Ator diz que crítica política em Que Rei Sou Eu? se mantém atual: "Poderia se passar hoje"

De capa e espada, os heróis de Que Rei Sou Eu? lutavam contra a corrupção e a tirania dos poderosos no fictício reino de Avilan. Um desses justiceiros era o ator Paulo César Grande , que viveu o rebelde Bertrand na trama de 1989, disponibilizada pelo Globoplay na última semana. “É uma novela superatual, que poderia se passar nos dias de hoje tranquilamente”, defende ele, hoje aos 64 anos, em entrevista exclusiva ao NaTelinha .

A ambientação de Que Rei Sou Eu? remetia à França pré-revolução do fim do século 18, com referências à política e à sociedade brasileira de 1989. Por conta do tom farsesco, a atração demorou a se tornar um sucesso popular, segundo Paulo César Grande. “No início, as pessoas não estavam identificando que era uma novela de época, mas com uma abordagem contemporânea.”

“Falava da política de uma forma irônica, dentro da tragicomédia que acontecia no Brasil”, recorda o ator. O episódio que fisgou o público foi quando os cavalos de Avilan passaram a aparecer com uma identificação focinho, em referência ao selo-pedágio, taxa federal criada pelo governo Sarney que atingia os veículos nas rodovias federais. “Começou a cair a ficha do espectador de que aquilo era uma sátira, uma brincadeira com o Brasil da época.”

“Tínhamos acabado de sair de uma ditadura, mas muita coisa criticada pela novela continuou acontecendo nos anos seguintes e estão aí até hoje. A história termina com os rebeldes tomando o poder. Eu gostaria que tivesse sido feita uma ‘Que Rei Sou Eu? 2’ para ver como eles governariam o reino de Avilan.”

Paulo César Grande teve aulas de esgrima e equitação e estampou a capa do LP nacional de Que Rei Sou Eu?

Ator diz que crítica política em Que Rei Sou Eu? se mantém atual: "Poderia se passar hoje"

Passados mais de 30 anos, Que Rei Sou Eu? ainda é apontada como uma das melhores novelas exibidas às 19h. “Foi muito marcante na minha carreira, acredito que na de todos que participaram e também para quem a assistiu. O Cassiano Gabus Mendes era um autor maravilhoso, com um senso de humor fantástico”, define Paulo César Grande.

Para viver Bertrand, ele e os outros rebeldes da história – Edson Celulari (Jean-Pierre), Marcos Breda (Pipi) e Stênio Garcia (Corcoran) – fizeram aula de esgrima e equitação. As cenas de duelo exigiam grande preparação. “Era uma coisa muito mais artesanal, sem efeitos especiais. Foi puxado! Um trabalho muito prazeroso, mas que exigia muito principalmente de nós, guerreiros, que íamos à luta.”

O ator tem todos os capítulos gravados em DVD e também o LP com a trilha sonora nacional, em que aparece na capa. O convite para estampar o disco foi recebido com surpresa pelo galã em ascensão nos anos 1980. “À princípio, pensei: ‘Por que eu?’. O elenco era uma via láctea, cheio de estrelas… Fiquei muito lisonjeado em ser chamado para ser a capa do long play, que agora as pessoas nem sabem o que é. Tenho esse disco até hoje”, revela.

Ator tem projeto no teatro com a atriz Cláudia Mauro, sua parceira de vida há 30 anos

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Longe da ficção, Paulo César Grande vive uma história de amor de 30 anos com a também atriz Cláudia Mauro, atualmente no ar em Um Lugar ao Sol, na Globo. “Temos uma cumplicidade grande desde que nos conhecemos. Brigamos pra caralho, como todo casal, mas nos amamos, somos companheiros”, comenta ele. O ator diz que a união se solidificou há 11 anos, com a chegada dos gêmeos Lara e Pedro. “É aquela coisa: vai ter que me aturar! (risos) Eu não abro mais mão… Se ela quiser, o problema é dela!”, brinca.

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“O segredo é ter paciência um com o outro, não guardar rancor ou mágoa. Brigar e daqui a pouco estar tudo bem. Superar as dificuldades, que estão cada vez maiores. Com a pandemia, muita gente se separou porque não se conhecia direito. Pretendemos continuar juntos até o fim da vida.”

A parceria em casa se estende para o trabalho: Claudia está escrevendo um texto que deverá ser encenado pelo marido no teatro. O elenco também terá o amigo Giuseppe Oristanio, e a direção caberá a Alice Borges. A expectativa é levar o espetáculo aos palcos em 2023 ou antes, a depender do cenário da pandemia da Covid-19.

“Nossa profissão sofreu muito com essa pandemia e com essa política. Vai melhorar, porque entra governo, sai governo, mas o teatro sempre sobrevive a qualquer política. São milênios de história. Ninguém vai conseguir matar a cultura, muito pelo contrário, ela sobrevive e até usa de todas essas mazelas para contar histórias.

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