Caco Ciocler fala do desafio de viver Gustavo em 'Pantanal' e comenta fama de galã aos 50 anos

Em sua volta às novelas após a pandemia, Caco Ciocler interpreta Gustavo em “Pantanal”. O personagem é apaixonado por Madeleine (Karine Teles) e vive com ela uma relação conflituosa desde a adolescência. Ele lembra que o convite veio de uma maneira engraçada:

  • Me ligaram dizendo que tinham um papel, mas me escondendo qual era. Aí o Bruno (Luperi, autor) entrou em contato, e eu entendi a encrenca. Na primeira versão, esse núcleo do Rio deu um pouco de trabalho. Era menos interessante que o Pantanal, claro, e ainda teve a história da Madeleine, que precisou morrer por causa de uma briga com a atriz. Então, o personagem, que era do Zé de Abreu na época, ficou de lado e nunca mais voltou. O Bruno me convidou me avisando que existia essa questão, mas que ele queria equalizar um pouco isso e tornar o núcleo do Rio mais interessante, com um elenco que segurasse essa missão. De certa maneira, foi um convite honroso. Foi honesto ele jogar a bomba no colo de pessoas em quem confiava. Assistindo, eu entendo o tamanho do nosso problema. Mas estamos lá na luta. A Karine Teles é uma atriz maravilhosa, a Camila Morgado, também, Selma Egrei, idem. Acho que está ficando legal. O personagem é muito interessante. Esse homem que fica a vida inteira ali em volta de uma mulher que ele não consegue esquecer, cuidando de um filho que podia ser dele.

Com o desenrolar da história, Gustavo vai se envolver com Nayara (Victoria Rossetti), outro desafio na construção do personagem:

  • Isso foi outra surpresa do Bruno. Perguntei: ‘Pelo amor de Deus, o cara é um terapeuta comportamental. O Jove (Jesuíta Barbosa) é meio paciente dele. Ou seja, ele se envolveu com a mãe, a tia, e ex-namorada do paciente’. Mas o Bruno foi muito safo e soube defender muito bem essa relação. Essa menina traz para o Gustavo talvez não uma paixão madura ou uma paixão avassaladora, mas uma alegria. Ele dá para ela uma maturidade que falta. Tem uma leveza ali. A gente foi por esse caminho.

Esta semana, voltou ao ar outro trabalho marcante da Caco na faixa das 21h, o Ed, de “América”, que estreou no Globoplay.

  • Foi um marco para a minha carreira na Globo. Eu fui avisado de que iria entrar e teria um romance com a protagonista, mas que não tivesse esperanças, porque ela iria terminar com o Tião (Murilo Benício) . Na época, foi o Jayme Monjardim que me escalou. E não é segredo para ninguém que ele e a Gloria Perez brigaram. Quando ele saiu da novela, aí mesmo que pensei que o personagem ia ser deixado de lado. O que aconteceu foi inacreditável. Ele não era um galã óbvio, eu não era o que possa se chamar de bonito, ainda mais diante desse universo dos peões, mas os espectadores começaram a torcer muito. Eu achei o máximo. Gloria precisou resolver esse problema. A solução foi ótima. Ela podia não ter comprado a vontade do público e ter inventado outra coisa. Mas comprou e foi maravilhoso. Não lembro de antes disso ter tido uma mudança tão grande no destino da mocinha de uma novela das 21h. E o engraçado é que eu não acho que tenha feito um supertrabalho. Mas alguma coisa ali conquistou o público.

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Mesmo sem ser um “galã óbvio” na maioria de seus papéis, Caco é constantemente elogiado por causa de aparência. Em uma rápida olhada em suas redes, é possível ver cantadas divertidas de seguidoras:

  • Isso é uma coisa para a qual eu nunca dei muita bola, porque acontecia só de vez em quando. Tipo em “América” ou em “A muralha”, em que as pessoas me viam mais nesse lugar de galã. Até que uma vez eu fui fazer um teste para um superpersonagem na Globo. Li lá a descrição e não tinha nada de galã. Fiz o teste e soube que arrasei. Pouco depois, descobri que não me quiseram porque eu não estava bonito o suficiente. Poxa, nem me falaram que era para ser bonito. Se eu soubesse, poderia ter sido, porque ser bonito não é só sobre aparência, tem a ver com energia também. Pouco depois disso, fui fazer “Segundo Sol”. No texto, dizia o tempo todo que o Edgar era um bundão. Nas leituras, fiz totalmente bundão. Aí a Fabiula Nascimento, que era meu par, falou para mim: “Caco, minha personagem precisa se apaixonar por você”. Rebati dizendo que estava escrito que ele era bunda mole. Aí ela me contou que tinha se relacionado com homens bunda mole que vestiam o personagem oposto para esconder a insegurança. Nossa, agradeci demais e pensei: “Quer saber? Vou fazer um galã como eu nunca fiz”. Mudei alimentação, fui para a dermatologista e para a malhação. E aí foi uma loucura. Tinha 30 anos de carreira, papéis importantes na TV e no teatro, e aí ali eu entendi a força que tem você tirar a camisa e estar malhado. Curti a onda na época. Foi quando minha neta nasceu e eu virei o vovô galã. Agora, com o Gustavo, pensei nisso de novo: “O Bruno não quer equalizar as coisas? Então vamos fazer o personagem tatuado, com um figurino legal”. Iinvesti de novo nesse lado. As pessoas ficam chocadas quando sabem que tenho 50 anos. É uma chuva de comentários.

Caco garante que não se incomoda com as mensagens, pelo contrário:

  • São coisas engraçadíssimas. Muitas impublicáveis, principalmente as do Twitter, é quase constrangedor. Mas é isso, foi um investimento, então vamos brincar de ser galã.

Morando no Rio, Caco sente saudades da neta, Elis, de 3 anos, que vive em Florianópolis.

  • Ela já está enorme, mas a vejo bem menos do que gostaria, bem menos mesmo. Mas, agora, ela grava mensagens: “Vovô, te amo, estou com saudades” - conta ele, que acrescenta que seu filho ainda não pensa em aumentar a família. - Por enquanto só ela. Mas daqui a mais uns anos, quem sabe eu não viro um bisavô galã.
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