CONFLITO DE ÉPOCAS: Roteirista do Masked Singer revela perrengue com Mariana Ximenes

Roteirista do The Masked Singer Brasil, Tomás Fleck enfrentou um verdadeiro sufoco nos bastidores do reality: transformar a energia da condessa de Barral da faixa das 18h em algo compatível com o espetáculo musical da Globo. Como preparador de elenco, ele era responsável por treinar os jurados e o convidado da semana para o show dos mascarados, dando insights de piadas e truques para o improviso frente às câmeras.

“Mariana Ximenes estava gravando Nos Tempos do Imperador. Daí ela estava com uma energia de uma novela de época, mas chegou num negócio que era para ser uma zoeira de adivinhação de pessoas fantasiadas”, conta Fleck ao Notícias da TV.

Além da eterna Ana Francisca, de Chocolate com Pimenta (2003), Fernanda Gentil, Ana Maria Braga, Paula Fernandes e Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, também participaram da atração como convidados. No caso do pernambucano, o treinamento para o show foi diferente.

“É outra energia, alta, zoeirão, daí tipo… Deixa Gil ser Gil… O jeito que o Gil fala, a pessoa já tem uma expectativa dele. Se falar tal coisa já vai funcionar, porque é ele falando. Se ele só rir aqui vai ser engraçado porque vai estar rindo de uma situação que só o Gil riria”, explica.

A função de Fleck no Masked Singer era agir como um coach de piadas. Durante a temporada, ele instigava Simone, Taís Araujo, Rodrigo Lombardi e Eduardo Sterblitch a terem ideias para que os chutes sobre os mascarados surgissem ao vivo espontaneamente --sem, claro, revelar quem era o famoso por trás da fantasia.

“Os jurados têm uma preparação antes de chegar lá. Eles não chegam, sentam lá direto e começam a dar seus comentários. A gente conversa durante mais ou menos uma hora antes de entrar, a gente dá uma preparada, uma aquecida, a faz jogos, brincadeiras… Tá, quem vocês acham que é esse, esse, esse?”, detalha o roteirista de 30 anos.

Ivete Sangalo também participava da preparação para naturalizar o texto, mas usava menos as técnicas, já que ela tinha à sua disposição um aparelho de teleprompter, que permite a leitura do roteiro diretamente na câmera. A interação dela com os personagens e com os jurados, contudo, ficava livre.

O objetivo de toda a musculação mental era arrancar pitacos de quem estava no show. “Porque a sensação, quando a gente assiste lá pela primeira vez, é de espanto. No sentido de quase que mágico. Uma criança vendo aquele negócio acontecer na nossa frente. E muitas vezes a gente fica sem palavras mesmo. Só que, como a função deles é ter palavras, era uma função minha antecipar esse receio que eles pudessem ter, ou essa surpresa, para eles falarem qualquer coisa”, acrescenta.

Muito do que acontece nos bastidores ganha a TV na sequência, caso de uma piada sobre um palpite de quem seria a Arara (Cris Vianna), que Tomás Fleck escreveu no roteiro, Sterblitch falou no palco, e a web repercurtiu.

“Era uma piada que era muito boba, quase de criança, mas foi aquilo, por exemplo, que gerou riso nos outros jurados que estavam do lado, que gerou tranquilidade para Ivete também rir e começar a falar ‘palpiste’ todo programa. Daí todo mundo relaxa. Porque lembra que é um jogo, uma brincadeira, não é uma coisa para eles ficarem tão preocupados em errar ou acertar”, revela.

Coaching de piadas
O trabalho de Fleck, apesar de fundamental para soltar o elenco, é novo em sua carreira. Antes do reality da Globo, ele nunca havia executado a função em um set. “O que eu fazia com os jurados, nem sabia como é na não-ficção. Mas na ficção a gente tem muita direção de elenco, de timing, que é uma coisa que eu trabalho muito. E foi útil para roteiro de não-ficção”, conta.

Outra diferença que o publicitário por formação relatou na nova função foi a ida ao estúdio e a criação junto ao grupo que fica próximo às gravações.

“É uma função diferente de um roteirista de um programa de ficção, que escreve tudo antes e deixa pronto para as pessoas decorarem. Então, a necessidade de estar no set é muito grande. Porque a gente dá o tom, a gente cria junto com todo mundo que está lá, a gente prepara e o texto é consequência da preparação do roteirista, isso é muito legal”, compara.

No caso do reality, o roteiro é mais estrutural, com detalhamento da chamada para o intervalo, ganchos para um próximo bloco, se Ivete vai acionar primeiro Simone ou Lombardi, e até a ordem da apresentação do dia, que variava de acordo com a trilha escolhida pelos competidores.

Ok!