CRÍTICA: Shining Vale: Courteney Cox vira autora de contos eróticos em nova série

Eterna Mônica de Friends (1994-2004), Courteney Cox interpreta uma autora de contos eróticos em Shining Vale, nova série original do Starzplay que estreia no Brasil neste domingo (6). Com uma trama que mistura comédia e terror, a atriz interpreta uma personagem muito diferente da que alavancou a sua carreira na sitcom.

Em Shining Vale, Courteney é Pat Phelps, escritora que viveu o seu auge há quase duas décadas, quando lançou um livro que se tornou mais popular por suas sequências eróticas do que pela trama em si. Em crise com sua situação, ela se muda com o marido, Terry (Greg Kinnear), e seus dois filhos para a pacata comunidade que dá nome à série.

A crise existencial de Pat vai além dos problemas profissionais. O estopim que motivou a mudança de sua família foi um caso extraconjugal entre a matriarca e um mecânico hidráulico descoberto por Terry. Para salvar seu casamento, ambos decidiram trocar de ares e deixar a cidade grande.

A dinâmica da família Phelps é afetada pela rotina monótona enfrentada pelo casal. A filha mais velha, Gaynor (Gus Birney), é uma adolescente com os hormônios à flor da pele, enquanto o caçula Jake (Dylan Cage) é fruto do descaso dos pais em pleno século 21: uma criança obesa, sem apreço pelos familiares e que vive grudado em jogos virtuais.

Greg Kinnear em Shining Vale

Greg Kinnear em Shining Vale

Em constante luta contra o alcoolismo, Pat usa a nova residência da família, um casarão antigo no coração de Shining Vale, como inspiração para seu novo livro. O problema é que a protagonista passa a ser assombrada pelo espírito de Rosemary (Mira Sorvino), antiga moradora do local que --para a surpresa de quase ninguém, tratando-se de uma série de terror-- perdeu a vida ali mesmo.

No decorrer da série, Pat descobre que Rosemary foi uma dona de casa insatisfeita com a sua realidade e que começa a usar a nova residente do casarão para satisfazer seus antigos desejos. As duas tornam-se uma só, o que afeta tanto a produção do novo livro de Pat quanto a vida sexual (antes quase inexistente) entre ela e Terry.

Como Pat sofre de bloqueio criativo e depressão, Shining Vale brinca com elementos dos gêneros de horror e terror psicológico. É inconclusivo se Rosemary realmente toma posse do corpo da protagonista ou se a autora sofre com delírios de sua situação. Afinal, os sintomas de psicose e possessão caminham lado a lado.

Como peça central da trama, Courteney Cox mostra que sempre foi muito mais do que Mônica Geller. De mulher adorável a uma versão mais ousada e debochada, ela entrega várias facetas de Pat e se destaca como o grande mérito da série. O mesmo vale para Kinnear, que dá vida ao clássico marido cético e “bonzinho demais” para uma parceira que exala desejo sexuais reprimidos.

Mira Sorvino é Rosemary

Mira Sorvino é Rosemary

Idealizada como uma produção que transita entre a comédia e o horror, Shining Vale sofre para se conectar com ambos os gêneros. Não é tão engraçada, como também não entrega sustos memoráveis. Está sempre ali no limbo entre os dois, mas faz o bastante para convencer o espectador a dar uma chance para entender o que de fato está acontecendo entre Pat e Rosemary.

A série poderia facilmente se aproximar de uma atmosfera mais sombria e assustadora, mas a impressão é de que os criadores Jeff Astrof e Sharon Horgan mostraram-se receosos em sair do caminho previamente estabelecido. Caso seja renovada para uma segunda temporada, fica a esperança de que a ousadia consiga apimentar um pouco mais os rumos de Shining Vale.

Assista ao trailer oficial de Shining Vale: