Karol Conká anuncia novo álbum e exorciza traumas com ajuda de terapia

Um ano após passagem turbulenta pelo ‘BBB’, cantora retoma a carreira com programa no GNT e shows pelo Brasil

Com um novo álbum em mãos, faltava a Karol Conká um título. “Esse trabalho dá a sensação de algo que me revitaliza, traz força, cor e intensidade. E aí comentei com uma amiga que era como tomar sol”, narra a cantora. A partir dessa imagem, ela puxou um fio que a conduziu até a sua cor favorita, o vermelho, e, finalmente, ao nome de seu terceiro disco de estúdio, com lançamento previsto para março: “Urucum”. “Escolhi pela força e pelos benefícios dessa planta.”

Um ano depois de deixar o “Big Brother Brasil”, na TV Globo, numa eliminação histórica em que recebeu 99,17% dos votos, Karoline dos Santos de Oliveira está na subida e ainda quer subir mais. Firme, forte e… descancelada, a artista, de 36 anos, retornou aos palcos pela primeira vez no fim do ano passado, no mesmo Rio de Janeiro de onde partiu escoltada para casa em São Paulo, após deixar o reality show . “Nós, mulheres pretas, estamos sempre preparadas para um Brasil torto. Então, se quer falar de superação, muito prazer: sou a própria”, disse, no começo da apresentação na festa Batekoo, dentro de um macacão branco justíssimo. Foi ovacionada diante dos celulares apontados pelos fãs e não deixou dúvidas: estava de volta à cena.

“Urucum” revisita a estrada pregressa de Karol e, neste percurso, um dos temas musicados é a tal animosidade. A palavra, que pode significar tanto disposição para enfrentar obstáculos quanto ânimos exaltados, deu um nó na cabeça do público, assim que a artista pôs os pés para fora do “BBB”. Ao ser informada pelo apresentador Tiago Leifert sobre a rejeição recorde, ela usou o termo para justificar o seu comportamento. “Percebi que tenho um grande problema com animosidade”, disse, ao vivo.

Entre os momentos que despertaram a ira do público, estiveram desentendimentos com o ator Lucas Penteado, que desistiu da competição. Karol chegou a impedi-lo de sentar à mesa para comer. “Quando saí do programa, dei uma atenção maior para a saúde mental e entendi que havia questões dentro de mim que precisavam ser resolvidas. Consegui me reconectar à minha essência e fiz essa música para mim. É o que gostaria de ter ouvido quando estava me sentindo vulnerável”, diz ela, que ainda não se reencontrou com Lucas. “No melhor momento, vamos trocar uma ideia.”

Enquanto isso não acontece, Karol mantém o vínculo com a sua maior aliada durante o jogo, a DJ Lumena Aleluia. A dupla se fala com frequência e até assiste à nova edição do reality . “Como a nossa participação foi muito intensa (risos) , darmos acolhimento uma para a outra aqui fora foi muito importante”, comenta Lumena. “Até nos perguntamos se teríamos como assistir ao programa. Mas, como estamos emocionalmente melhor, já fizemos isso juntas e demos boas risadas.”

Karol, porém, ficou especialmente aflita com a reação do público à expulsão de Maria, participante do “BBB 22”, na última terça-feira, após a atriz e cantora agredir a manicure Natália Deodato com um balde durante uma dinâmica do jogo. Sem entrar no mérito da atitude, Karol lembra que linchá-la não resolverá nada: “Todos tivemos, temos ou vamos ter situações equivocadas em nossas vidas. E a riqueza dessa experiência está em saber observar, admitir e ajustar o que está errado”, comenta. “As pessoas desejam odiar e exigem das outras comportamentos que não têm.”

No caso de Karol, a estabilidade emocional veio com sessões de terapia, algo que nunca havia feito. Os encontros começaram logo que saiu do “BBB” e, nos primeiros meses, se davam duas vezes por semana. A prática a ajudou a superar crises de pânico e ansiedade e acessar memórias esclarecedoras. “Algumas situações (vividas no programa) me lembraram coisas da adolescência”, conta. “Precisei entender por que precisava me defender sendo tão combativa e vestir uma capa da agressividade ou da acidez.”

Parte da resposta veio com reflexões sobre a morte do pai. “Sou de Curitiba e, quando criança, lidava com muito racismo, inclusive por parte dos professores e dos diretores da escola. Então, não tinha muito para onde correr quando algum coleguinha vinha para cima”, narra. “Meu pai me ensinou a ser mais agressiva para conseguir respeito. Quando ele faleceu, eu tinha 14 anos e me senti vulnerável, fraca.”

