Chico Diaz fala do papel de padre em 'Renascer', de nova exposição e da família

Chico Diaz, que nos últimos anos tem se dividido entre Rio e Lisboa, passará uma temporada maior no Brasil para fazer o remake de “Renascer”, que substituirá “Terra e paixão” na faixa das 21h da TV Globo. Depois de muito tempo fazendo apenas participações em novelas, desta vez ele assumirá um personagem fixo: Padre Santo, que estará nas duas fases da trama de Bruno Luperi. Em 1993, o papel ficou a cargo de Jofre Soares.

— Esse personagem que está me despertando muita curiosidade, porque eu sempre tive muito fascínio por esse lado místico. Originalmente sou de formação católica. Os colégios que frequentei na América hispânica (ele nasceu no México) eram católicos, e a minha família também. Quando chegamos ao Rio, esse ambiente ainda prevaleceu por um tempo. Depois a vida bagunçou. Isto é: ampliou o meu espectro do entendimento místico e religioso — afirma ele, que terá o segundo contato com a obra de Benedito Ruy Barbosa: em 2016, fez uma participação importante na primeira fase de “Velho Chico” como Belmiro dos Anjos.

Por conta do retorno ao país, o ator, de 64 anos, decidiu compartilhar uma parte importante da sua vida com o público. Ele abriu as portas da casa de sua família na Zona Sul do Rio para a exposição “Casa da infância”, que reúne 30 obras suas, entre pinturas e desenhos. O imóvel, no número 318 da Avenida Alexandre Ferreira, no Jardim Botânico, faz parte da sua vida desde que ele tinha 9 anos:

— Essa exposição é meio que uma volta. Como eu já havia feito uma em Portugal, achei de bom tom fazer uma por aqui também. Eu não queria entrar num lugar tradicional como uma galeria. Essa casa representa a formação da minha família desde 1968, então achei interessante homenagear aquelas paredes e cômodos com esta mostra. Por ser uma homenagem histórica, as obras são de diferentes épocas da minha vida. Não há uma unidade ou conceito único nos trabalhos apresentados.

Ele conta que a casa tem uma arquitetura dos anos 1930, com elementos variados da cultura latino-americana, algo também presente em suas obras e na sua própria vida. Filho de uma tradutora brasileira e de um paraguaio, funcionário da Organização dos Estados Americanos (OEA), ele é natural do México e tem cinco irmãos de diferentes países da região. Entre eles, o também ator Enrique Diaz, o caçula, nascido no Peru:

— Nós éramos uma América Latina ambulante. Antes, havíamos morado no México, na Costa Rica, no Peru, no Paraguai e nos Estados Unidos. Chegamos ao Rio e não conhecíamos ninguém. Então aquela casa e aquela família viraram uma ilha de relação com o mundo exterior. Ironicamente, a praça da esquina se chama Sagrada Família. É muito curioso. A partir da chegada, eu e meus irmãos fomos desbravar a selva carioca e esse novo universo lusófono.

O ator tem dois filhos, Antonio, de 28, do seu casamento com a atriz Cecília Santana, e Irene, de 17, da união com a também atriz Silvia Buarque (leia a entrevista dela falando da carreira, da filha e do fim da relação com Diaz). O mais velho mora em Roma. Já Irene mora no Rio e está prestes a entrar na faculdade:

— Ela vai começar a fazer a faculdade de comunicação e creio que também possa enveredar pela área artística. Ainda mais sendo filha e neta e de atores e músicos. Ela já se apresentou no teatro e fiquei realmente impressionado com a qualidade do trabalho que apresentou.