Giulia Costa conta como Flávia Alessandra a ajuda a ter mais confiança: 'Fala que eu tenho um corpão'

A arte definitivamente corre nas veias de Giulia Costa . Filha da atriz Flávia Alessandra e do diretor Marcos Paulo (morto em 2012), a jovem não teve dúvidas de que seu destino era trilhar um caminho parecido com o dos pais. Não à toa decidiu cursar Cinema na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), na Gávea, Zona Sul do Rio.

— Com certeza ter essa vivência na família acabou facilitando minha escolha. Quando eu era pequena, ia às gravações, aos estúdios e já sabia como tudo funcionava. Por isso, quando me perguntam o que eu estudaria se não fosse Cinema, eu não sei dizer (risos). Não consigo pensar num curso que fosse me fazer tão plena e feliz — afirma a jovem de 21 anos.

Durante a graduação, a carioca teve oportunidade de produzir alguns curtas. Um deles, “Saudade”, contou com a participação da mãe. Foi a partir desse contato com a produção audiovisual que Giulia acabou descobrindo um interesse maior pela direção do que pela atuação.

— Eu amo atuar e sempre vou amar, mas tenho muita vontade de conhecer o universo por trás das câmeras neste momento. De qualquer forma, acho que uma ideia não exclui a outra. Estudo atuação desde nova e acredito ser possível transitar entre as duas funções — diz ela, que interpretou Lívia em “Malhação — Seu lugar no mundo”, da Globo, em 2015.

Embora tenha certeza de que se encontrou no curso, Giulia lamenta não ter tido a chance de aproveitá-lo ao máximo por causa da pandemia do novo coronavírus. Desde março do ano passado, a atriz está assistindo a aulas on-line, o que tem a desanimado nesta reta final. No próximo período, o oitavo e último, a moça já encara o temido Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

— Minha faculdade funciona da seguinte forma: nos dois primeiros anos, a gente passa por um ciclo básico sobre Comunicação. Então estudamos Cinema, Jornalismo, Publicidade… Apenas nos dois últimos que começamos a tratar, de fato, de Cinema. Foi justamente quando saí do ciclo básico que comecei a ter aulas remotas. De início, achei que fosse durar apenas uns 15 dias, mas acabou que, de quatro anos de faculdade, dois foram nesse esquema. O ensino a distância acaba sendo muito incompleto, especialmente para um curso tão prático como o meu. É uma pena.

Giulia também lamenta não ter vivenciado a rotina universitária, que, além dos estudos, inclui fazer novas amizades e frequentar festas no campus ou ao redor dele.

— Todo mundo fala que a faculdade é a melhor fase da vida, mas pra mim esse momento aconteceu durante uma crise sanitária mundial, infelizmente. É bem desmotivante. Confesso que estou esgotada do on-line porque preciso ficar seis horas seguidas na frente do computador e, também, é fácil dispersar quando se está em casa. Eu espero que eu consiga voltar ao presencial no último semestre — torce a carioca, que nem se atreveu a tentar namorar em tempos de distanciamento: — Confesso que não estava com muita paciência nem para (o namoro) presencial, quem dirá para o on-line…

Durante o confinamento em casa, Giulia acabou cedendo à ansiedade causada não somente pelos estudos, mas pela incerteza do momento que o mundo atravessa. Cuidadosa, a jovem só está retomando as atividades na academia agora e, também como boa parte das pessoas, acabou dando uma relaxada na alimentação (vegetariana, diga-se de passagem!).

— Eu tive essa fase. Estou voltando agora a praticar exercícios, que já tinha tentado antes, mas parei. Estou me cobrando menos nesse período. A vida por si só já cobra demais, especialmente na questão da aparência. Nesse último ano e meio, também aumentei meu peso e possivelmente perdi massa magra e tudo mais, porém evito falar das minhas medidas nas redes sociais porque não quero alimentar esse culto à magreza que percebo nas meninas da minha idade. Se quero comer uma barra de chocolate inteira, caio dentro. Para mim, ter uma alimentação saudável é mais sobre saúde do que sobre estética. Estamos em um momento em que está muito fácil enlouquecer e perder a cabeça, então não fico exigindo muito de mim nesse sentido.

Deve ser por estar em paz consigo mesma que a carioca exala autoconfiança nas fotos que publica no Instagram, assim como Flávia Alessandra.

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Olívia, Flávia Alessandra, Otaviano Costa e Giulia

Olívia, Flávia Alessandra, Otaviano Costa e Giulia Foto: Reprodução/Instagram

— Nós ajudamos uma a outra nesse sentido. Minha mãe sempre fala que tenho um corpão, e eu a chamo de gata. Eu também tento incentivar a Olivia (de 10 anos, filha de Flávia com Otaviano Costa) porque ela está entrando pré-adolescência — conta a estudante, que exibe de looks fashionistas a paisagens de tirar o fôlego para quase três milhões de seguidores: — Sobre a autoconfiança, tenho dias e dias. Às vezes acordo me sentindo poderosa, às vezes estou me sentindo um lixo. Na internet, só publicamos o lado bom. Apesar de achar importante mostrar que posso me vestir como quero, também gosto de deixar claro que nem só de coisa boa é feita a rotina.

Giulia fala com confiança sobre o “lado B” da vida. Conhecida do público desde muito cedo por ter pais famosos, a jovem admite ter sido complicado entender o interesse das pessoas em sua intimidade e ainda ser cobrada a ter tanto sucesso quanto Marcos e Flávia.

— As pessoas acabam criando um peso que não deveria existir. Então junta a pressão externa e sua própria pressão. No início era muito difícil lidar com isso, com a comparação com meus pais. Felizmente, fui aprendendo de uma forma positiva e, atualmente, enxergo meu pai e minha mãe como referências — conta a artista, que volta e meia se depara com comentários maldosos em seu perfil na web: — Eu digo para mim mesma para “não ligar”, depois apago ou bloqueio quem falou algo ruim. Mesmo assim, só de ver aquilo, eu já absorvi. Acho que já passou da hora de tomarmos uma atitude quanto ao comportamento das pessoas nas redes sociais. Aquilo não é brincadeira, não. Isso mata a gente.

Para lidar com a parte negativa de ser uma pessoa pública, Giulia recorreu à terapia. O acompanhamento psicológico também a ajudou a aceitar a morte precoce de Marcos Paulo.

— De novo, a terapia foi essencial. A gente nunca está preparado para lidar com isso, porém, graças a Deus, eu tinha minha família ali para me dar todo apoio. Conforme o tempo passa, a gente vai encontrando maneiras de lidar com a saudade. Nunca supera (a perda), mas aprende a aguentar — desabafa.

Vez ou outra, Giulia se pega imaginando o que seu pai teria achado de suas conquistas:

— Ele faleceu quando eu tinha 12 anos, então ele não me viu escolher a faculdade, não me viu aprendendo a dirigir… A cada passo que eu fui tomando na vida, pensei: “O que será que ele iria achar?”. Meu pai não me viu escolhendo ser atriz e diretora, mas, pelo menos, viu minha primeira peça. Lembro que ficou todo orgulhoso, levou até uma câmera para gravar o espetáculo todo. Bem babão (risos). Gosto de acreditar que ele ainda vê tudo, de onde quer que esteja.

Giulia com Marcos Paulo, que morreu em 2012

Giulia com Marcos Paulo, que morreu em 2012 Foto: Reprodução/Instagram

Enquanto em suas crenças o diretor a acompanha de outro plano, Giulia conta com o apoio de Otaviano Costa, seu padrasto, na Terra.

— Ele com certeza foi essencial na minha vida, está aí desde antes do meu pai partir. Até hoje cumpre papel de pai comigo, já que me acolheu como filha. Apesar de eu ter perdido o meu biológico muito cedo, ganhei um segundo pai.

Além de ser agarrada ao apresentador, Giulia não se vê sem as irmãs (duas por parte de pai e uma por parte de mãe), os avós, as primas… Por isso, ela não cogita morar fora, diferentemente de Sophia, filha de Claudia Raia, e Sasha, filha de Xuxa.

— Eu tenho vontade de fazer uma pós-graduação no exterior, mas eu volto. Também não me imagino fora do Rio. Sou muito apegada.