Letícia Colin e Michel Melamed falam sobre casamento: 'Monogâmicos, mas discutimos outros formatos'

Em 2019, o ator, escritor e diretor Michel Melamed, de 49 anos, encantou-se por uma portaria de um prédio do Rio. A atriz Letícia Colin, de 34, com quem é casado, estava ao seu lado, e se lembra bem daquele momento. “Ele falou: ‘Olha que portaria agradável, tem sofá espaçoso, a luz é ótima. Já pensou em ficar morando aqui?’. Michel vê o extraordinário na rotina’.” A ideia foi deixada na “gaveta do escritor” e ficou borbulhando. Em 2023, ele resgatou aquela imagem para usar aquele local como cenário de um filme. Michel e Letícia estariam juntos em cena para falar do tema que compartilham há oito anos: casamento.

No final do ano passado, o projeto do longa não foi para frente e acabou sendo transformado em peça teatral, com texto e direção de Michel, e estreia na próxima quinta-feira, dia 29, no Teatro Adolpho Bloch, na Glória. O espetáculo, que ganhou o nome de “Um filme argentino”, retrata o casal Claudio e Claudia. Depois de mais uma discussão, Claudia, finalmente, sai de casa. Mas chove torrencialmente e e

Michel Melamed usa camisa Emporio Armani no Grito Bazar e Leticia, vestido Andrea Marques — Foto: Asafe Ghalib

Michel Melamed usa camisa Emporio Armani no Grito Bazar e Leticia, vestido Andrea Marques — Foto: Asafe Ghalib

la fica na portaria (aquela da “gaveta do escritor”) e nunca mais sai de lá. Michel e Letícia se revezam e dão vida, além do casal central, a dezenas de personagens. “O casamento passa por muitas fases e a peça fala sobre isso. Assumimos diversos papéis na relação, de filho, amante e vilão, de acordo com o momento da vida”, analisa a atriz.

Corta para o estúdio do jornal O GLOBO, onde foram feitas as fotos deste ensaio. Os atores agem em sincronia diante da câmera. Letícia, muitas vezes, deixa o corpo cair com a certeza de que Michel vai segurá-la. Ele, mais contido, tem o olhar compenetrado. “Ela é dionísica, precisa do caos. Eu percorro o caminho oposto; por ser caótico, sou apolíneo, necessito de organização”, diz Michel. A atriz — que estará na segunda temporada da série “Os outros” — e o multiartista — que assina a direção artística da nova temporada de “Lady night”, de Tatá Werneck — se entendem calados.

A seguir os melhores trechos da entrevista em que falam sobre casamento, sexo, monogamia, parentalidade — são pais de Uri, de 4 anos — e, sobretudo, amor.

Michel veste blazer Foxton, camisa e calça Welcome Rio e tênis Vert; Letícia usa terno Misci e suéter Ganni, ambos da Pulsa Rio — Foto: Asafe Ghalib

Michel veste blazer Foxton, camisa e calça Welcome Rio e tênis Vert; Letícia usa terno Misci e suéter Ganni, ambos da Pulsa Rio — Foto: Asafe Ghalib

Como foi o processo de abordar o casamento no palco e serem casados na vida real?

Letícia: A gente precisa de franqueza para fazer esse espetáculo ser humano. Tem momentos no casamento que são mesmo difíceis, claro que já passamos por várias crises e tretas. Por termos essa bagagem, podemos falar sobre o assunto até fazendo piada, de um jeito elaborado psiquicamente. O texto é engraçado e profundo. O Michel nunca é superficial. Fora isso, nada é mais democrático do que o encontro amoroso. Todo mundo se identifica.

Michel: Estamos descobrindo como somos diferentes. Sonhávamos em trabalhar juntos. Ao longo dos anos, um metia a colher no trabalho do outro, e sempre foi maravilhoso. Agora chegou a hora de o casal dar passagem aos artistas. São 24 cenas e usamos a linguagem cinematográfica. É uma brincadeira entre a atividade teatral e a relação amorosa.

Vocês estão casados há oito anos. Como se conheceram? Já pensaram em abrir a relação?

Letícia: Nos conhecemos, em 2016, no “Bipolar Show”, criado e apresentado por Michel. Fui sua convidada. A paixão surgiu ali. Somos monogâmicos. Admiro, acho maneiro, mas não encaro ainda. Tem de ser bom para os dois porque, se não conduzir com cuidado, pode gerar traumas.

Michel: Já a admirava como atriz, mas conhecer mesmo foi no “Bipolar Show”. Sobre monogamia, até agora, às 14h23, do dia 2 de fevereiro, estamos nessa toada (risos). Mas nós não nos furtamos a conversar. A ouvir o que as pessoas falam e a pensar em novos formatos.

Letícia Colin e Michel Melamed: ela usa body com luvas A.Rolê, calça Aline Rocha, joias Awa e sapatos Zara. Michel veste terno Eduardo Guinle, camisa Osklen e sapatos Democrata — Foto: Asafe Gholib

Letícia Colin e Michel Melamed: ela usa body com luvas A.Rolê, calça Aline Rocha, joias Awa e sapatos Zara. Michel veste terno Eduardo Guinle, camisa Osklen e sapatos Democrata — Foto: Asafe Gholib

Vocês sentem ciúme um do outro?

