Maria Luisa Mendonça fala de personagem agredida pelo marido em 'Verdades secretas' II

Violência doméstica será um dos temas de “Verdades secretas II”, que estreará nesta quarta-feira (20), no Globoplay. Caberá a Maria Luisa Mendonça contar a história de Araídes, mulher agredida física e psicologicamente pelo marido, Nicolau (Julio Machado), que tentará até mesmo abusar da filha dela, Lara (Julia Byrro):

  • Eu fui construindo a personagem com as sutilezas. Muitas vezes a violência psicológica é tão destruidora quanto a física. Então, estive muito concentrada para entrar nessas camadas. No caso da Araídes, ela esconde por medo, assim como a maioria das mulheres. E tem também a filha olhando toda essa violência. A trama vai sendo construída também em cima dessa relação delas.

Durante as gravações da novela de Walcyr Carrasco, a atriz compartilhou nas redes sociais uma foto em que aparecia na sala de maquiagem, com hematomas no pescoço. Ela diz que essa caracterização foi necessária para algumas cenas importantes:

  • Ela esconde tudo com a roupa, mas, em determinado momento, vai deixar aparecer. Toda uma trama vai se desdobrar. Essa violência vem à tona. A história começa mostrando como ela está sofrendo hoje e como tudo vai piorando com o tempo.

Para Maria Luisa, o fato de o problema estar sempre tão próximo no cotidiano facilitou o mergulho na personagem:

  • Essa violência está em muitos lugares. A gente está cada vez mais olhando e colocando luz sobre isso. Percebemos que as mulheres muitas vezes nem se davam conta de que estavam sofrendo. É algo quase cultural, entre aspas, porque, de cultural, não tem nada. Tem mais é que mudar isso. Impossível uma mulher no mundo não ter vivido ou visto essa violência, porque ela está aí, presente. Ainda temos muito o que se fazer.

Apesar da realidade difícil e do grande volume de cenas pesadas, a atriz afirma que os anos de experiência ajudam a manter um certo distanciamento:

  • Claro que não é bolinho. É um drama psicológico, algo bem violento. Estamos trabalhando com uma atmosfera difícil, um drama doído, sofrido, real e contemporâneo. Mas a questão é ir lá e trabalhar, é a profissão. Acho que conseguir dar vida a outras pessoas que de fato sofrem essa violência e podem se enxergar ali para buscar ajuda é o lado bonito de ser atriz.