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Se Madonna vencer as três categorias dance, será apenas a segunda vez que ela ganhará três Grammys na mesma noite (a primeira foi em 1999) e seu total de estatuetas chegará aos dois dígitos. Até hoje, Madonna possui sete Grammys — um número respeitável, mas talvez menor do que se esperaria para uma artista de sua importância e longevidade. Os eleitores do Grammy demoraram a reconhecer plenamente seu trabalho.
Madonna sequer foi indicada como Artista Revelação em 1984 ou 1985. Ela também não recebeu indicações em nenhuma das chamadas “Big Four” (Álbum do Ano, Gravação do Ano, Canção do Ano e Artista Revelação) até 1999, quando Ray of Light concorreu a Álbum do Ano e sua faixa-título disputou Gravação do Ano. Dois anos depois, voltou à categoria com “Music”. Essas continuam sendo suas únicas indicações nas principais categorias do Grammy.
Isso reflete a visão da indústria naquela época — que se mostrou equivocada — de que Madonna poderia ser apenas um fenômeno passageiro. Ela nem sequer foi convidada para participar da gravação beneficente de We Are the World, realizada em janeiro de 1985, apesar de já ter alcançado seu primeiro Top 10 na Hot 100 com “Borderline”. Meses depois, porém, seu sucesso “Crazy for You” tirou “We Are the World” do topo da parada.
O caminho até a aceitação por parte dos eleitores do Grammy continuou difícil. Singles históricos como “Like a Prayer” e “Vogue” sequer receberam indicações ao Grammy em qualquer categoria. Madonna nunca foi indicada a Canção do Ano, apesar de ter escrito ou coescrito 32 de seus 38 sucessos que alcançaram o Top 10 da Hot 100.
Ela também nunca venceu um Grammy em categorias de performance vocal. Historicamente, os votantes da premiação costumam favorecer cantoras com vozes consideradas mais poderosas, como Whitney Houston e Celine Dion. A própria Madonna já reconheceu que não se encaixa nesse perfil. “Eu sei que não sou a melhor cantora nem a melhor dançarina, mas isso não me interessa. O que me interessa é provocar e desafiar as pessoas”, declarou certa vez.
Madonna não é a única superestrela pop cujo número de Grammys é menor do que muitos imaginam. Janet Jackson, por exemplo, possui apenas cinco Grammys e teve somente uma indicação nas categorias principais como artista principal: Álbum do Ano por Control.
Diversos fatores ajudam a explicar isso. O Grammy só criou categorias específicas para álbuns de gênero, como Melhor Álbum Vocal Pop, em 1995. Além disso, a categoria de Melhor Gravação Disco existiu apenas uma vez, em 1980, e só em 2005 a premiação voltou a ter uma categoria dedicada à música dance.
O esforço recente da Recording Academy para ampliar e diversificar seus votantes — incluindo mais jovens, mulheres e pessoas não brancas — chegou tarde demais para beneficiar Madonna e Janet Jackson durante o auge de suas carreiras. Artistas como KATSEYE, Addison Rae e Tate McRae receberam indicações nos últimos anos; a Academia dos anos 1980 provavelmente os teria ignorado.
Três dos sete Grammys de Madonna vieram de categorias ligadas a filmes e vídeos. Ela venceu Melhor Filme Musical duas vezes: com Blonde Ambition – World Tour em 1992 (sua primeira vitória no Grammy) e com The Confessions Tour em 2008. Também venceu Melhor Vídeo Musical por “Ray of Light” em 1999.
Outros dois Grammys vieram das categorias dance: Melhor Gravação Dance por “Ray of Light” e Melhor Álbum Dance/Eletrônico por Confessions on a Dance Floor. Suas outras vitórias foram Melhor Álbum Vocal Pop por Ray of Light e Melhor Canção Escrita para Mídia Visual por “Beautiful Stranger”, do filme Austin Powers: The Spy Who Shagged Me.
Caso Confessions II vença Melhor Álbum Dance/Eletrônico, será a quarta vez em cinco anos que uma mulher conquista essa categoria. Beyoncé venceu em 2023 com Renaissance, seguida por Charli xcx em 2025 com Brat e FKA twigs em 2026 com Eusexua.
Stuart Price, coprodutor de todas as faixas de Confessions II ao lado de Madonna, também receberia o prêmio caso o álbum vença, assim como aconteceu com Confessions on a Dance Floor.
A relação de Madonna com grandes homenagens institucionais é mista — embora, aos 67 anos, ainda haja tempo para novas conquistas. Entre os reconhecimentos recebidos estão sua entrada no Rock & Roll Hall of Fame em 2008, logo no primeiro ano em que se tornou elegível, e a inclusão de Like a Virgin no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso em 2023.
Por outro lado, ela ainda não foi incluída no Songwriters Hall of Fame nem recebeu o Prêmio Gershwin para Canção Popular. Além disso, nenhuma de suas gravações foi incorporada ao Grammy Hall of Fame.
Apesar disso, o Grammy reconhece claramente seu poder de estrela. Madonna foi escolhida para abrir a transmissão da premiação três vezes — um feito igualado por poucos artistas. Ela abriu a cerimônia em 1999 com “Nothing Really Matters”, em 2001 com “Music” ao lado de Lil Bow Wow e em 2006 com um mashup de “Hung Up” e “Feel Good Inc.”, acompanhada por Gorillaz e De La Soul.
Os únicos outros artistas a abrir a cerimônia três vezes são Whitney Houston, Paul Simon (contando uma abertura com Simon & Garfunkel) e U2 (contando uma participação em uma abertura liderada por Kendrick Lamar). Todos são considerados integrantes da realeza do Grammy, com múltiplas vitórias em Álbum do Ano e Gravação do Ano.
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