De sorriso contagiante, como mostra este clique especial feito para a coluna, uma das mulheres mais conhecidas do Brasil apresenta mais um de seus trabalhos ao público. Pois o sábado é de Vera Fischer, 74 anos, catarinense de Blumenau, com mais de 50 anos de serviços prestados à arte nacional. Ela está em “A estranha na cama”, um suspense (thriller é o cacete!) erótico baseado no livro homônimo e ainda inédito de Raphael Montes, que chega à Netflix ainda em 2026.
Vera vai encarnar Norma, mãe do personagem de Emílio Dantas, um dos protagonistas da obra, e faz par romântico com Paulo Betti. Além do trio, destacam-se as queridas Paolla Oliveira e Bella Campos no longa, que acompanha um casal em crise que decide abrir a relação como última tentativa de salvar o casamento. O que começa como um acordo libertador rapidamente evolui para um jogo intrigante de mentiras e segredos.
“A Norma veio como um presente. Ela é uma personagem cheia de personalidade, dessas que não se revelam de imediato, e isso me instiga profundamente como atriz. Eu gosto de mergulhar, de descobrir aos poucos, de construir junto”, diz a atriz, em conversa com Nelson Lima Neto, da turma da coluna.
A atriz aproveita para analisar como esse aspecto da vida tem sido abordado pela sociedade e como ele afeta as produções artísticas.
“Eu acho curioso, porque, ao mesmo tempo em que tudo parece mais exposto, também sinto um certo julgamento mais afiado. Existe uma liberdade maior no discurso, sem dúvidas, mas nem sempre isso vem acompanhado de maturidade. Eu sempre tratei a sexualidade com naturalidade, como parte da vida, sem escândalo e sem culpa. Talvez por isso, em alguns momentos, isso tenha incomodado tanto”, diz a atriz, aos risos.
Ela faz ponderações sobre como as novas gerações tratam a sexualidade.
“Hoje, vejo uma geração mais informada, mais aberta ao diálogo, o que é maravilhoso. Mas também percebo uma vigilância constante, quase uma necessidade de enquadrar tudo. E a sexualidade não cabe em caixinhas. Ela é livre, é individual, é uma experiência muito íntima. Acho que evoluímos, sim — mas ainda estamos aprendendo a lidar com essa liberdade sem tanto julgamento”, diz a atriz, antes de falar sobre o acordos existentes em um relacionamento:
"Apostar em qualquer coisa como uma tentativa desesperada de ‘salvar’ um relacionamento, isso me parece mais delicado. Nenhum acordo, nenhuma fantasia, sustenta uma relação que já não tem base. Sobre experiências pessoais… eu sou uma mulher livre, sempre fui. Mas também sou discreta. (risos) Algumas histórias a gente guarda — não por pudor, mas porque pertencem à intimidade que merece ser preservada.”
Vera, que foi eleita Miss Brasil 1969, aos 17 anos, analisa, a partir de sua própria experiência, o papel da beleza e do talento na trajetória de um artista:
“Quando comecei, existia uma ideia muito rígida do que era ser atriz, do que era ser ‘bonita’, do que era aceitável. Havia menos espaço para diversidade. A beleza sempre foi uma porta de entrada, isso é inegável. Mas o tempo me ensinou — e acho que também ensinou ao público — que o que sustenta uma carreira não é a aparência, é a verdade. É presença, é entrega, é personalidade. Hoje, vejo um movimento mais interessante, mais plural. Ainda existe uma cobrança estética, claro, talvez até mais exposta por causa das redes sociais. Mas também há mais espaço para mulheres reais, para histórias mais complexas, para trajetórias que não se resumem à juventude”.
Maravilhosa!

