Chocando estados progressistas, o conservador estado do KANSAS é o 1º a PERMITIR o Aborto através de votação popular, com quase 60% de apoio

Kansas se torna o primeiro Estado dos EUA a ratificar o direito ao aborto

O referendo representa um marco desde que a Suprema Corte anulou a decisão Roe versus Wade, em junho deste ano

OLATHE - O Kansas votou nesta terça-feira, 2, a favor da manutenção do direito ao aborto na primeira consulta popular sobre o assunto desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão do caso Roe versus Wade, em vigor havia quase 50 anos, que garantia em nível federal o direito das mulheres decidirem sobre a interrupção voluntária da gravidez.

De acordo com projeções da mídia norte-americana, com 90% dos votos apurados, mais de 60% dos eleitores votou contra a alteração da Constituição estadual para restringir o direito ao aborto.

Momentos após o fechamento das urnas às 19h (21h em Brasília), Scott Schwab, que supervisionou as eleições no Estado declarou que a participação foi de pelo menos 50%, um número esperado para este tipo de eleição, informou a imprensa local.

No Twitter, Joe Biden afirmou que o resultado representa uma ampliação aos cuidados de saúde reprodutiva. “É uma vitória importante para o Kansas, mas também para todos os americanos que acreditam que as mulheres devem poder tomar suas próprias decisões de saúde sem interferência do governo”, escreveu.

O Kansas foi o primeiro referendo realizado por um Estado americano após a decisão da Supremo Corte de anular a decisão Roe versus Wade, caso célebre de 1973 que garantiu o direito constitucional ao aborto até a 22ª e 24ª semanas de gestação. Por isso, a votação é vista como um grande teste para o direito ao aborto em todo o país, já que legislaturas dominadas por republicanos correm para impor proibições estritas ao procedimento.

Kansas, um Estado historicamente conservador

O Kansas tem uma grande tradição republicana, partido que controla os gabinetes do procurador-geral, secretário de Estado e ambas as casas do legislativo estadual.

Além disso, o partido do ex-presidente Donald Trump também costuma ser preferência nas eleições presidenciais. Nas últimas eleições, por exemplo, Trump recebeu 56% dos votos.

Repercussão pós-votação

Resumo

O referendo foi duramente criticado por organizações civis, que denunciaram que o texto da questão não era suficientemente clara, numa tentativa de “desinformar e confundir por parte daqueles que se opõem ao aborto”.

Algumas horas antes do pleito no Kansas, o procurador-geral dos EUA, Merrick Garland, anunciou um processo contra o Estado de Idaho, por considerar uma lei contra o aborto que entraria em vigor em 25 de agosto “criminaliza médicos” e impede-os de praticar livremente as interrupções da gravidez quando a saúde da mulher está em risco.

O processo aponta que há violação da Lei do Trabalho Federal e Tratamento Médico de Emergência, que protege os médicos que realizam intervenções quando o aborto é “o tratamento médico necessário para estabilizar a condição de emergência de um paciente”. Segundo o entendimento da procuradoria, a legislação estadual impõe aos médicos o ônus de provar em juízo que não são criminalmente responsáveis.

Esta é a primeira ação do Departamento de Justiça contra o Estado desde a decisão da Suprema Corte, e não será o único, segundo o próprio Garland explicou em uma entrevista coletiva.

Outros estados, incluindo Califórnia e Kentucky, devem votar sobre a questão em novembro, juntamente com eleições de meio de mandato, nas quais republicanos e democratas esperam reunir apoiadores em todo o país em torno de suas posições sobre o aborto./AFP, AP e EFE

Direito ao aborto: como Kansas, Estado com maioria conservadora, decidiu manter permissão

O Estado do Kansas, nos Estados Unidos, decidiu em um referendo proteger os direitos ao aborto — em uma vitória dos grupos do movimento pró-escolha, que são a favor desse direito.

A maioria dos eleitores disse que não deseja alterar a Constituição do Estado para proibir o aborto.

Esse foi o primeiro teste nas urnas sobre a questão do aborto desde que a Suprema Corte dos EUA revogou, em junho, uma decisão de 1973 que legalizava a prática em todo o país.

O referendo no Kansas poderia permitir que o Legislativo local restringisse ou proibisse o aborto no Estado.

Projeções sugerem que mais de 60% dos eleitores no referendo do Kansas votaram em favor do direito constitucional no Estado para que as mulheres tenham acesso ao aborto.

