Desserviço: Senado deve votar hoje a proposta para permitir a comercialização do plasma humano no país e no exterior

Batizada de PEC do Plasma, a matéria enfrenta resistência da ala governista e é criticada pelo Ministério da Saúde.

Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, Carlos Gadelha avalia a proposta como ‘um desserviço’. Hoje, apenas a Hemobrás, vinculada ao Ministério da Saúde, é autorizada a processar o componente e transformá-lo em medicamentos ou usá-lo em pesquisas.

O plasma é uma fração líquida que corresponde a 55% do volume de sangue e pode ser usado para a produção de medicamentos para o tratamento de hemofilia, câncer, Aids, doenças renais e imunodeficiências.

— Hoje os produtos (hemoderivados) disponíveis para a população são registrados e fiscalizados. O que está acontecendo é um desserviço — disse Gadelha, que teme a produção de baixa qualidade do insumo — Criar instabilidade acerca da qualidade dos produtos disponíveis é algo que não deveria ser feito com a população brasileira.

A PEC do Plasma foi apresentada pelo senador Nelsinho Trad (PSD) em 2022, após a percepção de desperdício de plasma nos laboratórios particulares do país. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Bancos de Sangue (ABBS), cerca de 85% do total de plasma produzido pelos bancos de sangue privados é descartado. Os outros 15% são usados em transfusões de sangue.

O desperdício, segundo os congressistas, é resultado direto do monopólio da Hemobrás. A estatal é a única entidade autorizada a transformar o plasma em medicamentos ou usá-lo em pesquisas. Diante disso, a proposta defendia a liberação da coleta de plasma humano no país para a rede privada

As divergências e embate com o governo nasceram após alterações no texto feitas pela relatora da PEC, a senadora Daniella Ribeiro (PSD). Ela incluiu a possibilidade de comercialização do plasma por hemorredes e laboratórios privados para outras empresas, até mesmo para fora do Brasil.

Conforme o texto, o material também poderá ser usado no desenvolvimento de novas tecnologias e na produção de medicamentos hemoderivados destinados ao SUS.

Ribeiro defendia a remuneração da coleta de plasma, modelo que permitiria que os doadores recebessem dinheiro pela doação. O trecho, contudo, foi retirado devido às críticas.

Para o Ministério da Saúde, a venda do insumo não resultaria em acesso aos medicamentos à população de baixa renda e provocaria desfalque no banco de sangue, prejudicando o desenvolvimento da Hemobrás. Carlos Gadelha levanta riscos de apagão nos bancos de sangue e perda de confiança dos medicamentos produzidos por plasma.

— Hoje, a Hemobrás é muito aberta à parceria com o setor privado. Portanto, pode-se estabelecer parcerias público-privadas, mas sem que o sangue vire mercadoria e possa ser, inclusive, exportado em detrimento da saúde da nossa própria população — argumenta.

Em contrapartida, a relatora da PEC sustenta que a comercialização do plasma irá ampliar e melhorar o atendimento dos laboratórios aos pacientes brasileiros. Segundo ela, a Hemobrás precisaria ser quatro vezes maior para atender toda a demanda do país.

mas a PEC não ajudaria acabar com o atual monopólio?

o que eu vi ontem no jornal nacional é que temem que as empresas privadas acabem pegando todo esse plasma e vendam pro exterior também

1 curtida

Quem liga pra isso bixo?

vou vender o meu

ah bom, mas aparentemente 80% dele é descartado né, então será que faria alguma diferença? sei não

isso parece mais de interesse em manter o monopólio por algum motivo do que qlqr outra coisa, não é pq a base governista tá contra que não devemos desconfiar né kk

no mais, é um assunto q preciso procurar saber mais pra entender, mas obg mo

1 curtida

mas os medicamentos são distribuidos de graça pra quem precisa, tipo pra quem tem hemofilia pelo que eu vi, não prestei muitaaa atenção na materia kkkkkk mas no final fiquei contra essa proposta pq parece ser uma coisa benéfica mas que vai piorar é tudo

1 curtida

Se 80% dele é descartado então ta ruim mesmo. Tem que dar um jeito de diminuir o desperdício