O pai de Karol apresentava um quadro extremo de alcoolismo que também deixou traumas na maneira como ela lidava com as figuras masculinas. “Ele não podia ir às minhas festas juninas, porque tinha quentão, nem podíamos ter enxaguante bucal em casa, por causa do álcool usado na fórmula. Isso causava feridas. Era uma sensação de abandono. Pensava: ‘Por que o bar é mais interessante do que o desenho que fiz?’”, conta. “Quando meu pai morreu, estávamos brigados. Isso me amargurou a vida inteira, mas não sabia que estava dentro de mim. Depois do ‘BBB’, entendi que tentava fugir disso ficando cada vez mais arisca.”

Blazer Balmain, jeans Levi’s, colar Caleidoscópio, sandália Paula Torres Foto: Guilherme Nabhan | Styling mateus andrade | Beleza: Esthéfane Luz e Rômulo Rosa | Assistência de fotografia: Tinho Sousa | Camareira: Pepa | Produção executiva: Giulia Schiavon | Tratamento de imagem: Angélica Marinacci

Blazer Balmain, jeans Levi’s, colar Caleidoscópio, sandália Paula Torres Foto: Guilherme Nabhan | Styling mateus andrade | Beleza: Esthéfane Luz e Rômulo Rosa | Assistência de fotografia: Tinho Sousa | Camareira: Pepa | Produção executiva: Giulia Schiavon | Tratamento de imagem: Angélica Marinacci

Look Fendi e joias Elisabete Gaspar Foto: Guilherme Nabhan

Look Fendi e joias Elisabete Gaspar Foto: Guilherme Nabhan

Camisa João Pimenta, body Olympiah, trench coat Another Place, saia Balmain Foto: Guilherme Nabhan

Camisa João Pimenta, body Olympiah, trench coat Another Place, saia Balmain Foto: Guilherme Nabhan

Brinco Caleidoscópio Foto: Guilherme Nabhan

Brinco Caleidoscópio Foto: Guilherme Nabhan

Vestido e sapato Dolce & Gabbana, brinco Caleidoscopio Foto: Guilherme Nabhan

Vestido e sapato Dolce & Gabbana, brinco Caleidoscopio Foto: Guilherme Nabhan

Top Quae, saia João Pimenta, brinco Elisabete Gaspar, mule Santa Lolla Foto: Guilherme Nabhan

Top Quae, saia João Pimenta, brinco Elisabete Gaspar, mule Santa Lolla Foto: Guilherme Nabhan

Karol usa camisa Olympiah, camisola Intimissimi, blazer Camargo Alfaiataria, saia Minha Vó Tinha, sandália Aquazzura Foto: Guilherme Nabhan

Karol usa camisa Olympiah, camisola Intimissimi, blazer Camargo Alfaiataria, saia Minha Vó Tinha, sandália Aquazzura Foto: Guilherme Nabhan

O racismo sofrido ao longo dos anos, ela diz, só fez aumentar a ira. Recentemente, um trecho do documentário “Preto no Branco: Negros em Curitiba”, de Luciano Coelho e Marcelo Munhoz, viralizou com uma fala de Karol, nos tempos da escola. Na gravação, uma professora mostra um cartaz racista, com referências ao nazismo, que havia sido pregado no mural do colégio. A estudante, então, descreve uma série de discriminações que sofreu por parte de um professor. “Ele falou, na frente de todos, que eu sou negra e vim ao mundo para servi-lo, porque ele é branco. Falei que não tinha obrigação nenhuma de ouvir aquilo”, diz, no vídeo. Nos comentários das postagens que repercutiram o trecho, Karol descobriu não ter sido a única vítima. “Uma menina escreveu que foi assediada pelo mesmo professor. É o que acontece com as meninas. Acham que não dá para falar com ninguém porque não vão ser levadas a sério.”

O mesmo racismo se fez presente na rejeição sofrida durante o “BBB”. Em meio às críticas recebidas, não faltaram referências à sua pele seguidas por termos ofensivos. “O corpo de uma mulher negra é criticado com intensidade diferente”, analisa a doutora em Psicologia Social Jaqueline Gomes de Jesus, professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro e da Fiocruz. “Quando um homem branco fala, é julgado de outro modo.” Ela reconhece também que o “cancelamento” de Karol revela o quanto as pessoas têm agido a partir de uma leitura superficial. Por outro lado, esse imediatismo abre espaço para uma recuperação mais rápida. “O cancelamento não é uma novidade. Se pensarmos no Wilson Simonal, ele foi cancelado por uma suposta conivência com a ditadura militar e morreu apagado por isso, sem poder se defender. Ver a Karol se recuperar, um ano depois, me traz muita esperança.”