Letícia: Não… Acho que sou ciumenta, sim (risos). Admiro e gosto muito. Torço para que outros também gostem, mas não tanto quanto eu (risos).

Michel: Acho que sou ciumento. É um ciúme mais amplo, da pessoa, do espaço que ocupo na vida dela.

Letícia: Mas ele não tem ciúme de cenas de novela com atores, por exemplo. Nunca falou nada.

Michel: Meu ciúme é do lugar que ocupo na vida dela, não gostaria de perdê-lo. Adoro ser uma pessoa importante. O ciúme surge na hipótese de nossa troca diminuir de intensidade.

O que mudou com a chegada do filho?

Letícia: A principal mudança é a quantidade de energia que o filho demanda. Tem uma coisa do cansaço físico, mental e emocional que se instaura. Sente-se muito mais feliz, mas muito mais cansada. Aí quando a criança dorme já estamos exaustos. Mas existem outras maneiras e horários de a gente se encontrar como casal.

Michel: A experiência de ser pai se tornou a coisa mais importante da minha vida desde antes de ele nascer. Minha infância foi bem ruim, com marcas de abandono. Minha mãe tinha diagnóstico de bipolaridade e fui criado pela segunda mulher do meu pai. Faço análise desde cedo. No início, surgiu a preocupação: “Será que repetirei meus pais?”. Aí o Uri chega e descubro que amo cuidar dele. Sou apaixonado pelo meu filho.

Qual lugar o sexo ocupa na vida de vocês?

Letícia: Continua sendo muito importante. Para mim, não tem mais aquela ansiedade de “ter que” nem a neurose visual, comum entre as mulheres, se o corpo está assim ou assado, de como seremos percebidas. Estou achando bom o passar do tempo. Há também a descoberta da intimidade, dos carinhos, de outros prazeres e processos.

Michel: A gente foi outro dia numa massagem tântrica aprender umas técnicas. Achei interessante. A professora vai guiando, faz comentários e cria um clima.

Letícia: Ela demonstra, ensina o gesto, e a gente reproduz. Falou bastante sobre a retomada de acordos. Porque o corpo do outro torna-se muito íntimo com o tempo. Então, é legal resgatar um diálogo de concessão e voltar a perguntar: “Posso fazer isso? Vamos hoje experimentar tal coisa?”. É como se legitimasse a identidade novamente quando você já deu tudo. É muito bom conceder várias vezes para a mesma pessoa.

Michel: Eu gostei também. A própria experiência de estar lá com uma terceira pessoa traz um aspecto voyerístico. Ter a liberdade de falar e trocar com ela.

A atriz Letícia Colin — Foto: Asafe Gholib

A atriz Letícia Colin — Foto: Asafe Gholib

São adeptos de brinquedos eróticos?

Letícia: Uso muito. Michel é supertranquilo em relação a isso. Tento ensinar a ele (risos). Vamos a lojas, ele me dá presentes. Está aprendendo.

Michel Melamed e Letícia Colin — Foto: Asafe Gholib

Michel Melamed e Letícia Colin — Foto: Asafe Gholib

Michel: Se ela diz que estou, quem sou eu para discordar? Dei para ela um (sugador de clitóris) muito recomendado. Na verdade, uma geração mais nova do que ela já tinha.

Letícia: O Satisfyer. Porém, a nossa terapeuta tântrica disse que o uso recorrente tira a sensibilidade do aparelho sexual da mulher. Deixa viciado, digamos assim. Ela me indicou dar uma pausa. Michel também já me deu lingeries.

Michel: A gente tem uma vida erótica. Mas não é uma coisa cristalizada, há momentos. A vida a dois vira um pacote grande que tem muitas coisas, e o sexo é só um dos ingredientes. Tem também amor, cuidado, filhos, conflitos e individualidades.

Letícia Colin: tricô Anselmi, casaco Ganni na Pulsa Rio e brincos Awa — Foto: Asafe Ghalib

Letícia Colin: tricô Anselmi, casaco Ganni na Pulsa Rio e brincos Awa — Foto: Asafe Ghalib

Como veem o encontro amoroso, hoje?

Letícia: Continua valendo a pena demais, mas agora não precisa ser só ele. Antes, o casamento resolvia tudo. Hoje a mulher pode casar ou não, ter filhos ou não. Há uma nova liberdade, mas ainda temos muito caminho pela frente.

Michel: Na hora que você nos fez a pergunta me veio as canções “Love, love, love”, de Caetano Veloso, e “All we need is love”, dos Beatles. A experiência amorosa segue sendo revolucionária. O amor é o lance.

ele mais maquiado que ela
não se fazem homens raiz como antigamente

adoro ela

que gente chata aaa

queria ser filho deles

Da meio que vergonha de ver casal falando sobre a vida íntima assim kkkk mas que fofos adoro os dois

mentira que a doll deixou esse feioso soltar dentro? :choro: