queer canon book club é um espaço para leitores que acreditam que os clássicos ainda têm muito a dizer — e que cada geração encontra novas formas de escutá-los. nosso objetivo é explorar clássicos do cânone ocidental, compartilhando leituras, impressões, interpretações, indicações e boas conversas. entre paixões, polêmicas, obsessões literárias e algumas releituras sob novas lentes, buscamos construir uma comunidade onde o prazer da leitura encontre o prazer do diálogo.
“O texto é um tecido de citações, saídas dos mil focos da cultura.”
— Roland Barthes em “A morte do autor”.
“A literatura é o sonho acordado das civilizações.”
— Antonio Candido em “O direito à literatura”.
“A literatura é uma saúde.”
— Gilles Deleuze em “Crítica e clínica”.
“A arte é magia, liberta da mentira de ser verdade.”
— Theodor Adorno em “Minima Moralia”.
as leituras do queer canon book club serão definidas por votação entre os participantes. a cada ciclo, será escolhido um livro para leitura coletiva dentro de um prazo previamente estabelecido.
como regra geral, adotaremos uma meta de 50 páginas por semana, podendo esse número ser ampliado por consenso do grupo. a proposta é manter um ritmo acessível, permitindo que pessoas com rotinas ocupadas ou pouca experiência de leitura acompanhem as discussões sem que a atividade se torne cansativa ou excludente.
os livros selecionados deverão: (1) ser considerados clássicos da literatura; (2) ter até 200 páginas, salvo se a maioria optar pela ultrapassagem desse marco; e (3) estar disponíveis tanto em formato físico quanto digital (e-book).
o clube funcionará, em princípio, exclusivamente neste fixo, onde serão publicados comentários, impressões e debates sobre a leitura. grupos externos e encontros virtuais poderão ser criados futuramente, desde que haja interesse dos participantes.
aos sessenta anos, após a morte do marido, ehud, hillé — conhecida como senhora d, de “derrelição”, isto é, desamparo — mergulha em um profundo estado de luto e isolamento. refugiando-se no vão da escada de sua casa, ela passa a revisitar memórias, dialogar com a ausência do companheiro e confrontar questões que a perseguem há toda a vida: a morte, deus, o corpo, o desejo, o tempo e o sentido da existência.
em uma narrativa fragmentária e intensa, construída por meio do fluxo de consciência e da mistura entre prosa, poesia e reflexão filosófica, hilda hilst acompanha a jornada interior de uma mulher que se encontra à margem do mundo e de si mesma. mais do que contar uma história, o livro investiga os limites da linguagem e da experiência humana diante da solidão, da finitude e da busca por significado.
publicada originalmente em 1982, a obscena senhora d é considerada uma das obras mais importantes de hilda hilst e um dos textos mais radicais da literatura brasileira contemporânea.
data de início: 01/10.
data de encerramento: 31/10.
ao comentar o livro, lembre-se de ocultar spoilers! boa leitura!