DO QUE RIEM? Vale tudo no humor? Maurício Meirelles revela tema proibido de fazer piada

Discussões sobre os limites do humor se tornaram recorrentes na mídia. Com o avanço em debates que abordam o respeito às minorias, comediantes se adaptam para desviar de polêmicas e não ferir grupos sociais. Maurício Meirelles, que está em atividade desde 2007, impõe uma única barreira para si mesmo: não fazer piadas sobre morte.

Meirelles falou sobre o tema em um evento para a imprensa que contou com a participação do Notícias da TV. O artista não acredita na existência de um limite para o humor. No entanto, ressalta que cada profissional tem o direito de criar uma fronteira para o próprio trabalho.

“Cada pessoa pode ter o seu limite de acordo com sua característica. Eu, particularmente, não gosto muito de ferir pessoas. Por exemplo, morreu alguém? Não gosto de mexer nisso, porque tem gente que está vivendo um luto. Essa pessoa não é obrigada a brincar comigo”, relata.

O comediante justifica que alguns temas complexos possuem uma subjetividade. Como exemplo, ele menciona que a gordofobia atinge as pessoas de diferentes maneiras. No entanto, Meirelles percebe a morte como algo direto. “Talvez você esteja vivendo um momento de acolhimento, e não de forçação”, continua.

Meirelles salienta que não proíbe outros humoristas de fazerem piadas relacionadas ao luto. O comediante afirma que o artista deve ser inteligente e elaborar piadas que atinjam o nível de complexidade do tópico. “Você precisa saber que cada tema tem um peso. Não reclamo de meus colegas fazerem. Mas não quero ter essa energia para mim.”

Do que Riem?
Maurício Meirelles estreia nesta segunda (3) como apresentador do programa Do que Riem?, no Comedy Central, às 21h30. A produção traz Jhordan Matheus e Babu Carreira em uma competição de comédia stand-up que tem o objetivo de conquistar plateias formadas inteiramente por grupos específicos, como vovós, médicos, marombas, entre outros.

A cada episódio, os participantes mergulham no universo dos grupos selecionados para analisá-los e, assim, construírem um roteiro para as apresentações. “Não sei falar de sertanejo, mas tive que falar. Quando você começa a falar, você percebe que dá pra fazer piada com aquela piada. Você passa a se sentir confortável”, explica Jhordan.

“Deu um medinho, mas foi um medinho necessário para dar uma adrenalina no palco”, continua o participante. “Não estávamos com medo de ofender nenhuma plateia. A proposta do programa nunca foi fazer provocações às plateias. A gente sempre buscou descobrir o que tínhamos de parecido e de visão que poderíamos compartilhar com o público”, conta Babu.

Os comediantes se surpreenderam com a quebra de estereótipos. No primeiro episódio, Babu e Jhordan precisam conquistar uma audiência de vovós. “Nossas expectativas eram quebradas o tempo todo, junto com nosso preconceito de imaginar: ‘Aí, essa plateia vai ser ruim, essa vai ser boa’”, diz Meirelles.

Se for pra citar um grupo específico, foi a quebra da vovó. Fomos com tanto respeito, quase tentando ser mais corretos por serem senhoras. A gente esqueceu que não é porque são senhoras que não são seres humanos. Elas riem, têm 60 anos de mais critério de zoeira que nós, que temos 30. Foram o nível mais baixo. Pensávamos: ‘O marombeiro vai fazer piada escrota’. Não, é a vovó.

Além do Comedy Central, o programa estará disponível no Paramount+ a partir desta terça (4).

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