CARLOS EVELYN: Galã de O Cravo e a Rosa se afasta da TV e vende pães de queijo em Portugal

Diferentemente de seu personagem em O Cravo e a Rosa, Carlos Evelyn tem a voz bem ativa. Para uma de suas atividades profissionais, não dá para se fingir de mudo, já que a lábia é essencial para convencer os clientes a comprarem os pães de queijo que ele produz com a mulher, Mariana, e distribui pelas cidades de Lisboa e Cascais, em Portugal.

O paulistano se afastou da arte em 2007, quando decidiu cursar uma especialização na França. Ele largou as peças de teatro e partiu para a Europa. Acabou nunca mais voltando a atuar.

Em entrevista ao Notícias da TV, ele explica que uma coisa levou a outra: a busca por melhorar a produção da peças o empurrou para a Europa. Por causa dos estudos, acabou assumindo a direção financeira de uma empresa da família no Rio de Janeiro. O trabalho exigia dedicação integral --não tinha como conciliar o cargo nem com peças de teatro, nem com novelas.

Dez anos se passaram, e Evelyn decidiu partir para uma nova aventura. Juntou suas coisas e realizou um sonho antigo da família: morar fora do Brasil. Portugal foi a escolha perfeita. Ele e Mariana, sua mulher, adoram o país. Além disso, muitos amigos do casal se mudaram para lá.

Apesar da distância, ele continua atuando no conselho administrativo da empresa da família. Além do cargo fixo e dos pães de queijo, ainda fundou uma startup de tecnologia. O ator até pretendia deixar a rotina mais corrida --planejava criar um espaço cultural ligado à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)–, mas a pandemia Covid-19 estragou seus planos. Dentre tantos projetos, nenhum deles se relaciona com uma volta ao Brasil.

“Adoro o Brasil, um país único no mundo e com potencialidades incríveis, mas não penso em voltar agora. O país está em um momento muito difícil, triste e sombrio, sobretudo para quem lida com arte e cultura. Torço muito para que saiamos logo deste buraco”, conta.

Com redes sociais fechadas e poucos seguidores, Evelyn prefere se manter longe da exposição --desde que, claro, não seja por um personagem. Ele, inclusive, atuou boa parte de Hans Standen (1999) quase sem nenhuma peça de roupa.

“A exposição é do personagem, não do ator e da sua vida privada. Claro que o ator pode dar a sua opinião, política ou não, participar dos temas relevantes na sociedade (como qualquer outro cidadão), mas para mim a separação entre as esferas pública e privada é sagrada”, define.

Arte vem de família
Quando saiu da escola, não sabia como escolher apenas uma coisa para fazer o resto da vida. Foi para a Alemanha, aprender a língua dos avôs e se ambientar com a ideia de morar sozinho. De volta ao Brasil, começou no curso de Jornalismo, mas o abandonou. No fim, cursou Artes Dramáticas e Psicologia ao mesmo tempo.

O ator é Irmão de Deborah Evelyn e sobrinho de Renata Sorrah e teve a primeira oportunidade na TV cedo. Pouco tempo depois de formado, fez sua estreia em O Cravo e a Rosa. Foi um trabalho marcante. Ele lembra com clareza até do período anterior às gravações. “Tivemos toda uma preparação histórica antes de começarmos a gravar, foi para mim uma boa amostra de por que a Globo é o que é em termos de novelas”, destaca.

De falcatrua a trisal ousado
Após a série de oficinas, Evelyn finalmente terminou de compor Fábio. Estudante de Música e louco por apostas, o personagem do ator acabou inventando uma mentira cabeluda para fisgar as feministas da cidade, Lourdes (Carla Daniel) e Bárbara (Virginia Cavendish). Avessas aos homens, elas só se deixaram encantar porque tinham “pena” do rapaz --que se fingia de mudo.

“É tudo uma grande brincadeira, né? Não só dos atores --que se divertiam a valer-- mas também dos personagens. O Fábio, a Lourdes e a Bárbara no fundo, no fundo, sabiam de tudo. Era tudo um grande jogo, uma espécie de ‘me engana que eu gosto’ que os três toparam jogar”, defende.

O intérprete teve dificuldades em passar tanto tempo em silêncio e precisou se virar para interpretar o trambiqueiro sem um auxílio de um texto. Apaixonado pelas duas feministas, ele terminou a novela com uma mulher em cada braço.

“Foi totalmente de acordo com a evolução dos personagens --e bem no espírito moderno e libertário daquela época. Um trisal no início do século 20! Sinceramente, não sei dizer se a abordagem hoje seria diferente. O mundo mudou muito nesses últimos 22 anos, mas certas coisas permanecem”, declara.

Entre os tópicos que seguem tão necessários quanto antes, o ator enquadra a luta feminista. A novela até abordou o movimento, cuja primeira onda estourou na década de 1920, mas não se aprofundou muito. O núcleo das feministas era, basicamente, cômico. As duas líderes se diziam “eternas virgens” e contrárias a relacionamentos amorosos, mas se jogavam na cama de Fábio sempre que tinham oportunidade.

Evelyn, porém, enxerga o tema com seriedade. “Basta vermos a questão dos direitos sexuais e reprodutivos, bastante em evidência agora com os casos absurdos da Klara Castanho e da menina de 11 anos grávida em Santa Catarina, ambos indicadores de como as mulheres têm ainda seus direitos mais básicos violentados”, diz.

Klara Castanho foi estuprada e, por causa da violência, acabou engravidando. Ela publicou uma carta aberta em que relatou o drama e contou ter colocado a criança para adoção. O assunto veio à tona após Leo Dias e Antonia Fontenelle comentarem, sem citar nomes, sobre uma jovem atriz global que doou uma criança logo após o parto.

Já em Santa Catarina, a juíza Joana Ribeiro induziu uma menina de 11 anos a desistir de fazer um aborto. A mãe havia entrado com pedido do procedimento na Justiça, mas, em vez de conseguir amparar a filha, foi obrigada a ficar longe da menina. Durante o processo, a jovem foi mantida em um abrigo.

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Passado

sofro com esse povo q vai pra fora trabalhar em lanchonete e rebocar muro
aq eh tao indigno assim?