BOYS LIXOS: Abusivos, tóxicos e embustes: Ainda existem mocinhos em novelas?

Houve um tempo em que os mocinhos das novelas despertavam a paixão do público feminino. Atualmente, tem sido difícil engolir o comportamento abusivo, tóxico ou o jeito embuste. Os suspiros deram espaço à raiva. Os protagonistas não estão diferentes agora --na verdade, eles não mudaram ao longo dos anos. Mas as mulheres, sim. Na última década, os debates feministas se popularizaram, o faro para boy lixo (pelo menos para os da ficção) está cada vez mais apurado, e o estoque para passar pano se esgotou.

Em Um Lugar ao Sol, o protagonista Christian/Renato (Cauã Reymond) choca ao fazer gaslighting, traduzido livremente do inglês como manipulação, com Bárbara (Alinne Moraes). Nessa prática de violência, o parceiro fere o emocional da mulher através de mentiras para se safar de situações, levando a vítima a duvidar da própria sanidade.

Além do protagonista, outros dois personagens pintados como bonzinhos também derrapam no machismo no folhetim de Lícia Manzo. O “sensível” Breno (Marco Ricca) aparece sempre preocupado com ele mesmo, falando sobre sua busca por propósito social na fotografia, além de ter voltado as atenções para Cecília (Fernanda Marques), enquanto Ilana (Mariana Lima), sua mulher, enfrenta um turbilhão de hormônios com a gravidez.

Ravi (Juan Paiva) quis bancar o dono de corpo de Joy (Lara Tremouroux) e decidiu por ele mesmo que a namorada não deveria abortar.

A novela das seis também tem o seu representante de mocinho boy lixo. Dom Pedro 2º (Selton Mello) ganhou até o apelido de parte do público de esquerdomacho --expressão usada para se referir a homens com inclinações políticas de esquerda, que se dizem defensores das mulheres, mas têm atitudes contrárias ao que pregam com as que convivem ou se relacionam.

Na saga histórica, o imperador trai a mulher, Teresa Cristina (Leticia Sabatella), com Luísa (Mariana Ximenes). Apesar de defensor dos direitos e bem à frente do seu tempo na trama, o monarca é um tanto controlador com a amante e fica incomodado quando algum homem demonstra interesse na oficial. O amor é livre só para ele.

Christian está ao lado de Bárbara

Para a pesquisadora Ana Paula Gonçalves, os movimentos sociais, incluindo o feminismo, são pautas presentes no cotidiano, e as novelas sempre beberam da realidade para criar a ficção. “Sendo assim, a tendência é que o mocinho clássico não tenha mais lugar, com as mulheres sendo mostradas nas telas como pessoas fortes e aptas a se defender, o oposto do romance romântico do folhetim tradicional”, diz a doutora em Comunicação pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica).

Estudiosa da temática feminista, Júlia dos Anjos aponta que o machismo não se manifesta somente entre os “vilões”, entre os homens “malvados”, facilmente identificados como perversos.

Ele faz parte da cultura e dos códigos sociais. O machismo pode ser entendido como uma ideologia que coloca o homem e a mulher em uma relação de oposição e hierarquia, em que a mulher é vista como diferente e inferior ao homem. Por isso, ela deveria a ele obediência e servidão. Aqueles que defendem o machismo gostam de dizer que o homem machista deve proteção à mulher --mas, na prática, o compromisso do homem machista é com outros homens.

Júlia alerta que o machismo não é cultural, seja na ficção ou na vida real, e os homens ou os personagens devem quebrar essa corrente. “É preciso que se coloquem como aliados das mulheres, inclusive em oposição a outros homens, caso seja necessário”, afirma a pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Rafael Cardoso está caracterizado como Rodrigo de A Vida da Gente

Mocinhos envelhecem mal

Na reprise de A Vida da Gente (2011), dez anos após a estreia, alguns fãs da novela se contorceram com o comportamento de Rodrigo (Rafael Cardoso). Se antes o mocinho dividia o público na torcida por quem merecia o seu coração, Ana (Fernanda Vasconcellos) ou Manu (Marjorie Estiano), em 2021 foi o time para as irmãs se livrarem do rapaz que ganhou força.

Outrora visto como romântico e coitado, o protagonista foi tachado de egoísta e irresponsável afetivamente com as irmãs. “Os últimos 30 anos foram de muita transformação na sociedade brasileira. Acredito que, apesar do retrocesso por conta de um governo de extrema-direita, nossa sociedade avançou muito em diversas questões, e as pessoas começam a perceber comportamentos machistas, homofóbicos e racistas com olhar mais crítico”, observa Ana Paula.

“O personagem em questão era um mocinho que não cabe mais em nossas reflexões sobre relações abusivas, afinal, ele se manteve casado com a irmã da Ana, e em determinado momento se envolveu com as duas ao mesmo tempo”, conclui a pesquisadora.

Os que continuam ‘mocinhos’ de fato se tornaram chatos. Quase sempre caem no estereótipo de esquerdo macho pseudo fofo e sonso

esquerdomacho

O mocinho tem que defender uma causa social ok (mas de forma superficial pq na vdd ele eh filho do papai)

Mocinhos sempre foram chatos e problemáticos. Um bom exemplo são os protagonistas mocinhos das novelas do Maneco, que sempre são boys machistas, mulherengos, mimados, filhinhos de papai ou da mamãe.
Não tem 1 que se salve.

gente? resumiu qualquer personagem do gabriel leone

Uma coisa que eu já reparei, engravidou do namorado/noivo/marido ? Vai ser corna.

Eu tava revendo novelas com os meus olhos, a maioria desses mocinhos são abusivos mesmo. Até em novelas estrangeiras.

Agora li o texto e vi que sobrou até pra Dom Pedro II

eu já até acho forçado ele ser todo liberal progressista nessa novela kkkkkk magina ser um cara ideal (sendo adúltero)