Isadora Cruz fala de estreia em 'Coração acelerado' e comenta romance à distância com esquiador

Isadora Cruz fala de estreia em ‘Coração acelerado’ e comenta romance à distância com esquiador: ‘Quando amamos de verdade, celebramos os sacrifícios’

Atriz paraibana de 27 anos - que foi da Sorbonne à ‘Garota do Fantástico’ - também abraça a ‘nova’ mulher nordestina na dramaturgia

Por

Laís Rissato

— São Paulo

11/01/2026 04h01 Atualizado há 2 horas

Mesmo com temperaturas negativas, é dia de sol em St. Moritz, comuna suíça famosa pelas montanhas cobertas de neve e luxuosas estações de esqui. Foi lá que a atriz Isadora Cruz, de 27 anos, passou o Natal com o namorado, o esquiador alpino Lucas Pinheiro Braathen, de 25, grande promessa do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno, com quem vivem um romance há oito meses . “É uma paisagem bem natalina, e o dia está lindo, com um sol gostoso”, diz ela, durante entrevista por chamada de vídeo, compartilhando a vista da janela de seu quarto.

Foram poucos os dias de folga na agenda de Isadora. Ela desembarcou no Brasil antes do ano-novo e voltou ao ritmo intenso de gravações de “Coração acelerado”, novela das sete da Globo, que estreia amanhã. Na trama, ela vive a protagonista Agrado Garcia, cantora sertaneja que busca ascender profissionalmente. Para isso, a atriz aprendeu a tocar violão e fez aulas de canto e prosódia. “Ela é de uma família de mulheres musicistas. A mãe, Janete (Letícia Spiller), escolheu a carreira em detrimento de um grande amor, e Agrado cresceu com esse exemplo. É mais uma mulher forte”, explica.

É esse o perfil de personagens que atravessam a carreira de Isadora. Viveu Rosa Pellegrino, versão moderna de Maria Bonita, em “Guerreiros do sol” (2025); a divertida e decidida Roxelle, de “Volta por cima” (2024); e a determinada Candoca, de “Mar do Sertão” (2022). No ano passado, foi eleita a nova Garota do Fantástico, surgindo das águas na abertura do dominical da Globo. Nascida em João Pessoa, na Paraíba, a atriz é filha de um empresário gaúcho e de uma funcionária pública paraibana, e tem nas avós o exemplo mais rico de sua identidade nordestina, a qual exalta em alto e bom som: forte, solar e sem amarras.

“Minha avó materna era casada com um fazendeiro, meu avô, e tomava conta da fazenda. Era respeitada pelos funcionários machistas, tanto quanto ele”, relembra. “Já minha avó paterna era cabeleireira e trabalhou até os 75 anos. Todas mostraram como o afeto pode ser transformado em potência.”

Cresceu em uma realidade abastada, proporcionando-lhe inúmeros privilégios. Morou parte da infância em Miami, para onde se mudou em razão do trabalho do pai; aos 16 anos, estudou cinema e francês na Universidade de Sorbonne, em Paris. Mais tarde, após estrear na Globo na novela “Haja coração” (2016), passou uma temporada em Los Angeles, investindo na carreira internacional e participando de produções em inglês. Nada disso, contudo, tirou seus pés do chão. Mas ajudaram-na a voar mais alto. “Tenho um entendimento profundo de espiritualidade: tudo é passageiro.”

Como se preparou para viver a Agrado?
O universo da música é fascinante desafiador, é preciso compreender ritmos, melodias. Estou aprendendo a tocar violão, a ter o controle das mãos, é bem difícil. Agrado é goiana e me divirto com esse novo sotaque. No início da carreira, tinha um pouco de medo disso, mas hoje sinto que me ajuda a estar mais imersa nas personagens.

Você recusou um papel em “Malhação”, em 2018, porque te pediram para neutralizar o sotaque. Não temeu ser colocada na geladeira?
Não. Quando olho para trás, vejo que foi uma decisão madura. Naquele momento, não estava pronta para tudo que uma protagonista exige, e como atriz, meu desejo era ser desafiada de outra forma. Fui apresentada ao Brasil com uma personagem paulista na novela “Haja coração”. Queria que a próxima fosse nordestina.

