado”, lembra.

Piancó não esconde que ainda tem muitos sonhos para realizar na carreira. O ator tem muita vontade de fazer um trabalho biográfico e não quer ficar apenas no papel de bom moço. “Em algumas obras acabo me interessando mais pela complexidade dos antagonistas, então interpretar um vilão também seria maravilhoso”, aponta.

O carioca espera que 2022 seja um ano agitado profissionalmente e já revela muitos planos. “Estou desenvolvendo, com o Coletivo Kosmos, grupo que faço parte, o nosso primeiro projeto voltado para o audiovisual, que é um filme que devemos rodar no ano que vem. Além disso, dirigi um curta-metragem que também pretendo estrear, e sigo fazendo muitos testes”, finaliza.

1 curtida