Bandido: 50 Anos da Obra-prima de Ney Matogrosso
Em 1976, o Brasil vivia o auge de um dos períodos mais cinzentos de sua história política. Mas, embora sob o regime de censura federal, surgiuuma figura que desafiou a gravidade do conservadorismo com purpurina, saltos altos e femininos e uma voz aguda e provocativa.
Segundo álbum da carreira solo de Ney Matogrosso , Bandido (1976), tornou-se um marco na discografia do cantor. Após sair dos Secos e Molhados , com quem gravou dois discos e atingiu sucesso internacional, o artista lançou Água do Céu - Pássaro (1975) - álbum de caráter experimental considerado muito subversivo pela crítica e pouco aceito pelo público.
Um ano depois, Ney volta à cena acompanhado por Guilherme Araújo , produtor e empresário responsável por grandes sucessos brasileiros dos anos 1960 e 1970, e Rosinha de Valença . Bandido tornou-se um sucesso comercial e marcou a história da música popular brasileira com canções clássicas, como “Bandido Corazón”, canção assinada pela cantora-compositora Rita Lee .
O repertório de Bandido é uma aula de curadoria musical. A faixa-título, “Bandido Corazón”, escrita especialmente pela roqueira Lee em 1973, tornou-se o hino da persona de Ney: o fora-da-lei do gênero, um bandido que materializava a explosão do queer dentro da música brasileira.
Fun fact: Rita Lee, que não participou de perto da gravação do disco, ouviu pela primeira vez os detalhes da guitarra da faixa-título e ficou encantada com o talento do guitarrista, um chamado “Zezé”. Acontece que Zezé viria a ser nem mais nem menos que Roberto de Carvalho, eterno e marcante parceiro da fase mais popstar e comercial da cantora, cravando uma união romântica e musical que daria luz à uma série de discos da cantora, além de três filhos e dois netos.