Diretora de Inovação e Diversidade em Conteúdo da Globo, Kellen Julio define A Nobreza do Amor como um ponto de virada construído ao longo de quase oito anos dentro da emissora. Para a executiva, a trama protagonizada por atores negros e ambientada entre o Rio Grande do Norte e a África simboliza um avanço concreto na maneira como a televisão brasileira representa a própria identidade.
“A novela traz um novo repositório de informações positivas sobre essa relação Brasil-África. Tem um novo imaginário de África, com uma estética linda, uma história profunda e ainda uma visão não simplista desse relacionamento. A gente vive uma revolução nesse momento. A Nobreza do Amor é uma revolução dramatúrgica, ficcional e brasileira acima de tudo”, diz.
Kellen trabalha há quase oito anos no processo que levou à criação de uma estratégia de diversidade dentro da empresa. Segundo a executiva, sua chegada aconteceu em um momento de inquietação interna, quando a Globo passou a repensar o conteúdo a partir da brasilidade e da representação.
Para a diretora, a atual novela das seis da Globo é a colheita daquilo que vinha sendo semeado internamente e promove uma mudança no imaginário coletivo. “A gente decidiu criar essa memória sobre África a partir de várias referências, de vários países. A gente generaliza e fala África, mas retratamos um continente muito rico”, explica.
Kellen evidencia também o esforço da produção em fugir de abordagens reducionistas, historicamente limitadas ao período da escravização para apresentar uma África diversa, rica e contemporânea. “A Nobreza do Amor é um sonho profissional meu… É um sonho de todos nós”, orgulha-se.
A escolha do horário também é estratégica. Ela conta que o espaço da novela das seis é essencial para ampliar o alcance do novo olhar que está sendo proposto. Em geral, é o momento em que pais e filhos se reencontram após um dia inteiro.
Por isso, o folhetim de época representa não apenas um produto de entretenimento, mas uma resposta a uma demanda histórica da sociedade por representações mais justas.
Na prática, sua área atua diretamente na construção dessas narrativas. “A gente trabalha lendo os roteiros para apoiar a construção criativa dessas histórias sem estereótipos, com brasilidade”, explica. O objetivo é estimular debates que ajudem a projetar um futuro mais equânime.
Eu gosto muito do título do meu cargo porque eu acredito que a inovação é o que vai levar a gente a ser cada vez mais competitiva, sem perder de vista o brasileiro, os nossos valores e a nossa cultura, que é a maior joia que a gente tem para trabalhar no audiovisual.
Leia também → Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.