De síndica reacionária a garota mau-caráter: Como Toma Lá Dá Cá fez retrato do Brasil

Toma Lá Dá Cá foi ao ar originalmente entre 2007 e 2009, mas vários pontos da série permanecem atuais. O programa, que a partir deste sábado (1º) volta a ser exibido na Globo, tem personagens que até hoje fazem sucesso com o público, como uma síndica tirana e uma jovem trambiqueira. Há quem diga que a atração até previu a pandemia de Covid-19.

Na coletiva de imprensa para apresentar a série, lá em 2007, Miguel Falabella já comentou que se tratava de uma comédia de confinamento. São raríssimas as cenas de Toma Lá Dá Dá que ultrapassam os limites dos dois apartamentos e do hall do condomínio onde moram as famílias protagonistas.

De um lado do andar, estão Mário Jorge (Falabella), corretor de imóveis, e Celinha (Adriana Esteves), dona de casa. Do outro, moram Rita (Marisa Orth), também corretora, e Arnaldo (Diogo Vilela), dentista. Mário Jorge e Rita no passado foram casados, assim como Celinha e Arnaldo --os pares se inverteram.

Na década de 2000, as famílias já não seguiam mais aquela estrutura tradicional, de comercial de margarina, e Toma Lá Dá Cá retratava isso, com as novas estruturas familiares e a vida muitas vezes conturbada em condomínio. Mas a série ia além, com filhos, parentes e vizinhos ainda mais disruptivos.

Isadora (Fernanda Rodrigues) era uma representação dos trambiques, do chamado “jeitinho brasileiro”. A jovem estava sempre tentando se dar bem e tirar vantagem, sem fazer muito esforço ou estudar para subir na vida, por exemplo. Era chamada pelo próprio pai de “garota mau-caráter” e “garota de olho junto”.

Tatalo (George Sauma), seu irmão, e Copélia (Arlete Salles), mãe de Celinha e ninfomaníaca, também frequentemente se envolviam em negócios duvidosos. A personagem de Arlete Salles era uma das mais divertidas da série, com seus relatos sexuais e de embriaguez absurdos. Também tinha um bordão: sempre que falava sobre um tema “proibidão”, terminava suas frazes com “prefiro não comentar”.

Tirania, epidemia e milícia
Copélia, Isadora e várias situações pelas quais as famílias passavam eram alvos da tirania de dona Álvara (Stella Miranda), a síndica do prédio. Embaixadora da moral e dos bons costumes no condomínio, ela vivia se intrometendo na vida dos moradores e tentava impor sua autoridade de forma totalmente equivocada, com criação de taxas e proibição de manifestações, por exemplo.

Por seu jeito reacionário e sem noção, dona Álvara virou meme nas redes sociais, com internautas que a comparam com o presidente Jair Bolsonaro. No entanto Stella Miranda, atriz que a interpreta, faz questão de limpar a barra da personagem.

“Coitada, ela tem bom coração. Ela era uma vilã, mas era querida. Não sei se é porque eu defendo a personagem, mas ela não tinha preconceito algum. Ela era casada com o Ladir [Ítalo Rossi], que era gay. Álvara não tem nada de bolsonarista. Era radical, linha dura, mas era muito humana. É muito interessante a personagem, acho que dona Álvara é uma tirana adorável, se é que existe isso”, afirma Stella.

Neste ano, após Toma Lá Dá Cá entrar para o catálogo do Globoplay, alguns telespectadores repararam que um dos episódios tem muitas semelhanças com a situação do Brasil durante a pandemia de Covid-19.

Entre as coincidências, o público apontou que o comportamento de Álvara durante um surto de dengue era bastante parecido com o discurso do presidente Jair Bolsonaro diante da atual crise de saúde pública.

No episódio Uma Epidemia Politicamente Correta, o Jambalaya Ocean Drive enfrentou uma infestação de mosquitos, e muitos moradores contraíram dengue. Mas dona Álvara se recusou a assumir que o local vivia uma epidemia da doença e chamoy quem a confrontava de “comunista”. Confira o trecho:

Telespectadores também lembraram que a síndica era investigada no seriado por sua relação com grupos paramilitares, em alusão a reportagens que questionam a suposta ligação de Bolsonaro com milicianos. Na última temporada, inclusive, Álvara se tornou a chefe da Milícia do Jambalaya, a Mija.

Toma Lá Dá Cá será reprisada nas tardes de sábado na Globo, a partir das 14h. A série também está disponível na íntegra no Globoplay.

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Miguel Falabella no auge de sua genialidade, nasceu pra fazer esse tipo de show

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Old que Toma Lá Da Cá é a melhor obra da comédia brasileira

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gente eu amo
qual vai ser o horário que vai passar?

Tudo pra mim

Eu assisto até hoje. O programa continua super atual e fresh.

eu gostava muitooo
ficava acordada até tarde pra ver

Melhor Sitcom do Miguel Falabela ao lado do Sai de Baixo

Começa hoje depois do Jornal Hoje (porem para os estados que não passam a programação local)

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obg lenda

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Nada <3 <3 <3

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Um dos meus seriados preferidos

Copélia obg por tudo

Amo a série, mas tem uns 3 episódios que seriam muito controversos hoje. Será que vão exibir?

Quem quiser assistir, tá free no Globoplay.

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Nunca assisti, só lembro do bordão “é mara” que pegou.

toma lá dá cá e tapas e beijos <3 minhas preferidas

Estava fazendo o que na época?

Bozena, Copélia e Dona Álvara perfeitas

Era uma criançah muito novinhah