Ludmilla estampa capa da GQ Magazine e fala de Fama, Carreira, Racismo e mais

Ludmilla diz: “A fama e o poder não me livraram do racismo”

A chapa esquentou no Colégio Estadual Duque de Caxias, instituição localizada no município da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Ludi, estudante do colegial, descobriu que uma colega de classe postou uma foto sua nas redes sociais fazendo alusões preconceituosas à sua cabeleira crespa. “Escreveu, entre outras coisas, que eu tinha cabelo de bombril”, lembra. Furiosa, esperou pela muy amiga na saída da escola e lhe ameaçou dar uma coça caso aquela gracinha permanecesse no ar. Mais: prosseguiu a intimidação em voz alta, para que o resto da turma não se metesse a engraçadinha. Ludi hoje é conhecida por Ludmilla , porém vez ou outra tem de assumir o tom intimidador de anos atrás para se fazer respeitar. Negra, abertamente bissexual e embaixadora do funk carioca, um estilo musical marginalizado por parte da sociedade, é alvo de perseguições e comentários depreciativos por parte de socialites, autoridades e até do cidadão comum, que muitas vezes sofre o mesmo tipo de preconceito social da cantora de 26 anos. “A fama e o poder não me livraram do racismo”, desabafa. O preconceito, contudo, não macula a importância de Ludmilla Oliveira da Silva, nascida na mesma Duque de Caxias que por pouco não se tornou um campo de batalha, filha de uma dançarina de samba aposentada e cujo pai, que nunca chegou a conhecer, teria sido preso treze dias após seu nascimento. Além de uma artista de sucesso, ela é uma musa da diversidade, tendo operado mudanças estruturais até no estilo que escolheu cantar.

Ludmilla é sinônimo de sucesso. É a primeira artista negra da América Latina a ultrapassar a marca de um bilhão de streams na plataforma Spotify. Sua página no YouTube atingiu mais de 2 bilhões de visualizações e seu perfil no Instagram conta com 24 milhões de seguidores. É também um rosto conhecido num meio onde os artistas são lembrados mais pela batida do que pela expressão facial. Segundo uma pesquisa da Kantar IBOPE Media, ela é uma dos doze intérpretes mais reconhecidos pelo grande público, com índice de reconhecimento acima dos 90%. Se focarmos apenas nas intérpretes do gênero feminino, Ludmilla ocupa a sexta posição e o segundo posto do universo do funk. Uma escalada vitoriosa que não dá sinais de esgotamento. O projeto “Numanice ao Vivo”, que chegou às plataformas de streaming no início de 2021, no qual canta até pagode, bateu os 135 milhões de streams. E tudo indica que vai aumentar.

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Do começo como MC Beyoncé — até assumir o próprio nome, outras mudanças vieram. As letras tiveram de vir em um português correto e foi preciso suavizar o pancadão.

A funkeira pop é casada com a bailarina Brunna Gonçalves desde dezembro de 2019. No universo do pop e da MPB, trata-se de um sinal de ousadia. “A homossexualidade no funk é vista de uma maneira caricata. Num baile da periferia do Rio existia até o Bonde Cor de Rosa, onde os dançarinos faziam coreografias com trejeitos homossexuais. Mas eles jamais negavam a sua masculinidade ou admitiam qualquer tipo de penetração”, professa Julio Ludemir, autor do livro “101 Funks que Você tem de Ouvir Antes de Morrer”.“No universo popular, uma mulher que gosta de outra mulher tem de ser ‘curada’. Ludmilla, então, representaria a vanguarda. Ela não apenas tirou o funk da favela e o colocou nos grandes centros, mas também se tornou símbolo de liberdade entre a funkeiras.”

O processo que culminou com a postura vanguardista da cantora, contudo, nasceu do preconceito alheio. Ludmilla tinha sofrido ameaças por parte de “falsos amigos” (as aspas são dela) que disseram que exporiam sua vida sexual. “Diziam que iam para os sites de fofoca revelar que eu gostava de pegar mulher.” Ela optou, portanto, em abrir a relação para os fãs e a imprensa. Ludmilla e Brunna moram juntas há quatro anos e nas redes sociais existe uma troca sem fim de declarações e carinhos. Isso parou até no “Big Brother”, programa que contou com um show da cantora. “Foi emblemático beijar minha mulher e pedir respeito para os pretos em rede nacional.”

Espelho da diversidade em muitos temas, Ludmilla desfruta o auge da fama e também seu prestígio. É notável seu crescimento como artista. “Ela é gigante. Uma artista ímpar que canta, compõe, dança e se posiciona sobre tudo”, exalta-se Sérgio Affonso, presidente da Warner que a contratou no início da década passada.

A associação do funk com a religiosidade está longe de ser algo estranho. Segundo o escritor Julio Ludemir, é comum que haja uma reza antes de os bailes começarem. “É uma maneira de pedir proteção a Deus, já que o estado não cuida deles.” A cantora, contudo, diz que essa aproximação divina se deu por conta de um processo de cura. “Tive uma crise de coluna que me fez parar na cama de um hospital. Em um determinado momento daquela internação, Jesus Cristo apareceu para mim. Naquele momento eu senti ainda mais segurança de que ia sair bem daquela situação”, recorda. “Ali, eu prometi a Ele que faria um grupo de orações na minha casa e assim comecei… Depois eu prometi fazer células maiores, com mais gente, para cada vez mais ecoar a palavra Dele e fazer com que mais pessoas, sejam elas como forem, se sintam abraçadas pelo meu Pai, sem julgamentos, assim como sempre me senti."

linda d+

Adorei a capa

Muito bela, melhor cantora desse pais

o casaco mds

Um dos melhores shots da carreira, ela fica tão linda com o cabelo natural

Deusa do ebano

Gostei da entrevista