Personagens nordestinas, muitas vezes, têm uma construção caricata. Como se posiciona diante desse tipo de narrativa?
Sou parte de um movimento que quebra os estereótipos, da nordestina presa dentro de casa, subjugada pelo marido. Candoca, de “Mar do sertão”, era médica, independente. A Rosa, de “Guerreiros do sol”, colocou seu desenvolvimento pessoal como prioridade num contexto patriarcal. Nós, atrizes nordestinas, estamos ocupando espaços com consciência e consistência. Minha história tem uma força profundamente solar. Ser nordestina me põe no mundo com mais firmeza.

Já declarou que se inspirou muito na força das mulheres da sua família. Quem são elas?
Minha avó materna era casada com um fazendeiro, meu avô, e tomava conta da fazenda. Andava com o molho de chaves na mão, era respeitada pelos funcionários machistas. Minha bisavó se casou aos 16 com um coronel muito bruto. Pelo amor e o afeto, o conquistou, e fazia tudo o que queria, era conhecida na região como uma das primeiras mulheres a ter voz. Já a minha avó paterna era cabeleireira, trabalhou até os 75 anos. Elas me mostraram como o afeto pode ser transformado em potência.

Você cresceu em uma realidade bem confortável: já morou em Miami, em Los Angeles e estudou em Paris. Como esse privilégio a atravessa, sem que os pés saiam do chão?
Meus pais sempre me passaram valores de como ajudar ao próximo e compartilhar o que temos. Mas, para além disso, eles têm um entendimento profundo sobre a espiritualidade. Tudo é passageiro: esse corpo, essa forma física, a beleza. Tudo é uma ilusão. Sei que sou uma energia que vai além da matéria.

Como é sua relação com a imagem?
É algo mais relacionado à energia do que à forma física. A relação com a beleza e com o olhar que lançamos sobre nós deve ser permeada pela empatia. Não existem padrões corporais tão rígidos para ser atriz, em comparação a uma modelo, por exemplo. Mas a volta da magreza me assusta, com jovens perdendo a força usando canetas emagrecedoras.

Nunca quis experimentar?
Não. Quando vou para a academia, penso: ‘Qual a minha motivação? Quero emagrecer, ou quero estar saudável?’. Tento ter metas construtivas, melhorar a performance para a corrida, desafiar-me para uma nova posição da ioga. A pressão sobre a aparência física é mais uma ferramenta do machismo para nos distrair. Se nos preocupamos demais com o corpo, não pensamos sobre a nossa carreira, sobre ocupar novos espaços.

Durante as gravações de “guerreiros do sol”, você foi diagnosticada com uma séria infecção nos rins. Foi um trabalho que extrapolou os limites do seu corpo?
Eu gravava 11 horas por dia de segunda a sábado. Eram sequências fortes: batalhas, muita violência, luto, e a mente racionaliza isso, mas o corpo, não. Sou muito atenta a ele, mas não tive sintomas de infecção urinária. Descobri porque um dia acordei com 40 graus de febre, e os rins já estavam tomados pela infecção. Meu corpo estava no modo sobrevivência.

A Roxelle, de “Volta por cima”, sofreu violências psicológicas do companheiro. Já viveu uma relação abusiva?
Sim, aos 18 anos. Foram cinco meses e percebi cedo. Ele era uma pessoa tóxica. A primeira coisa que os abusadores fazem é te afastar de quem você ama. Eu me afastei dos amigos, da família, e mudei o meu jeito de ser para agradá-lo. Mas tenho uma rede de apoio forte, e consegui me livrar rápido.

Atualmente, namora o esquiador Lucas Pinheiro Braathen. Como se conheceram?
Essa história, gosto de guardar para nós. Estamos juntos há oito meses e vivemos à distância. Lucas mora em Milão. Por termos propósitos grandes de vida, trabalhando para realizar nossos sonhos, conseguimos compreendê-la. Quando amamos de verdade, celebramos os sacrifícios.

E ele já te ensinou a esquiar?
Fiz minha primeira aula hoje, na pista para crianças. Lucas foi um ótimo professor (risos). Ele vai representar o Brasil nas próximas Olimpíadas de Inverno (na Itália), em fevereiro, e quero muito estar lá torcendo.

Quer se casar e ter filhos?
Agora, não. Estou muito focada no trabalho, e sei o quanto isso exige de tempo. Quando for mãe, quero estar fora da profissão. Viver cada momento e aproveitar todas as experiências.