A novela “Três Graças” finalmente poderá começar a ser exibida mais cedo. Depois de ver seu principal produto de qualidade patinar em índices abaixo do esperado, a área de dados do canal decidiu ouvir o público e o comportamento dele, e preparou um estudo recomendando colocar a novela das nove começando, de fato, às 21h.
Durante décadas, a emissora empurrou o início das tramas para depois das nove, acreditando que o brasileiro precisava desse respiro para chegar em casa, jantar, resolver a vida. Só que os tempos mudaram: pesquisas recentes sobre hábitos de sono mostram que o brasileiro está indo dormir mais cedo. E, com o share baixo no final da noite, novelas que entram tarde e terminam ainda mais tarde, têm encontrado dificuldade para segurar um público que sabe que pode assistir tudo no Globoplay no dia seguinte.
Nos últimos meses, as áreas de Inteligência e Programação da Globo passaram a cruzar dados de pesquisas, números de audiência e milhares de comentários nas redes. A constatação surpreendeu até os mais céticos: “Três Graças” tem a avaliação mais positiva de primeiros capítulos desde “Pantanal” (2022). As únicas críticas negativas dizem respeito ao horário de exibição. Ou seja: o público quer acompanhar a trama, mas não está disposto a varar a noite por ela. Vai para o streaming.
O efeito é direto. Nesta terça (25), quando entrou mais cedo, a novela registrou sua segunda melhor audiência desde a estreia e bateu recorde às terças. Na contramão, na segunda-feira (24), exibida mais tarde, amargou seu pior desempenho para o dia: 21 pontos.
As propostas de ajustes gerais na faixa das 18h às 23h (da novela das seis até a linha de shows) já chegaram à alta cúpula. Falta, agora, o aval final entre Canal e Estúdios. O receio da direção é mexer demais nesse horário e ver o público se dispersar cedo demais, derrubando a programação que vai até 0h e, consequentemente, comprometendo a média diária da emissora.
Mas a pressão é grande. Vem de todos os lados: público, autores, diretores, elenco e até conselhos de acionistas, aqueles que realmente sentem no bolso quando a audiência descola para baixo.
O clima interno é de alerta. A torcida é para que o horário das nove seja recuperado enquanto ainda há tempo. Porque, se não reagir agora, a faixa “nobre” corre o risco real de perder relevância para as sete, que, diferente das “nove”, seguem firmes e retendo cada vez mais telespectadores fiéis.