Autora de ‘Um lugar ao sol’, Lícia Manzo faz balanço das tramas de Christian, Rebeca e Nicole e fala dos erros e acertos

Novela que chega ao fim nesta sexta-feira, 25, “Um lugar ao sol” marcou a estreia de Lícia Manzo no horário das nove. A história do gêmeo pobre que toma o lugar do outro, rico (Cauã Reymond fez os irmãos), abordou temas como preconceito social e racial, gordofobia e abuso emocional. A seguir, a autora de outras tramas como “A vida da gente” (2011) e “Sete vidas” (2015) faz um balanço do atual folhetim, que estreou todo gravado, e defende suas escolhas para os finais dos personagens.

Quais foram os maiores acertos e erros de “Um lugar ao sol”?

Meu maior acerto foi não me economizar, me entregar inteiramente ao trabalho. Meu maior erro também, pois terminei exaurida. Foram quatro anos de dedicação integral à novela. Em minha equipe, apenas, tive a sorte de poder contar com a entrega e investimento de sete profissionais que respeito e admiro. Como diz a célebre canção ‘se tivesse mais alma pra dar, eu daria’. ‘Um lugar ao sol’ é fruto do meu absoluto e total investimento.

Bárbara (Alinne Moraes) e Christian/Renato (Cauã Reymond).

Bárbara (Alinne Moraes) e Christian/Renato (Cauã Reymond). Foto: Rede Globo/Divulgação

Qual o balanço você faz da experiência de escrever sua primeira novela das nove com uma pandemia atravessando a exibição?

Fé na capacidade de adaptação e superação das pessoas. Foram enormes desafios humanos, artísticos, empresariais. A soma do esforço e entrega de cada um viabizou o resultado.

Christian teve uma relação tóxica com Bárbara (Alinne Moraes). Qual mensagem você quis passar ao retratar essa união?

Nenhuma mensagem ou resposta. Apenas levantar perguntas: mudar o outro parece um projeto possível, saudável? Na raiz da codependência de Bárbara está o nó de tantas mulheres: buscar no outro a solução para os próprios problemas. Existe uma herança cultural por trás disso: a mulher resgatadora, que deve cuidar do marido. E me parece que a ficção serve como espelho: é patético o esforço de querer que o outro se equilibre para que possamos nos equilibrar.

Rebeca (Andrea Beltrão) e Túlio (Daniel Dantas)

Rebeca (Andrea Beltrão) e Túlio (Daniel Dantas) Foto: Rede Globo/Divulgação

Rebeca (Andréa Beltrão) debateu vários temas importantes, mas a cena em que ela se masturbava deu o que falar. Por que o prazer feminino é um tabu?

Em comentários nas redes, encontrei repetidas vezes a observação: ‘cena desnecessária’. Uma mulher, num casamento tóxico e desgastado, dispensa o sexo com o marido para encontrar prazer no próprio corpo, em si mesma. Um movimento de libertação legítimo. Mas enquanto a busca do prazer feminino estiver vinculada à ideia de vulgaridade, a cena seguirá, acredito, sendo classificada como incômoda ou ‘desnecessária’.

Ana Virginia (Regina Braga) descobre durante a consulta que o caso de Rebeca (Andrea Beltrão) é o seu neto

Ana Virginia (Regina Braga) descobre durante a consulta que o caso de Rebeca (Andrea Beltrão) é o seu neto Foto: Rede Globo/Divulgação

Você é uma mulher na faixa dos 50 anos e retratou muito bem os dilemas e desejos de Rebeca e Ilana (Mariana Lima) na novela. A Rebeca funcionou como uma espécie de alter ego pra você? Com qual personagem você mais se identifica?

Me identifico com todos ou seria incapaz de escrevê-los. Mas no caso de Rebeca, sim, penso que tenho ‘lugar de fala’.