O resultado terá impacto nacional, já que os EUA se preparam para a realização de eleições parlamentares em 8 de novembro, em que o Partido Democrata — que é majoritariamente em favor do aborto — luta para manter o controle do Congresso.

O presidente dos EUA, Joe Biden, disse que o resultado mostrou que “a maioria dos americanos concorda que as mulheres devem ter acesso ao aborto”.

Uma eleitora, Taylor Hirth, chorou ao comemorar o resultado com sua filha de nove anos em uma festa na cidade de Overland Park.

“Sou uma sobrevivente de estupro, e só de imaginar que minha filha possa engravidar e não possa fazer nada sobre isso me irrita”, disse ela à BBC. “Nunca pensei que isso aconteceria aqui, mas trabalhamos muito aqui para conseguir o voto. Os republicanos nos subestimaram.”

Um sinal de eleitores descontentes

Resumo

Nomia Iqbal, repórter da BBC News no Kansas

Quando a decisão Roe v Wade foi derrubada, o presidente Biden disse que o direito ao aborto seria um problema para os eleitores. O que aconteceu no Kansas mostra que essa preocupação é real.

Este é um Estado vencido pelo ex-presidente republicano Donald Trump por 15 pontos percentuais de diferença há apenas dois anos, nas eleições de 2020. Mas agora o mesmo eleitorado votou para proteger o acesso ao aborto por uma vitória considerada esmagadora.

Os números atuais ainda são apenas uma projeção. O resultado oficial será confirmado dentro de uma semana. Mas para democratas e grupos pró-escolha, isso é um sinal de que os americanos estão profundamente insatisfeitos com a derrubada do direito ao aborto — e veem a decisão da Suprema Corte como fora de sintonia com a opinião pública.

Autoridades do Kansas disseram que a participação dos eleitores em todo o Estado foi significativamente maior do que o esperado em um dia de votação de primárias (as prévias dos partidos na eleição americana), quando os republicanos geralmente superam os democratas na proporção de dois para um.

O mês anterior à votação no referendo foi de tensão. Uma igreja católica e uma estátua da Virgem Maria foram vandalizadas com tinta vermelha e um slogan pró-escolha.

Na véspera da votação, alguns eleitores receberam notícias falsas afirmando que para proteger o direito ao aborto seria necessário votar no “sim” — mas na verdade o oposto é verdadeiro. A empresa de tecnologia Twilio disse que suspendeu o remetente anônimo de sua plataforma.

Embora o Kansas seja amplamente conservador, seus regulamentos de aborto são menos rigorosos do que muitos outros Estados liderados por republicanos.

A lei estadual permite que a gravidez seja interrompida em até 22 semanas com outras restrições, incluindo um período de espera obrigatório de 24 horas e consentimento obrigatório dos pais para crianças.

A legislatura do Kansas é controlada por republicanos anti-aborto, mas sua governadora, Laura Kelly, é democrata. Ela havia alertado que mudar a constituição do Estado colocaria o Kansas “de volta à idade das trevas”.

Mais de uma dúzia de Estados liderados por republicanos decidiram proibir ou restringir ainda mais o aborto desde a decisão da Suprema Corte em 24 de junho.

Mas 10 Estados dos EUA, incluindo Kansas, têm o direito ao aborto consagrado em suas constituições estaduais. Essas regras só podem ser derrubadas por meio de referendos.

Outros Estados, como Califórnia e Vermont, vão realizar votações em novembro, buscando aumentar as proteções ao direito ao aborto em suas constituições estaduais.

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E choca o Brasil que até a esquerda é contra o aborto

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Uma notícia boa
Povo do Kansas não tá sendo burro

isso de votação pra decidir seria uma boa, pq em vários estados conservadores a maioria da população apoia o aborto

Chocou mesmo, não imaginava que iam apoiar

Só ver como depois da decisão, os estados Reps que prometiam barrar todo tipo de aborto imediatamente, estão agora enrolando kkkkk

O plot twist

Se todos os estados for por votação
Acho que a maioria vai ganhar
E os republicanos vão se fuder legal

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Eu tô chocado kkkk

Aborto nos EUA é igual vacinação no Brasil, um monte de gente finge que é contra, mas no off é outra história

Só por esse resultado eu acredito que no fim o aborto só vai ser proibido em uns 5-6 estados no máximo

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Ainda há esperança na humanidade