CRÍTICA: Alerta Vermelho: Nem The Rock, Gal Gadot e Ryan Reynolds salvam filme bilionário

Filme mais caro da história da Netflix, Alerta Vermelho (2021) é uma decepção tão grande quanto o seu orçamento. Os US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão) gastos para a produção do longa e o salário dos astros Dwayne “The Rock” Johnson, Gal Gadot e Ryan Reynolds beiram o desperdício, já que nem o trio salva o longa de ser um fracasso.

As expectativas em torno do filme eram altíssimas. Em uma indústria em que as cifras ditam as regras, é incomum ver três atores do nível dos protagonistas dividindo a tela dos cinemas ou do streaming. Para o benefício do trocadilho, Alerta Vermelho chegou com um grande sinal de alerta no público e imprensa.

A trama é centrada na dinâmica entre o agente do FBI John Hartley (The Rock) e o destemido ladrão Nolan Booth (Reynolds). Depois de ver sua carreira ir para o lixo por conta de uma armação, Hartley precisa de unir ao seu principal rival para conseguir limpar o seu nome.

O principal objetivo de Booth é roubar itens considerados muito valiosos: três ovos de ouro que pertenciam à ex-rainha do Egito Cleópatra. No entanto, uma ladra de codinome O Bispo (Gal Gadot), sua principal rival, também está atrás dos artefatos.

Por ser uma produção que une ação e comédia, o longa escrito e dirigido por Rawson Marshall Thumber (Um Espião e Meio) teria um caminho teoricamente mais fácil. Filmes do gênero têm mais aceitação do público geral, e os três astros têm experiência suficiente para tocar o protagonismo de olhos fechados.

No caso de The Rock, Alerta Vermelho prometia ser um terreno fértil. O longa marca a sua terceira colaboração com Thumber depois de trabalhar em Um Espião e Meio (2016) e Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (2018). Curiosamente, o primeiro também é uma comédia de ação, enquanto o segundo prioriza mais as grandiosas cenas de combate. No entanto, ele é o ator do trio que mais parece um peixe fora d’água.

No longa da Netflix, The Rock tenta ser (na medida do possível) mais ousado. Em vez de ser apenas o policial brutamontes, ele passa a ser a voz sóbria da razão em sua parceira com Reynolds --o mais à vontade do trio protagonista, afinal, ele não é o rosto da franquia Deadpool à toa.

A dinâmica com Ryan Reynolds, que funcionou tão bem em Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw (2019), parece sem vida no filme bilionário. Mesmo que seja capaz de causar alguns risos em seus quase 120 minutos, a história mostra uma dupla fora de ritmo.

A pior atuação, no entanto, é de Gal Gadot. A atriz e modelo israelense já provou seu talento ao se tornar a Mulher-Maravilha dos filmes da DC Comics, mas não consegue convencer como a vilã sexy e irônica de Alerta Vermelho. Com menos cenas do que seus pares, ela sofre para conseguir timing cômico.

Alerta Vermelho poderia ser um filme de maior qualidade caso não fosse tão genérico. Tudo no longa parece já ter sido visto em outras produções, do roteiro às principais reviravoltas. A sensação é de que a ideia da Netflix era juntar elementos de sucesso no gênero em um mesmo filme, mas o tiro saiu pela culatra.

Rostos famosos ajudam filmes a chamar a atenção do público, mas a história é o que mantém o foco neles, e Johnson, Reynolds e Gal não são suficientes. Alerta Vermelho se esforça para se destacar em um gênero que outros filmes já fizeram melhor --e com orçamentos muito menores. O sucesso na Netflix é praticamente certo, mas não deixará de integrar a lista de títulos que se destacaram e acabaram caindo no esquecimento dentro do catálogo.

Alerta Vermelho estreia nesta sexta-feira (12) na Netflix. Assista ao trailer legendado: