"Não me via nos festivais", diz Lia Clark, que cantará no "The Town" em SP

‘Não me via nos festivais’, diz Lia Clark, que cantará no ‘The Town’

Drag queen conversou com o iG Queer e abordou ainda sobre sua colaboração com Pabllo Vittar, em ‘Sereia’, e próximo álbum, ‘Clark (pt. 2)’

Lia Clark é cantora, compositora, drag queen , funkeira, e uma das maiores representantes da cena musical LGBTQIAP+ brasileira. Natural de Santos, cidade costeira do estado de São Paulo, ela é conhecida por sua atitude ousada, letras provocativas e performances enérgicas, que combinam uma leitura bem humorada sobre temas como sexualidade e empoderamento embalados por melodias de funk e pop.

A artista sonha alto e neste ano vai realizar um dos maiores saltos de sua carreira: participar da primeira edição do “The Town”, o festival de música “irmão” paulista do “Rock in Rio” que vai ocorrer entre 2 e 10 de setembro na Cidade da Música, no Autódromo de Interlagos.

“Eu fiquei muito feliz de ser confirmada no ‘The Town’ porque eu lembro de sair do palco do ‘Rock in Rio’ com a sensação de também querer fazer o mesmo no ‘The Town’. Fiquei com isso em mente porque o festival é em São Paulo, e eu comecei toda a minha história por lá, então seria muito simbólico para mim estar nesta primeira edição”, diz a drag em entrevista exclusiva ao iG Queer.

No ano passado, Lia subiu ao palco do “Rock in Rio” pela primeira vez em sua carreira, e participou do emblemático festival como convidada do músico e produtor TH4I, com quem a drag tem uma parceria, a música “Sentadinha Macia”.

“O ‘Rock in Rio’ foi uma das experiências mais loucas da minha carreira”, conta a artista, que agradece o parceiro de palco pelo convite. “Sou muito fã do TH4I. Foi um momento muito mágico na minha carreira, nunca fiquei tão nervosa na minha vida.”

Para o “The Town”, a drag queen garante que vai trazer muitas novidades para os fãs: “Ai menina!”, começa ela, em tom humorado. “Quero levar um show totalmente novo, quero cantar música nova, vamos cantar ‘Sereia” [último single lançado pela a artista, em participação com Pabllo Vittar] e vamos fazer versões totalmente novas das músicas. Estamos bem animados”.

No último dia (6) Lia deu início à sua nova era, e ela começou trazendo um nome de peso para abrir os trabalhos do “Clark (pt 2)”. Pabllo Vittar colabora com a funkeira na faixa “Sereia”, que já ganhou videoclipe.

A faixa apresenta uma sonoridade com a estrutura do pop combinada com batidas do rave funk. Já os versos da canção possuem elementos de sensualidade e atitude, características presentes no repertório das artistas.

Com versos como “Se ele não me quis sereia, agora eu virei piranha”, a música celebra a liberdade e a autoafirmação.

A parceria entre as drags não é nova. Ambas já haviam colaborado anteriormente, porém, sem a oportunidade de um videoclipe.

Lia Clark participou do primeiro álbum de estúdio de Pabllo Vittar, “Vai Passar Mal”, na faixa “Ele é o Tal”, e a cantora esteve no remix da música “TOME CUrtindo”. Agora, no novo single, elas concretizam o desejo de trabalharem juntas em um projeto completo.

“Trabalhar com a Pabllo é sempre maravilhoso. E dessa vez foi muito legal tê-la o dia todo no set comigo. Conseguimos conversar, algo que é muito difícil nessa correria da vida artística de estrada, então foi bem legal ter esse momento como amigas”, elogia Clark. “Esse hit juntas marca a nossa história de amizade, de drags que começaram praticamente juntas”.

A cantora ainda avisa: “‘Sereia’ é o pontapé da estética e de tudo o que vai ser o ‘Clark (pt 2)’. Se sintam já dentro desse novo mundo que está para sair e esperem muita alegria, muito funk, coreografia, e música para dançar”.

No início de 2022, a cantora lançou “LIA (pt. 1)”, álbum que conta com sete faixas. Neste trabalho de estúdio, ela retornou às suas origens do funk tradicional, enquanto trouxe uma mescla de novas influências, como o rave funk.

“O ‘Clark (pt. 2)’ é bem uma extensão do ‘LIA (pt. 1)’. Esse novo álbum vai trazer bastante essas minhas origens do funk, como eu comecei no mundo musical e como eu me conectei com a música. Vão ter algumas faixas que eu experimentei coisas novas, mas sempre na base do funk, e as músicas vão acabar se entrelaçando e virando um álbum completão. Vai ficar lindo!”, diz a funkeira.

