Crítica: Terra e Paixão expõe o absurdo que é produzir novela com mais de 200 capítulos

Em cena de Terra e Paixão que foi ao ar no último sábado (7), Aline (Barbara Reis) jurou para si mesma, mais uma vez, que vai vencer. A profecia já se repetiu algumas vezes: depois de ser vítima de alguma armação de Irene (Gloria Pires) ou Antônio La Selva (Tony Ramos), a mocinha chora, olha para o nada e promete dar a volta por cima, à la Scarlett O’hara em …E o Vento Levou. Mas quando isso vai acontecer?

A tal virada da personagem é prometida desde o primeiro capítulo e ainda não rolou, mesmo a novela da Globo já tendo passado dos 130 episódios. Com algumas reviravoltas pontuais, mas que pouco interferem na jornada da heroína, a trama tem andado em círculos, sem sair do lugar.

Esse é um dos fatores que evidenciam como é absurda a ideia de se produzir uma novela com mais de 200 capítulos nos tempos atuais. Esse modus operandi, com uma quantidade enorme de episódios, já funcionou em outras épocas, mas não atende à emissora, aos artistas envolvidos nem ao público de hoje.

Habituada ao imediatismo, a audiência de 2023 não parece mais disposta a aturar “barrigas” – aquele período das histórias em que nada acontece – e também não fica alheia a plots que se arrastam por capítulos a fio. Aline ainda está longe de ir à forra contra os vilões, e outras tramas também caminham sem rumo certo.

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Para ficar nove meses no ar, seria preciso um enredo consistente e mais interessante do que Terra e Paixão parece ser capaz de oferecer. Os problemas de bastidores da novela também evidenciam que a opção de mantê-la no ar até janeiro de 2024 também não foi acertada.

Walcyr Carrasco explicou recentemente que a escalação de Thelma Guedes como co-autora foi anterior aos problemas de saúde do veterano. Uma cirurgia de emergência e um acidente doméstico acentuaram os problemas internos, que não seriam tão graves se a trama já estivesse na reta final.

Terra e Paixão só termina ano que vem para livrar Renascer do fim de ano

A longa duração sempre foi a tática do canal para aproveitar o investimento já feito e reduzir os custos com uma nova produção. Só que, a longo prazo, não parece ser a estratégia mais inteligente, já que afasta um público exausto com o reme-reme que envolve sagas tão longas.

Há ainda um planejamento equivocado na fila de novelas das 21h. A antecessora, Travessia (2022) teve bem menos capítulos, 179, e ainda assim parecia interminável, dada a inconsistência da história. Na trama de Gloria Perez, afinal, a falta de rumo e de atrativos era ainda mais grave.

Se a duração de Travessia tivesse sido reduzida – a baixa audiência foi um convite a isso, mas a Globo ignorou –, a essa altura Terra e Paixão, também encurtada, já poderia ter saído do ar. Assim, Renascer entraria no ar antes do fim do ano, época em que a emissora sofre queda nos números.

A opção da Globo parece ter sido prejudicar Terra e Paixão, esticando-a ao máximo e mandando a qualidade às favas, para lançar Renascer em janeiro, com estardalhaço e em um cenário mais favorável de audiência. Só que a emissora tende a sofrer um grande revés caso a atual trama “entregue” a faixa das 21h em baixa para a sucessora, acentuando a crise no ano que vem.

Mas aí a culpa dessa ideia estapafúrdia é da Globo e não apenas do Walcyr

A emissora é muito engraçada, não queria mais novelas extremamente longas mas depois acabaram querendo pra evitarem se lançar tramas no final do ano, então não sei o que eles querem mais

Eu tô amando a farofada do Walcyr, mto melhor que aquela coisa monótona de Travessia

1 curtida

A Novela vive em looping jaja acontece um re-lançamentoh

Morto com a Scarlet O’Hara brasileira