Guerra na Ucrânia faz correspondente da Globo Rodrigo Carvalho lutar contra armadilha; entenda

Rodrigo Carvalho luta diariamente contra uma armadilha na cobertura da Guerra da Ucrânia: apresentar os fatos sem eleger heróis ou vilões. O correspondente da Globo na Europa acompanha a crise migratória ocasionada pelo conflito e confessa que o trabalho deixou fortes lembranças em sua mente.

“Essa é, sem dúvida, uma das coberturas mais desafiadoras da minha carreira. O conflito tem origens complexas, impactos gigantescos e diferentes tipos de interesse envolvidos. Traduzir isso para o público brasileiro não é trivial. Existe, por exemplo, uma guerra de narrativa e, com ela, algumas armadilhas, como a do discurso herói versus vilão. É preciso --todos os dias-- ter muito cuidado com o que estamos levando ao ar”, explica Carvalho ao Notícias da TV.

Em 2018, o jornalista participou de uma das suas principais coberturas internacionais: o resgate de 13 pessoas que ficaram presas em uma caverna na Tailândia. Dessas, 12 eram garotos entre 11 a 17 anos. Esta experiência originou o livro Os Meninos da Caverna (GloboLivros).

“Na Tailândia, sempre houve a expectativa de que o resgate pudesse dar certo --como, de fato, deu. Na Guerra da Ucrânia, não havia esperança de nada. O estrago já estava sendo feito”, pontua.

Pela Globo, Carvalho foi à Polônia, país que faz fronteira com a Ucrânia e que recebeu milhares de pessoas que buscavam fugir da guerra: “Não foi a primeira vez que cobri uma crise de refugiados. Em janeiro de 2017, recém-chegado como correspondente na Europa, viajei para Belgrado, na Sérvia, para cobrir a crise de refugiados de outra guerra: a da Síria. Havia um grupo grande de refugiados num armazém abandonado passando frio e fome. Foi meu primeiro contato com uma crise assim”.

Na Polônia, a quantidade de gente era muito maior. Estamos falando da crise de refugiados mais rápida desde a Segunda Guerra Mundial. Foi um trabalho muito cansativo --tanto emocional, quanto fisicamente. Equilibrar isso era o grande desafio.

Para a reportagem, o jornalista detalha as cenas que mais o marcaram enquanto esteve na Polônia: “Pessoas perdidas, muitas chorando, sem saber para onde ir; crianças pegando brinquedos doados; um senhor de bengala fazendo um esforço descomunal para andar; uma voluntária chorando ao dar água e biscoito para os refugiados; uma mãe nos mostrando o caderno dos filhos cheio de desenhos de tanques de guerra; uma mulher esgotada sendo carregada por bombeiros; vários animais de estimação; e o barulho das rodinhas das malas”.

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