Dificuldades em ser uma artista LGBT+

Além de falar sobre seus trabalhos recentes e futuros, a drag queen também faz uma avaliação do cenário musical queer e das dificuldades de trilhar um caminho de sucesso na carreira artística sendo uma pessoa LGBT+.

Para começar, ela analisa a importância de ter a presença de uma drag queen cantando funk na estreia de um dos maiores festivais do país: “Eu acho que a importância é a representatividade. Quando eu era menor, eu assistia sempre os festivais, sempre gostei muito de acompanhar música, e nunca me senti representada, nunca olhei para o palco e vi um artista que eu achasse que eu poderia ser. Hoje eu tenho essa noção”, diz ela.

“Hoje em dia tem eu, uma drag preta cantando funk, alcançando esse lugar. É muito importante para que venham novas pessoas inspiradas. Sem falar que eu não serei a única drag no festival, vão estar todas as minhas amigas lá, Pabllo Vittar, Gloria Groove e Grag Queen . É um movimento muito lindo que estamos construindo.”

Para drag, a vida dos artistas LGBTs não é fácil no Brasil, assim como em todo o mundo. “A gente vem de um lugar onde as pessoas duvidam da nossa capacidade e a gente tem que ficar ali martelando o nosso trabalho para conseguir atingir os nossos espaços”, comenta Lia.

“Graças a Deus, e a todo esse movimento, que as coisas deram alguns passos para frente, só pegar de parâmetro a minha carreira, o alcance da minha música, imaginar que com o meu trabalho eu consegui chegar a grandes festivais. Só disso estar acontecendo atualmente quer dizer que estamos em constante progresso”, avalia a artista. “Ainda é muito difícil, tem muito preconceito, muita diferença de investimento. Ainda temos muito caminho a trilhar”.

Carreira

A artista começou a ganhar notoriedade ao lançar sua música de estreia, “Trava Trava”, em 2016, que rapidamente se tornou viral e chamou a atenção do público. Por ser considerada a primeira drag queen no universo do funk brasileiro, Lia foi classificada como uma das pioneiras do fenômeno musical drag no país.

Logo depois, a funkeira lançou uma série de singles de sucesso, incluindo “Chifrudo”, com a participação de Pepita, que se consagrou como um hino do Carnaval LGBTQ+, além de “Boquetáxi”.

As músicas de Lia abordam temas relacionados à sexualidade, empoderamento e liberdade de expressão. A cantora desafia as convenções sociais e usa plataforma para promover a diversidade.

Em 2018, ela lançou seu primeiro álbum intitulado “É da Pista”. A produção foi embalada pelo sucesso dos singles “Tipo de Garota”, “Q.M.T.”, além de “Bumbum no Ar”, com a participação de Wanessa Camargo, e “Terremoto” com Gloria Groove.

A artista também teve grande repercussão nacional com o single “Eu Viciei”, em colaboração com a Pocah. A música foi lançada no “Encontro” (TV Globo), na época ainda apresentado por Fátima Bernardes, após ser tocada em festas do “Big Brother Brasil”, na edição que Pocah participou do reality.

Em 2021, Lia ganhou o prêmio “Orgulho do Vale”, na premiação MTV MIAW 2021, entrou no TOP 200 do Spotify e firmou seu contrato com a MYND8, agência especializada em música, cultura digital.

No início de 2022, ela lançou o “LIA (pt. 1)”, e em setembro estreou no “Rock in Rio”, onde se apresentou no Espaço Favela, com TH4I. Agora em 2023, veio a confirmação no “The Town”, como atração do Palco Factory, no dia 3 de setembro.

A artista vai se apresentar no festival ao lado de nomes como o rapper Wiu, Veigh e Luccas Carlos. Seu último lançamento foi a faixa “Sereia”, com Pabllo Vittar, que fará parte do próximo álbum da funkeira, “Clark (pt. 2)”.

E nós queríamos continuar não vendo

1 curtida

Perfeita! Sereia pop funk perfection do ano! :mermaid:

Não posso dizer que ela é talentosa : /

também não via kkkk as musicas dela são proibidão e isso acaba fechando várias portas mas feliz q ela tá alcançando esses feitos na carreira msm não sendo uma drag comercial com gravadora

até hoje tento entender o porque dessa senhora ter essa mínima “fama” que ela tem

É sobre ocupar todos os espaços, talento não é requisito

ninguém via, lia

mas ela mesma disse que só vai pq o contratante queria fechar um combo com o artista q ja iam chamar, ai o cara foi e chamou ela kkkkkk

Isso foi no rock in rio
Gostaram da apresentação dela lá e chamaram pro the town

Era melhor ter resumido. Ninguém vai ler uma matéria desse tamanho sobre a Lia Clark