Falta ‘match’: Formação superior cresce em dissonância com a demanda das empresas

Estudo mostra que apenas um em cada dez recém-formados nos cursos mais populares do país consegue uma vaga formal equivalente ao seu nível de capacitação

Estudo do início do ano da solução de análise de dados Geofusion, da empresa Córtex, do qual O GLOBO teve acesso a detalhes inéditos, mostra que só um em cada dez recém-formados nos cursos mais populares do país consegue uma vaga formal equivalente ao seu nível de capacitação. É um retrato do desencontro entre a expansão do ensino superior no Brasil e a necessidade de mão de obra especializada das empresas. Na linguagem dos aplicativos de namoro, falta match .

Eu continuo procurando vaga, mas tive que recorrer a segundas opções. Daqui para a frente, é se reinventar— diz Brenda, que já participou de mais de 30 processos seletivos.

A alegria de conquistar um diploma também foi encoberta pela frustração para Mateus Lucioli, de 29 anos, de Belo Horizonte. Bacharel em Direito, foi o primeiro da família a chegar à universidade. Para pagar o curso, trabalhou como atendente em farmácia e vendedor de doces e chips de celular. Formado em 2021, demorou mais de dois anos até conseguir o primeiro emprego fora do comércio:

Eu fui no pensamento da maioria das pessoas: me formar, passar na prova da OAB e conseguir emprego na área. Só que me formei, gastei muito dinheiro enviando currículos e não consegui oportunidades — conta ele, que atua como assistente em um escritório que auxilia brasileiros a tirarem cidadania italiana. — Futuramente, pretendo fazer a OAB para atuar em outras áreas.

Do ponto de vista do “copo meio cheio”, o país tem um recorde de 9,4 milhões de estudantes que chegaram à universidade em 2022, segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior do Inep. De acordo com o IBGE, 19,7% dos brasileiros têm formação universitária, índice ainda baixo em relação a países desenvolvidos, mas o dobro dos 7,9% do início da década passada.

Concentração em 4 cursos

Quem se forma, no entanto, encontra barreiras para exercer a profissão que escolheu. A taxa de sucesso varia de acordo com a área. Em Psicologia, por exemplo, só 1,3% dos graduados consegue um emprego no modelo CLT correspondente à formação. Nas quatro graduações mais procuradas do país (Pedagogia, Direito, Administração e Enfermagem), o percentual fica entre 3,4% e 15,5%. O estudo avaliou avaliou dados de 400 mil recém-formados.

Escassez na outra ponta

Profissionais de tecnologia, por exemplo, tendem a encontrar mais oportunidades. Análise do Ibre/FGV liderada por Janaina indica alta de 10% ao ano na demanda por profissionais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no país. É a categoria no topo das mais procuradas. Uma pesquisa do Google feita com a Abstartups e a Box 1824 prevê um déficit de 530 mil profissionais de tecnologia no Brasil até 2025.

Falta qualidade também

Para Hugo Tadeu, professor e diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, o Brasil não tem formado profissionais o suficiente “em qualidade e quantidade” para lidar com vetores de crescimento econômico, como de IA e outras tecnologias digitais.

nunca entendi esse povo obcecado com direito

imagina fazer pedagogia