Critica Kogut: O público vai querer assistir a programas feitos no auge da pandemia?

Com a perspectiva do fim da pandemia num horizonte mais ou menos próximo, é o caso de pensar como o audiovisual vai olhar para os últimos dois anos. Será que num primeiro momento o público estará interessado em assistir a programas e filmes ambientados neste período de tanto sofrimento? Ou uma ressaca federal vai provocar uma repulsa ao tema que ainda demorará a passar? A conferir. Pensei nisso ao ler um artigo da “Variety” sobre algumas das principais produções que serão oferecidas no MIP, a importante feira de televisão que acontece em Cannes. Nessa lista está “Year zero”.

A série tem três episódios filmados nos seguintes países: Peru, Chile, Rússia, Itália, Espanha, Irã, Zâmbia, China, Índia e EUA. Dez cineastas assinam o projeto, que apresenta visões diversas de 2020. Os personagens retratados vão de uma prostituta ao dono de um bar clandestino, passando por um monge. Coproduzido pela Endeavor Content e pela Smuggler Entertainment, o documentário está gerando expectativa.

No terreno da ficção, entretanto, nenhum dos projetos citados pela “Variety” tratam da pandemia. Há comédias, dramas, suspense e aventuras. E até uma série documental sobre Ghislaine Maxwell, a companheira de Jeffrey Epstein (leia a crítica sobre as produções que tratam dos crimes do casal). Ou seja, o #MeToo segue inspirando.