Câncer: Anvisa aprova nova terapia genética inovadora de CAR-T Cell no Brasil; entenda como funciona

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última semana um novo tratamento de terapia gênica à base de CAR-T Cell no Brasil, técnica que utiliza células de defesa geneticamente modificadas para atacar um câncer.

O produto é o TECARTUS®, do laboratório Kite, uma empresa do grupo Gilead Sciences Farmacêutica do Brasil. A alternativa terapêutica é destinada a adultos com linfoma de células do manto (LCM) em casos de retorno da doença (recidiva) ou que ela não responde ao tratamento primário (refratária).

O LCM é um subtipo agressivo de linfoma não Hodgkin que se desenvolve a partir de linfócitos (células de defesa) B anormais. O linfoma é um câncer sanguíneo que tem origem no sistema linfático, uma rede de vasos e pequenas estruturas que fazem parte do sistema imunológico e ajudam a combater infecções e outras doenças.

O TECARTUS já havia sido aprovado para leucemia linfoblástica aguda (LLA) no Brasil, e é o primeiro produto de terapia avançada no país indicado para LCM.

“Os estudos apresentados destacam que pacientes com LCM, tratados com TECARTUS®, demonstraram uma resposta completa, indicando a ausência de sinais de câncer. Este resultado superou os percentuais observados em pacientes submetidos a outros tratamentos no estágio avançado da doença. Além disso, o TECARTUS® mostrou eficácia no tratamento da LLA que ressurgiu após tratamentos anteriores ou não respondeu a eles”, diz a agência em nota.

Como funciona o CAR-T Cell?

A terapia é a quarta a receber um aval da Anvisa feita com base na técnica inovadora chamada de CAR-T Cell. Essa tecnologia, que tem se mostrado efetiva para diversos tipos de câncer hematológico (do sangue), é ainda alvo de estudos no Instituto Butantan e no Hemocentro de Ribeirão Preto, ambos em São Paulo, que buscam trazer o tratamento de forma completa para o país e incluí-lo na rede pública.

A agência explica que as terapias à base de CAR-T Cell são complexas e “pertencem a nova categoria de medicamentos, denominados produtos de terapias avançadas, atuando como imunoterapias personalizadas”.

De forma resumida, a técnica envolve a retirada de linfócitos T do paciente, células de defesa que fazem parte do sistema imunológico. Em seguida, esses linfócitos são editados geneticamente para que passem a reconhecer o câncer e atuar contra ele.

A Anvisa explica que isso é possível porque a edição faz com que as células passem a produzir uma proteína chamada receptor antigênico quimérico (do inglês chimeric antigen receptor – CAR, por isso o nome da técnica).

“Essa proteína ajuda as células T a se ligarem a uma outra proteína presente nas células cancerosas, denominada CD19, para promover a eliminação do câncer do organismo do paciente”, continua a agência.

Para isso, os linfócitos são reintroduzidos no organismo do paciente após serem geneticamente alterados. Segundo o hospital especializado em câncer, A.C.Camargo, em São Paulo, a técnica é inovadora pois trouxe uma perspectiva inédita de tratamento para casos de câncer que até então não tinham alternativas.

“Podemos dizer que a célula CAR-T é o maior avanço no tratamento do câncer dos últimos anos e pode se estabelecer como um dos pilares do combate à doença ao lado de quimioterapia, cirurgia e radioterapia”, diz Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência em Neoplasias Hematológicas do A.C.Camargo.

Um dos problemas, porém, é o baixo acesso e os altos custos. Por enquanto, a etapa da edição genética das células precisa ser feita no exterior, já que não há centros habilitados no Brasil. Além disso, a Anvisa destaca que, devido à complexidade do tratamento, há riscos associados a ele.

“É importante destacar que os resultados de eficácia foram acompanhados de ocorrências de efeitos secundários graves em mais da metade dos doentes, tais como síndrome de liberação de citocinas (SLC, uma doença potencialmente fatal que pode causar febre, vômitos, falta de ar, dor e pressão arterial baixa), encefalopatia (um distúrbio cerebral acompanhado de dor de cabeça, sonolência e confusão mental) e infecções”, diz a agência.

Porém, ela destaca que “os eventos adversos são controláveis se forem implementadas medidas adequadas de manejo”. “Portanto, a Anvisa concluiu que os benefícios do produto são superiores aos seus riscos, sendo aprovado seu registro no Brasil”, conclui.

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Essa mesma terapia fez um senhor de 61 anos que lutava há 13 anos contra um câncer ter remissão completa em apenas 1 mês

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A revolução

a ciência é babado ne
eu amo

Por favor governos, PAREM de achar que a indústria farmacêutica é mais vantajosa do que investir na cura do câncer

Eu quase choro quando imagino alguém do poder preferindo ver pais, filhos, amigos chorando vendo seus entes queridos quase morrendo de dor do que esses avanços

Que seja o começo de vários avanços, e sem boicote :pray:

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E lembrando que é uma terapia NACIONAL. Por isso a importância de se investir em CIÊNCIA. Tivemos aquela vacina anti crack da UFMG e agora isso. Que os investimentos em ciência continuem

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Deus é maravilhoso

Vocês acreditam mesmo nessa teoria? Eu acho que a indústria farmacêutica e da saúde ganharia muito com uma possível cura pro câncer

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Não existe cura para o câncer de forma geral, até porque cada um tem comportamento diferente, são especificidades diferentes e não há como uniformizar o tratamento. Cada um precisa ser estudado separadamente.

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incrível! viva a ciencia, viva a biologia!

Tanto que essa terapia está limitada por enquanto a alguns tipos de câncer, entre eles a leucemia

Sim, para um câncer de mama, as motivações ja são outras, para o de cérebro tbm… então a caminhada é muito longa para termos todos exaustivamente estudados, testados, achar solução e validar.

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Ciência diva

Amo

Essa teoria de que a indústria farmacêutica faz de tudo pra nos adoecer é pura lorota. Não precisam fazer nada, a alimentícia já faz isso.

Eu também acho muito sem sentido

Que foda!!!

Cientistas ateus fados

terapias gênicas também fazem parte da indústria farmacêutica

pena que terapias genéticas e anticorpos monoclonais são tão caros, pq são muito efetivas e tem poucos efeitos adversos