Fome quadruplicou no Estado do RJ, mais de 57% da população passa por algum nível de insegurança alimentar

Fome quadruplicou no estado, segundo dados do inquérito nacional sobre Insegurança Alimentar. Em 2018, a porcentagem de fluminenses passando por insegurança alimentar grave era de 4,2% da população. Nesta última pesquisa, o número passou para 15,9%.

Fome quadruplicou no estado, segundo dados do inquérito nacional sobre Insegurança Alimentar. Em 2018, a porcentagem de fluminenses passando por insegurança alimentar grave era de 4,2% da população. Nesta última pesquisa, o número passou para 15,9%.

No dia 8 de junho, o mesmo relatório demonstrou que o Brasil possui mais de 33 milhões de pessoas passando fome. São 14 milhões a mais em comparação com 2020.

Para Rodrigo Afonso, os dados revelam que o Rio de Janeiro é “um espelho do Brasil”.

“Mesmo sendo uma das regiões mais ricas do Brasil, você vê o espalhamento da fome para regiões urbanas mais ricas muito grande. No Rio de Janeiro, é um aumento de 400%. E você vê isso nas ruas, a quantidade de pessoas procurando emprego, pedindo comida e morando nas ruas”, ponderou.

Dona Janete: tristeza por não ter o que comer

Um dos lares com insegurança alimentar grave é o da desempregada Janete Evaristo, de 57 anos. Moradora do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, ela tem cinco netos para alimentar — uma filha morreu há dois anos, e o marido, há seis meses.

Sem ter o que comer, buscou ajuda em uma cozinha comunitária inaugurada esta semana no Andaraí e se emocionou ao conversar com a equipe de reportagem e contar as dificuldades diárias para alimentar a família. Após o relato, uma onda de solidariedade se formou para ajudá-la.

Metodologia

A metodologia da pesquisa considerou a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), a mesma utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para mapear a fome no país.

A Ebia classifica a segurança alimentar como sendo o acesso pleno e regular aos alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Já a insegurança alimentar é classificada em três níveis — leve, moderada e grave — da seguinte maneira:

Insegurança alimentar leve: há preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro, além de queda na qualidade adequada dos alimentos resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentação consumida.

Insegurança alimentar moderada: há redução quantitativa no consumo de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação.

Insegurança alimentar grave: há redução quantitativa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no lar.

Fome no Rio de Janeiro

Mais da metade da população do estado vive alguma restrição alimentar

Como é a pesquisa
Recenseadores vão a domicílios por amostragem, fazem perguntas e classificam as famílias:

Insegurança alimentar leve: queda na qualidade dos alimentos.
Insegurança alimentar moderada: redução no consumo entre os adultos.
Insegurança alimentar grave: redução no consumo entre adultos e crianças. A fome passa a ser uma experiência vivida no lar.

Segurança Alimentar:
2018 - 67,8%
2020 - 42,8%

Insegurança alimentar leve:
2018 - 32,2%
2020 - 57,2%

Insegurança alimentar moderada:
2018 - 19,7%
2020 - 23,5%

Insegurança alimentar grave:
2018 - 4,2%
2020 - 15,9%

Perfil da Fome

Entre os que passam por insegurança alimentar grave e moderada, pretos e pardos estão mais presentes: de acordo com a pesquisa, 37,6% sofrem de algum nível de fome.

O percentual de mulheres que passam pelo mesmo problema é semelhante: 38,6%.

As estatísticas também indicam que 68,6% dos desempregados e 42,2% dos que estão no trabalho informal também são acometidos por insegurança alimentar moderada ou grave.

" A maior vítima é a mulher preta ou parda e com filho de até 10 anos em casa. A fome tem CEP, tem cor e tem gênero. O Rio de Janeiro é o reflexo disso", afirmou Kiko.

Meu Deus que tristeza, é de cortar o coração, não aguentei vê essa entrevista da mulher chorando.

o que o covid n levou, leva agora de fome

eu sendo dramatico