Um homem foi levado à delegacia em Juazeiro do Norte após ser flagrado utilizando o próprio filho para pedir doações de leite em pó, especialmente a marca Leite Ninho, na porta de redes de supermercados da cidade. A prática, que já vinha sendo monitorada por equipes de abordagem social e agentes de proteção, foi confirmada pela promotora de Justiça Alessandra Monteiro em entrevista à rádio O POVO CBN Cariri nessa terça-feira, 25.
Segundo a promotora, o menino abordava clientes pedindo ajuda para obter o leite, que posteriormente era entregue ao pai. O adulto, de acordo com as investigações, revendia o produto para comprar bebidas alcoólicas. “Sem as crianças as pessoas não dão dinheiro”, relatam alguns responsáveis flagrados nesse tipo de ação, conforme destacou a promotora.
As equipes de abordagem identificaram que o pai permanecia dentro de um veículo enquanto enviava os filhos para pedir doações em supermercados atacadistas da cidade. Além disso, já havia sido constatado que ele possuía um comprador fixo para os alimentos arrecadados. “A pessoa tem carro, viaja de férias…”, afirmou Alessandra Monteiro, mencionando que uma tentativa de abordagem anterior não ocorreu porque o comprador estava fora da cidade.
Com a confirmação do esquema, a promotoria orientou que a equipe de proteção social conduzisse o pai à Delegacia para a realização do procedimento criminal. Ele pode responder por exploração do trabalho infantil, exposição de crianças a situações de risco e abandono intelectual, uma vez que as práticas ocorriam tanto durante o dia, comprometendo o horário escolar, quanto à noite, aumentando a vulnerabilidade dos menores.
Nos últimos dias, segundo o Ministério Público, não houve novos registros da presença da família nos locais onde costumava atuar.
Algumas pessoas já nascem condenadas ao sofrimento, né? Quais as chances dessa criança se desenvolver com o mínimo de dignidade, educação, oportunidades…? Quais as chances de futuramente não ser atraída pro mundo do crime? E ainda tem gente que se nega a aceitar essa realidade como se tudo fosse uma questão de escolha.
Pior que é verdade, ou você tem sorte de nascer nas mãos de alguém que te ame e zele por você e com condições decentes ou então tudo é muito mais difícil.
Depois que eu cheguei a essa conclusão eu parei de reclamar de coisas pequenas. Infelizmente eu fui muito negligenciado, mas consegui driblar isso, pois tive o mínimo do mínimo, mas tem gente que não tem nem isso. Um mundo é um lugar injusto, verdade seja dita.
Por isso eu não ajudo ninguém que me pede.
Esses tempos vi uma mulher ajudando um homem que pediu dinheiro pra comprar a passagem de ônibus. O cara atravessou o terminal rodoviário e na frente das mulheres que deram o dinheiro pra ele o filho da puta foi e comprou bebida alcoólica.
No metrô eu nunca ajudo e não é nem por má vontade. Mas eu fico pensando: e se a pessoa entrar pra cometer um crime?
Às vezes a empatia ter que ser dosada.
Depois que eu trabalhei em uma farmácia e via gente pedindo lata de leite pra depois ir no morro da frente trocar por drogas nunca mais ajudei assim também. Prefiro doar para alguma instituição que eu conheço o trabalho, diretamente assim para a pessoa jamais.