Levantar depois do tombo, porém, não é simples até mesmo para a autora do hit “Tombei”. A cantora afirma que não pensou em desistir, mas temeu pela sanidade. “É tanto ataque, que chega uma hora que aquilo parece virar verdade”, diz. “Mas eram as pessoas que queriam que eu desistisse.” Ainda assim, um detox das redes se fez necessário. Ela desinstalou todos os aplicativos do celular e pediu à equipe que mudasse as senhas. Ficou desconectada por dois meses e, ao fim da experiência, passou a recomendá-la. “Você volta com a cabeça sossegada. Quando vejo um comentário negativo, não perco tempo me amargurando. Consigo entender que aquela pessoa está tão frustrada que o seu alívio é xingar alguém.”

Palavras de quem é seguida por 1,8 milhão de pessoas no Instagram e, durante o reality , chegou a perder meio milhão de seguidores, recuperados poucos dias depois de deixar a atração. Mas, além do cancelamento, Karol precisou lidar com outro problema crônico desses tempos: as fake news . “Disseram que perdi R$ 5 milhões, que estava numa clínica de reabilitação”, cita a artista . “Isso só parou quando voltei para as redes. Afinal, eu estava ali para provar a verdade.”

Boatos à parte, no auge das polêmicas, festivais de música vieram a público dizer que o nome da cantora não estava mais entre as atrações, algo que deixou os juízes de internet ainda mais alvoroçados. O comportamento, porém, revela como as marcas têm lidado com influenciadores, segundo o especialista em gestão de crise e professor da ESPM-Rio Willian Rocha. “As empresas querem figuras que as endossem. Quando alguém tem a reputação arranhada, as mesmas buscam se dissociar, para que não sejam cobradas por algo que não cometeram, já que isso pode afastar anunciantes e parceiros. É um movimento comum no mercado. Por isso, os influenciadores cobram caro”, comenta. Por outro lado, ele reconhece que a própria reconstrução de Karol a tornou uma figura particularmente interessante. “Esse retorno fez com que as pessoas a revejam e criem um storytelling de volta por cima.”

Passado o dilúvio, vieram os contratos publicitários, outros festivais e a renovação do posto de apresentadora do programa “Prazer, Feminino”, transmitido pelo canal do GNT no YouTube. Na atração, que está na segunda temporada, Karol divide com outra ex-BBB, a ginecologista Marcela Mc Gowan, um papo descomplicado sobre sexo. Desenvoltura que, ela diz, vem de casa. “Com 16 anos, comecei a conversar com a minha mãe sobre o assunto e fui sozinha ao ginecologista”, conta. Mãe de Jorge, um adolescente de 16 anos, ela dialoga com o rapaz com o mesmo traquejo. “Tenho uma ‘vulvinha’ que uso para mostrar a anatomia a ele. Indico onde é o clitóris e como funciona a musculatura. Assistimos a documentários sobre educação sexual e encho a mochila dele de camisinhas.”

A própria vida afetiva segue pela mesma maré alto-astral. Ela e o jogador de futebol Polidoro Junior se conheceram em setembro do ano passado, na festa de uma amiga, e não se desgrudaram mais. “Cheguei lá, e ele pediu meu telefone. Achei que poderia ser interessante, já que estava há um tempo me autossabotando no amor”, relembra. “Ele desperta o meu melhor, e acho que essa relação contribuiu para o meu estado de espírito hoje.”

7 curtidas

@Renan90 vai comprar?

1 curtida

O novo álbum dela, acho que sim amigo kkkkkk

Lindissima e que bom que tudo o que houve com ela ficou pra trás e ela também já se arrependeu do que aconteceu dentro da casa (menos ela ter arrassado com o Lucas Penteado que esse sim ela deu bem dado e poderia ter dado muito mais com certeza naquele pivete e lixo de primeira)

Ela eh muito linda e fotogênica

1 curtida

Textao desnecessário.
Quero datas. Diz no texto?

O álbum saí em Abril (ela já tinha dito em outra entrevista)

Você é uma pessoa de coragem

1 curtida

esse álbum da mama vai fazer barulho, a kween merece demais, vou floodar tanto

Sou mesmo amigo kkkkkkkkk

Apesar das atitudes dela não terem sido muito bonitas (tirando o episódio do Lucas que merecia bem mais do que ele tinha recebido dela dentro da casa por ser um lixo mesmo), não acho que eram caso de cancelamento total

Ela é uma querida e que merece todo esse sucesso com certeza

Eu também acho isso.
Para ser sincero tbm vou ouvir esse álbum dela

1 curtida

a Lorde faz tudoooo

Bombardeio

lindissima nos looks

Ela merece todo o sucesso do mundo apenas <3

Preguiça de ler.
Tem data?

ansiosa

Abril (já revelou a data em uma outra entrevista na semana passada/retrasada)

rainha

Linda e artista. Queria o álbum com a sonoridade de Dilúvio, foi a melhor música dela em anos