De volta à Globo na série "Rensga Hits!", Lúcia Veríssimo decreta fim da TV aberta: 'Me tacharam de idiota'

Afastada da televisão desde Amor à Vida (2013), Lúcia Veríssimo volta a atuar em Rensga Hits!, série original do Globoplay, com oito episódios, que estreou nesta quinta-feira (4). Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, a atriz dá detalhes sobre a sua personagem na trama que aborda o universo do feminejo e afirma que a TV no formato tradicional está com os dias contados.

“Desde 1996, quando cheguei de Nova York, eu disse numa coletiva que, com a chegada da Internet, estávamos assistindo ao fim da televisão aberta. Todos riram da minha cara, me tacharam de idiota e louca. Não tiveram a visão do futuro que naquele momento eu já percebia. A internet veio para mudar tudo de lugar. Ainda se vê TV aberta, mas, em muito breve, todos irão migrar para as players”, relata a artista, que acredita que o destino das novelas será nas plataformas de streaming:

Não se faz mais novela como antigamente. Ainda existem autores como o João Emanuel Carneiro que escreve aqueles novelões maravilhosos com vilões fortes e elenco pequeno. Esses ainda persistirão durante algum tempo, mas logo serão deslocados para as players.

Na série da Globo, exclusiva para a internet, Lúcia interpreta Maria Abadia, mãe de Raíssa Medeiros, vivida por Alice Wegmann. “É uma mulher sofrida, que foi abandonada grávida no interior de Goiás, o que até os dias de hoje ainda é um problema. Teve que abandonar o sonho de sair em busca de uma vida melhor para poder criar a filha. Virou mecânica e assim sustentou a família. É uma leoa cuidando de sua cria”, adianta ela.

Lúcia Veríssimo em Rensga Hits!

Lúcia Veríssimo em Rensga Hits!

Apesar de o feminejo estar em alta, a atriz pontua que a mulher do campo ainda não conquistou o seu verdadeiro e merecido protagonismo. “O meio rural brasileiro ainda é extremamente masculino e machista. Ainda hoje luto no campo para que a minha voz seja ouvida. Vejo mudanças, mas estamos longe de chegarmos onde deveremos chegar”, expõe.

Apaixonada por cavalos, Lúcia cria animais das raças Mangalarga Marchador e Quarto de Milha na sua propriedade rural, a Fazenda Independência, em Minas Gerais. A artista é uma das fundadoras do Partido Verde e está constantemente preocupada com as pautas ambientais, sobretudo no atual governo:

O Brasil caminhou para uma vilania absurda, pois nem os discursos são favoráveis, e a degradação da floresta nunca foi tão abusiva como nos tempos atuais. A cegueira diante da importância de leis que assegurem a preservação das florestas, rios e mares e de uma fiscalização ostensiva e não corrupta é aviltante.

A intérprete coleciona papéis de destaque em folhetins do passado, como a Isabel Avanzo de Os Imigrantes (1981), a Laís Brandão de Roda de Fogo (1986), a Bárbara de O Salvador da Pátria (1989), a Flávia de Despedida de Solteiro (1992), a Francisca Mão de Ferro de Esperança (2002) e a Gil de América (2005). Em 1983, ela apresentou o extinto Vídeo Show (1983-2019) e integrou a equipe do Fantástico.

A série

Rensga, que dá nome à série, é uma interjeição tipicamente goiana, sendo bastante utilizada no meio sertanejo. A produção conta a trajetória de Raíssa, uma jovem do interior que descobre que é traída pelo ex-noivo e o abandona no altar, partindo rumo ao sonho de viver da música sertaneja em Goiânia.

Posteriormente, a protagonista compõe o maior hit do feminejo brasileiro, mas o sucesso será na voz de Gláucia Figueira (Lorena Comparato). É dentro de duas famosas casas de composição musical --a Rensga Hits!, comandada por Marlene (Deborah Secco), e a Joia Maravilha Records, de Helena Maravilha (Fabiana Karla)-- que se desenrolam as histórias das estrelas da música.

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