Os direitos de transmissão da Copa do Brasil na TV dispararam mais de 200% entre 2016 e 2026, uma alta que superou em cinco vezes a inflação oficial do período. É o que aponta um levantamento exclusivo realizado pelo NaTelinha. Esse aumento coincide com a chegada das apostas esportivas (as bets), liberadas no final de 2018, ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer.
No final de 2016, ainda sem bets, a CBF fechou um acordo com a Globo de pouco mais de R$ 300 milhões anuais para a transmissão da Copa do Brasil entre 2018 e 2022 na TV aberta, fechada (SporTV e Premiere) e na internet.
Uma década depois, para o ciclo de 2027 a 2030, a nova parceria multiplataforma envolvendo Grupo Globo, Amazon e ESPN elevou o patamar da competição para uma média de R$ 1 bilhão a R$ 1,07 bilhão por ano. Um salto que representa um crescimento superior a 230% no valor dos direitos de transmissão do torneio em 10 anos.
Para efeito de comparação, a inflação oficial do país (medida pelo IPCA) acumulou exatamente 49% no mesmo período, o que significa que a valorização dos direitos de transmissão superou a alta geral dos preços em cerca de cinco vezes.
Analistas falam sobre a venda da Copa do Brasil
Analistas do mercado de transmissão consultados pela reportagem, apontam que o salto nos valores da Copa do Brasil é impulsionado por dois fatores principais.
O primeiro é a reformulação do torneio: com a expansão para 128 clubes e 157 partidas a partir de 2027, o campeonato passou a ocupar todo o calendário nacional. Isso gerou mais janelas de transmissão e maior oportunidade comercial.
O segundo fator é a força financeira das bets: a circulação do dinheiro das casas de apostas, que investem pesadamente no patrocínio de eventos esportivos, tem impulsionado diretamente a valorização dos direitos de transmissão no mercado.
Eles destacam que, mesmo com a concorrência das big techs e dos streamings internacionais, como a CazéTV, essas empresas só compram o evento porque sabem que há demanda comercial, principalmente vindo das bets.
Além disso, as bets têm uma vantagem competitiva direta sobre outras empresas: várias marcas do setor de apostas conseguem patrocinar o mesmo evento simultaneamente. Enquanto marcas tradicionais exigem exclusividade de categoria, o ecossistema das apostas funciona sem essa barreira.
O governo federal editou em 25 de setembro de 2026 a Medida Provisória nº 1.394/2026, determinando a extinção e a proibição definitiva das operações, patrocínios e publicidades de casas de apostas esportivas e jogos online em todo o território nacional, o que impõe um novo capítulo ao financiamento do esporte.
Evolução dos direitos de transmissão da Copa do Brasil
Ciclo 2018–2022
Principais Compradores: Grupo Globo.
Valor Estimado: R$ 300 milhões a R$ 350 milhões por ano.
Observações: Acordo fechado no final de 2016, ainda sem a influência do mercado de apostas (bets).
Ciclo 2023–2026
Principais Compradores: Grupo Globo.
Valor Estimado: R$ 600 milhões por ano.
Observações: Período em que o mercado de bets já operava no país.
Ciclo 2027–2030
Principais Compradores: Grupo Globo, Amazon Prime Video e ESPN.
Valor Estimado: Média de R$ 1 bilhão a R$ 1,07 bilhão por ano (superior a R$ 4 bilhões no total do ciclo).
Observações: Acordo recorde. Impulsionado pela expansão do torneio e pela força financeira das bets que foram regulamentadas em 2023.