Mortos na chacina do Jacarezinho sobem para 29, e polícia insiste na criminalização de vítimas sem provas

Subiu para 29 o número de mortes confirmadas oficialmente na considerada a chacina mais letal da história da cidade do Rio de Janeiro, em uma operação policial na favela do Jacarezinho , na última quinta-feira. Em nota divulgada neste sábado em que mais uma vez criminaliza as vítimas da ação, sem apresentar suspeitas que baseiam sua conclusão, a Polícia Civil informou que “28 criminosos e o inspetor de polícia André Leonardo de Mello Frias morreram na operação”. O caso do agente, baleado na cabeça, é a única execução reconhecida pelas autoridades, apesar do depoimento de testemunhas e da falta de evidências mostradas até agora.

A operação, chamada de Exceptis, apurava o aliciamento de crianças e adolescentes para o tráfico de drogas. Como mostrou reportagem do EL PAÍS, ao menos 13 vítimas não tinham qualquer relação com a investigação, número que pode ser maior porque outros corpos ainda não foram identificados —a polícia não forneceu detalhes sobre o novo óbito computado. Os investigadores não conseguiram chegar à maioria das 21 pessoas suspeitas —da lista, somente três foram detidas e outras três foram mortas. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, ao todo 33 pessoas foram baleadas, incluindo duas que foram feridas por bala perdida dentro do metrô.

No Estado, o massacre ainda é o segundo mais letal já registrado, considerando as vítimas civis, ficando atrás do cometido por um grupo de extermínio em 2005, na Baixada Fluminense —o saldo de mortos também foi de 29.

As imagens de casas tomadas pelo sangue e de corpos levados pela polícia em lençóis geraram revolta e motivaram cobrança de autoridades nacionais e internacionais por explicações. Na sexta, a Procuradoria-Geral da República solicitou ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), e à chefia do Ministério Público do Estado e das polícias Civil e Militar que esclareçam as circunstâncias da operação policial em um prazo de cinco dias úteis. A medida da PGR ocorreu após envio de ofício do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, cobrando providências. “Os fatos relatados parecem graves e, em um dos vídeos, há indícios de atos que, em tese, poderiam configurar execução arbitrária”, argumentou Fachin.

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A Polícia Civil nega que tenha havido abusos e diz que os agentes agiram em legítima defesa. Em entrevista coletiva na quinta, o delegado Rodrigo Oliveira criticou o “ativismo judicial” que faz “vitimização desse criminoso”. “A única execução que houve foi a do policial, infelizmente. As outras mortes que aconteceram foram de traficantes que atentaram contra a vida de policiais e foram neutralizados”, declarou à imprensa. A favela do Jacarezinho é considerada uma importante base do Comando Vermelho, a principal e mais poderosa facção do Rio de Janeiro.

Na noite de sexta, moradores da comunidade da Zona Norte carioca se reuniram em um protesto contra a chacina: “Parem de nos matar”, diziam em cartazes e camisas. Em São Paulo, um ato está programado para este sábado, às 17h, no vão-livre do Masp, convocado pela Coalizão Negra por Direitos, que reúne cerca de 200 entidades. “A chacina do Jacarezinho se insere no topo da lista de extermínios que marcam o triste e violento cotidiano das favelas do Rio de Janeiro e que escancara o racismo presente na sociedade brasileira”, afirma a instituição.

A coalizão ressalta que a operação aconteceu de forma ilegal, uma vez que STF proibiu ocupações policiais em favelas cariocas durante a pandemia. A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio também manifestou sua preocupação com o descumprimento da norma. “É importante observar que a incursão policial acontece durante a vigência de medida cautelar proferida nos autos da ADPF 635 (STF), cujo dispositivo reserva operações dessa natureza, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, a hipóteses completamente excepcionais e justificadas. E com acompanhamento do Ministério Público”, afirmou em nota. “Salientamos que o norte permanente da atuação das forças de segurança deve ser a preservação de vidas, inclusive a dos próprios policiais.”

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meu deus…isso me deixa tão incomodado

Por isso pq sinto nada quando aparece notícia de policial morto…
É só comparar a comissão

Que horror :frowning:

A cara desses capetas nem ardem de falar uma mentira dessas.