Nicole (Ana Baird) supre a falta de afeto com comida em

Nicole (Ana Baird) supre a falta de afeto com comida em “Um lugar ao Sol” Foto: reprodução

Nicole (Ana Baird) passou a novela sofrendo por ser gorda, sem se aceitar. Por que optou por tratar a gordofobia assim?

Como o próprio nome diz: gordofobia; fobia, aversão, exclusão da pessoa gorda. Há uma indústria que fatura alto com isso. Ana Baird, a Nicole, é ativa na militância pró corpo livre. Ela confessa que, na idade da personagem, ainda se detestava. Tornou-se capaz de amar o próprio corpo e a si mesma há pouquíssimo tempo. Ela tem 51 anos. Poderia ter criado uma personagem gorda já resolvida. Levando em conta o mundo que temos hoje, infelizmente, essa não me pareceu uma abordagem realista. É importante que a mulher que rejeita a si própria possa se enxergar de fora, e perceber como é cruel subjugar-se a opiniões, preconceitos, dietas, remédios e procedimentos malucos e desnecessários. A autoaceitação é um longo caminho.

Stephany (Renata Gaspar)

Stephany (Renata Gaspar) Foto: Reprodução/Rede Globo

Stephany (Renata Gaspar) foi vítima de violência doméstica a novela toda. Numa das cenas mais bonitas da personagem, ela finalmente cria coragem para denunciar o marido e parece que vai se livrar dele. Mas acabará sendo assassinada. Por que a personagem tem um fim tão trágico?

Movimentos de libertação ou cura nunca caminham em linha reta. Recaídas são parte do processo. Stephany é adicta em adrenalina. Na turbulência e nos ‘ups and downs’ de sua relação com o marido. Há também a questão do capital marital. A separação, para a mulher, ainda é vista como uma perda, um desprestígio. Soma-se a isso a manipulação psicológica, o gaslighting, e todas as artimanhas utilizadas por um psicopata narcisista como Roney. Tudo faz Stephany oscilar entre ir e ficar. Criada sem pai nem mãe, contando apenas com o apoio da irmã um pouco mais velha, Stephany cresceu sem perspectivas. É uma mulher sem estrutura, de baixa autoestima. A ponto de embarcar numa relação com Renato/Christian mesmo sabendo que ele não a ama; que está ali por chantagem.

Com relação ao fim trágico da personagem, o Brasil ocupa hoje o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios. Uma mulher é morta a cada 7 horas - muitas vezes dentro de casa. Stephany, desde o início da trama, é um personagem trágico, um trem bala desgovernado, e por isso não me pareceu crível desenhar para a trama uma redenção cor de rosa. Mulheres morrem assassinadas, infelizmente. E ‘Um lugar ao sol’ é uma obra realista.

Como está sendo o processo de despedida da novela? Você pensa em seguir escrevendo para horário das nove? Quais são seus próximos projetos profissionais?

Nunca ambicionei o horário das nove ou nenhum outro em específico. Naturalmente, penso em seguir escrevendo, mas meu único projeto agora é me refazer, descansar.

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pior que eu gostei da novela ela só se perdeu muito em algumas situações repetidas mas eu e os 5 fãs da novela vão sentir falta

pelo menos, ela foi fiel à sua trama

AO MENOS, ulas foi uma novela que seguiu à risca né?
a trama foi péssima do meio pro fim, porém, em relação à qualidade, ela foi ótima

ai licia tu acerta na proxima
o soco no @Viny

Licia sempre fazendo obras coerentes

MORRENDO QUE ELA NÃO QUIS PASSAR MENSAGEM NENHUMA AR

tu para viny, eu não quero ser banido

RELEASE THE LICIA CUT

Vontade de reescrever a novela em threads do Twitter

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Igual a Licia baniu a audiencia e a qualidade do horário nobre

vamos amigo

tu vai ter a cara no chão quando ela tiver audiencia de 30pts na proxima novela

Vai ter mais rts que audiência, vamox

1 curtida

Mais facil ser 0.30 kkkkkkkk

Foi muito viu