CRÍTICA - Belfast: Vale a pena assistir ao filme indicado a sete prêmios no Oscar 2022?

Indicado a sete estatuetas no Oscar 2022, Belfast estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (10) despontando como um dos favoritos a levar o principal prêmio da indústria neste ano. Dirigido por Kenneth Branagh (Morte no Nilo), o longa é um retrato tocante sobre a infância do diretor durante a guerra civil na Irlanda do Norte.

Conflito religioso que colocou católicos contra protestantes durante três décadas, a guerra civil no país britânico eclodiu em 1968, dividindo Belfast em duas partes. Além de centenas de mortos, os confrontos marcaram a memória de várias gerações de irlandeses.

Um destes irlandeses é Kenneth Branagh, cineasta que entrou para a história do Oscar ao ser indicado em sete categorias diferentes em toda a sua carreira. Só na premiação deste ano, o diretor emplacou três entre as mais buscadas (melhor filme, melhor direção e melhor roteiro original).

Nascido em Belfast, Branagh fez do longa que leva o nome de sua cidade natal uma obra autobiográfica. Ele passou os primeiros anos da sua infância vivendo com a família em uma época na qual o conflito religioso explodiu no país. Mais do que uma história pessoal, o filme é um retrato tocante do que significa a memória afetiva de uma criança que não sabia o que estava acontecendo, mas tinha noção de que era errado.

Com base no roteiro que ele mesmo escreveu, Branagh usa da ficção para reviver algumas dessas memórias tão doces quanto assustadoras. Através dos olhos do protagonista Buddy (Jude Hill), acompanhamos a escalada do conflito em um bairro protestante de Belfast e pelo qual a família do diretor --protestante-- decidiu deixar a Irlanda rumo à Inglaterra.

DIVULGAÇÃO/UNIVERSAL PICTURES

Jamie Dornan em cena de Belfast

Jamie Dornan em cena de Belfast

Antes de a guerra eclodir, Buddy vivia feliz e pacificamente ao lado dos pais, Ma (Caitriona Balfe) e Pa (Jamie Dornan), e vários vizinhos católicos. Sua família recebia ameaças de outros protestantes para não se juntarem ao conflito, e a vida para eles em Belfast foi se tornando cada vez mais difícil.

Extremamente sentimental, o longa faz questão de ser neutro no que diz respeito à política. Branagh não usa Belfast para tomar um lado, mas, sim, recontar cada passo de sua vida que o levou a se tornar o cineasta famoso que é hoje. Assim como o diretor, Buddy é viciado em histórias e filmes, e tinha em seu pai o grande herói --um Thor para chamar de seu-- de sua jornada.

Quase que inteiramente filmado em preto e branco, Belfast só ganha cores na introdução e encerramento, quando mostra a cidade como é hoje em dia --quase como um vídeo com fins turísticos para quem deseja visitá-la. Tal escolha mostra que Branagh optou por retratar a sua infância do modo mais artístico possível, um pedaço de ficção envolto em realidade, capaz de comover e surpreender.

Tal qual Jojo Rabbit (2019), Belfast deixa em segundo plano grandes conflitos, sangue, violência e política. No filme, o que importa é a visão de uma criança protegida por seus pais para não encarar a dura realidade do mundo. E o resultado é um das mais tocantes produções do Oscar 2022.

Assista ao trailer legendado de Belfast:

Confesso que meu interesse nesse filme é nulo.

Eu vi e amei, mas nas últimas semanas parece que tem uma onda tentando desmerecer o filme, pode ser reflexo da briga dos estúdios na corrida do Oscar ou talvez ele nem seja tudo isso e agora as pessoas estão mais críticas. Mas pra mim é um dos meus favoritos no Oscar (que este ano nem está grande coisa).