Protagonista de “Coração Acelerado”, nova novela das sete da Globo que estreia na segunda-feira (12), o goiano Filipe Bragança voltou às suas raízes para encarnar o sertanejo João Raul, chamado de “Mozão do Brasil” na trama.
Na novela, passada numa cidade fictícia de Goiás, João Raul faz sucesso, mas quer mudar os rumos de sua carreira. Em conversa com a coluna, Bragança diz que começou seu trabalho na TV no início do ano passado. “Tive convicção de que estava preparado para o papel, e que o projeto veio no momento certo”, afirma.
Bragança já gravou, ao menos, oito músicas feitas especialmente para a novela. Cantar não é uma novidade. O ator já venceu um Prêmio Bibi Ferreira em 2017 por um musical e canta profissionalmente desde 2015.
Revelado em “Chiquititas” (2013-2015), do SBT, porém, ele diz que o sertanejo é uma novidade na vida. “É um gênero que tem seu estilo vocal único e tenho trabalhado para me aproximar disso, e claro, cantar em shows ao vivo para filmar cenas da novela”, comenta.
O ator diz acreditar que “Coração Acelerado” vá cair no gosto do público, especialmente pela grande ode ao ritmo mais popular do país. Isso pode ser visto no próprio João Raul, que é uma inspiração em diversos cantores, em especial, Cristiano Araújo, morto em 2015 em um acidente de carro. “O universo sertanejo tem figuras muito emblemáticas”, comenta.
Como chegou o convite para este papel? Fiz alguns testes. Dani Pereira, diretora de elenco, me convidou em março deste ano, e então após algumas etapas de audição, fui aprovado. Fiquei muito feliz e tive convicção de que estava preparado para o papel, e que o projeto veio no momento certo.
Você é de Goiás. Precisou ajustar seu sotaque novamente ou foi algo que fluiu? Sou nascido e criado em Goiânia, mas deixei a cidade em 2013 para trabalhar em São Paulo, atuando em Chiquititas, no SBT. Percebi desde cedo que poderia ser inteligente e importante neutralizar o sotaque para ter mais abertura no mercado. Foi o que fiz.
Mas assim como já tive de reproduzir outros sotaques diferentes em trabalhos passados, agora na novela foi ainda mais fácil e natural acessar meu sotaque original, como virar uma chavinha e voltar para as raízes, embora hoje já não seja mais o meu jeito de falar no dia a dia.
Quais foram as suas referências para montar João Raul? Várias pessoas da realidade e da ficção me ajudaram na composição. O universo sertanejo tem figuras muito emblemáticas, que me ajudaram a criar um personagem autêntico e único. Dentre eles, Cristiano Araújo, Gusttavo Lima, Luan Santana, Luan Pereira. Tanto em personalidade, quanto esteticamente, esses nomes foram inspirações para mim e para as equipes de caracterização e figurino, que têm feito um trabalho formidável e imprescindível para que eu possa executar o meu.
Como tem sido gravar as músicas? Canto profissionalmente há quase dez anos. Já atuei em musicais no teatro e recebi o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator Revelação pelo meu papel em “Os Miseráveis”, em 2017. No audiovisual, interpretei cantores e, nessas ocasiões, sempre usei minha própria voz. Estudo canto, violão e piano durante todo esse tempo e venho sempre aprimorando minha técnica. Compartilho registros musicais com frequência nas redes sociais. Portanto, é algo que domino e tenho me aproveitado disso agora, na novela.
Então sertanejo é uma novidade para você? Sim, é um novo desafio cantar a música sertaneja, já que é um gênero que tem seu estilo vocal único e tenho trabalhado para me aproximar disso, e claro, cantar em shows ao vivo para filmar cenas da novela, numa inusitada mistura de ficção e realidade é uma experiência particularmente nova, desafiadora, e profundamente enriquecedora.