Carol Marra fala de primeiro papel cis em novela e planos para ser mãe

Carol Marra fala ao telefone com o despojamento de quem tem décadas de carreira. E tem, apesar de grande parte do público vê-la pela primeira vez em “Quanto mais vida, melhor!”. A atriz de 44 anos — também formada em Jornalismo — trabalha na Globo desde os 19. Na emissora, já foi produtora e atuou por trás das câmeras em reportagens. Fora da TV, desfilou por marcas internacionalmente reconhecidas. O destaque a levou às páginas do “The New York Times” e ao elenco do documentário “Tabu”, da NatGeo. A novela escrita por Mauro Wilson simboliza, então, outro tipo de coroação pelo trabalho: é seu primeiro papel cis e mostra possibilidades de ocupar ainda mais espaços.

— Televisão é uma outra linguagem. Eu estava acostumada a fazer série e cinema. TV é mais ágil. E o brasileiro consome muita novela. Essas histórias viram assunto de mesa de bar, de mesas de jantar da família. As pessoas discutem e comentam os assuntos que estão na novela, entre eles os tabus. Então, fico muito feliz de estar num meio de comunicação que está sendo debatido pelas pessoas. Me alegra muito ver a trajetória desde o início do trabalho em meio à pandemia, as parcerias que fizemos ali… Giovanna (Antonelli) é uma superparceira. Ela ensina, dirige, dá dicas. Julia Lemmertz é uma querida também. São pessoas que quero para a vida. E é muito legal ver os fã-clubes me adotarem. Apareceram umas sete páginas no Instagram, muita gente era fã da Giovanna — comemora.

Na novela das 19h, Carol dá vida a uma advogada que se envolve num triângulo amoroso. A história tem romance, trapaça e nenhuma menção obrigatória à classe LGBTQIAP+.

— O tema “diversidade” está no mundo. E ele é múltiplo. Assim como no mundo, no elenco da novela temos toda essa gente. Pessoas LGBTQIAP+, pessoas magras, gordas… A novela tem um elenco diverso, mas o diretor teve esse cuidado de olhar para as coisas como acontecem aqui fora. Há médicos negros, motoristas gays. A gente está em 2022. Não existe mais essa coisa de tentar encaixar as pessoas em rótulos. E as pessoas se preocupam muito com o que acontece na cama. Esses temas ( de sexualidade e gênero ) serão discutidos assim como outros.

Outra produção no ar chama a atenção da atriz por trazer memórias reais: “Verdades secretas”. Carol se recorda de, após ganhar visibilidade no Brasil, ter sido assediada:

— O assédio, que hoje muitas vezes acontece nas redes sociais, acontecia no tête-à-tête. Quando fiz a capa da revista “Trip” e depois o Paparazzo, me lembro de estar numa festa e de ter homens me convidando para jantar. Eles perguntavam “qual era o meu cachê artístico” para jantar e passar uma noite. Eu não condeno, mas gosto de escolher com quem vou estar e de estar escolhida. Esse tipo de proposta já chegou a mim. Eu sempre contornei com elegância.

Findados os trabalhos com a Globo, Carol se prepara para dois filmes: “Odara”, um longa em que fará par com Ricardo Pereira, e um curta, “Brain”, que terá filmagens retomadas após adiamentos por causa da pandemia. Nos dias de descanso de recesso, vai arrumar o novo apartamento para receber pela primeira vez as famílias da mãe e do noivo, o operador de mercado financeiro Tarik Migliorini:

— Vai ser o primeiro Natal em que as duas famílias vão se unir de verdade. Ele sempre passava com os pais dele. E mais adiante vamos pensar no casamento. Ele ainda não tem nada, mas vai acontecer. União é estar junto. Uma comunhão se constrói diariamente.

Ainda que cada passo seja dado com cuidado, Carol já faz planos de aumentar a família. Ela e o noivo acionaram o escritório que cuidou de barrigas de aluguel contratadas, por exemplo, por Paulo Gustavo e Thales Bretas:

— É equipe que faz um trabalho muito sério em São Paulo. Eles também fizeram o processo de Thammy Gretchen. São feitas muitas reuniões e há conversas para entender como contratar a barriga solidária. Há escritórios nos Estados Unidos, em Israel… Optamos por essa empresa que faz além do Brasil porque aqui no país a lei ainda impõe complicadores. Em algumas situações, os pais podem pedir a devolução do dinheiro ao se arrependerem do procedimento.