O que tem nos discos das sondas que estão vagando no espaço?

As sondas Voyager

As sondas espaciais Voyager 1 e 2 foram lançadas em 5 de setembro de 1977 e 20 de agosto de 1977, respectivamente. Projetadas pela NASA (National Aeronautics and Space Administration), as viajantes fizeram um tour pelos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno; por 48 luas destes 4 planetas; e o sistema de anéis que esses planetas possuem.

As duas espaçonaves foram a terceira e quarta a voarem além de todos os planetas. Em fevereiro de 1998, a Voyager 1 ultrapassou a sonda Pioneer 10 e se tornou o objeto de fabricação humana mais distante no espaço. Em 25 de agosto de 2012, a Voyager 1, que está viajando para longe do plano dos planetas, entrou no espaço interestelar. Em 5 de novembro de 2018 foi a vez da Voyager 2, que está afastando-se do Sol abaixo do plano dos planetas, alcançar o espaço interestelar.

A nave espacial Voyager mostrando onde o Golden Record está montado. Crédito: NASA / JPL

As placas Pioneer

Poucas pessoas sabem, mas as primeiras espaçonaves humanas a irem além dos limites do nosso sistema solar não foram as Voyagers, mas sim as Pioneer 10 e 11.

A Pioneer 10 foi o primeiro objeto humano com capacidade de deixar o nosso sistema solar. Devido ao feito, Eric Burgess, jornalista correspondente do Christian Science Monitor, acreditou que a nave poderia levar uma mensagem da humanidade para alguma civilização que por ventura a encontrasse em milhões ou bilhões de anos.

Após uma busca por quem ficaria encarregado dessa missão de construir uma mensagem de comunicação extraterrestre, Carl Sagan e Frank Drake projetaram a placa e Linda Salzman Sagan a desenhou.

A chave para traduzir a placa está em compreender a decomposição do elemento mais comum no universo – o hidrogênio. Para isso, o elemento foi ilustrado com o símbolo para a transição hiperfina do hidrogênio atômico neutro. Na placa também há a representação de um homem e uma mulher, a posição relativa do Sol na galáxia e o sistema solar indicando de onde a sonda saiu (Terra).

Designed by Carl Sagan and Frank Drake. Artwork prepared by Linda Salzman Sagan. Photograph by NASA Ames Research Center (NASA-ARC) – Ames Pioneer 10

A representação artística foi questionada por muitas pessoas, revelando que mesmo tendo uma chance mínima das placas serem encontradas, a humanidade se preocupa em como ela é representada.

Os discos das sondas Voyager

Após a repercussão das placas Pioneer, a NASA projetou uma mensagem mais ambiciosa, levada ao espaço a bordo das sondas Voyager 1 e 2: os discos dourados das Voyagers. Os discos fonográficos foram pensados como “cápsulas do tempo” e neles há 115 imagens e uma variedade de sons naturais. Além disso, eles acrescentaram seleções musicais de diferentes culturas e épocas, e saudações faladas de pessoas da Terra em cinquenta e cinco línguas.

Para selecionar o material que seria levado nos discos, a equipe presidida pelo Dr. Carl Sagan questionava o que seria mais adequado para representar a humanidade. Durante as decisões das imagens que iriam nos discos das Voyagers, optaram por não mencionar as guerras e escravidão, e não por considerar pouco importante, mas por entender que os discos são algo que sobreviverá ao tempo e à humanidade, algo que será o único símbolo da Terra que o universo teria, dessa forma, foi decido que o pior de nós não seria enviado para além do nosso sistema solar. Além disso, imagens como a de uma bomba atômica podem soar como ameaça. Imagens religiosas também foram evitadas por causa do simbolismo de representação na Terra como algo ideológico. Por conta do curto tempo de seleção de material, não foram incluídas imagens artísticas, pois demandava reunir um grupo de especialistas para seleção.

As imagens escolhidas não tinham caráter estético de seleção, apenas informativo. Há diversas definições matemáticas, informações e fotos astronômicas do sistema solar, ilustrações da estrutura do DNA, anatomia humana, processos de concepção da vida, crescimento do feto, nascimento de uma criança, amamentação e paternidade. Há informações sobre tamanhos e idades médias dos humanos. Além de imagens dos continentes terrestres, também foram enviadas imagens das formação dos elementos mais comuns no nosso planeta e fotografias de plantas e animais. O restante das fotos mostra os humanos praticando ações, como caçar, comer, beber e lamber; a nossa cultura como crianças aprendendo; e o que criamos e construímos, como os meios de transporte, a muralha da China e fotos de cidades com arquiteturas ocidentais e orientais. Finalmente, também foram enviadas imagens que representam o interesse humano na exploração espacial, na observação de fenômenos físicos como o pôr do Sol e nas práticas artísticas como o registro em uma partitura de uma música acompanhada da imagem de um violino, isso para conversar com o restante do disco, que é em sua maioria sonoro.

A parte musical foi escolhida de modo a representar a humanidade da forma mais justa possível considerando aspectos geográficos, étnicos e culturais, mesmo com o pouco tempo para pesquisa e seleção. Essa seleção foi trabalhosa tendo em vista que encontrar reproduções de comunidades e culturas antigas ou pequenas era uma tarefa difícil. Por fim, os trabalhos de etnomusicologia de Robert Brown e Alan Lomax foram essenciais para garantir a variedade musical. Dentre as músicas a bordo estão Bach, Mozart, Beethoven, bem como músicas dos povos da Indonésia, Congo e indígenas da Austrália. O Brasil não foi contemplado dentre os países com músicas no disco das Voyagers.

As saudações de 55 línguas diferentes incluídas no disco começam com o acadiano, idioma falado na Suméria cerca de 6 mil anos atrás e termina com Wu, um dialeto chinês moderno. Dentre as línguas está o português, e a pessoa selecionada para fazer a gravação na nossa língua pátria, foi Janet Sternberg, uma americana integrante do Departamento de Línguas Estrangeiras de Cornell que morou no Rio de Janeiro. Ela foi instruída a ser breve e a mensagem gravada foi: “Paz e felicidade a todos”. As saudações feitas pelos integrantes das nações unidas foram acompanhadas do canto das baleias ao fundo.

Para completar a mensagem, diversos sons da Terra foram escolhidos e organizados como uma linha do tempo de acontecimentos da Terra. Nesta mensagem estão sons de terremotos, chuva, grilos, pássaros, chimpanzés, cão selvagem, batimentos cardíacos, risos, fogo, sons das primeiras ferramentas, cachorro domesticado, pastoreio de ovelhas, trator, código Morse, cavalo e carroça, trem, automóvel, decolagem do Saturn 5, beijo mãe e filho, sinais de vida e pulsar.

Na capa do disco há informações de como ele funciona, bem como informações similares às das placas das Pioneer – posição do Sol na galáxia e a transição hiperfina do hidrogênio atômico neutro, para estabelecer uma unidade de tempo e distância. É encontrado na capa uma imagem de um disco com uma agulha que fará a leitura dele, abaixo, imagem que revela o processo de leitura feito pela agulha. Na parte superior do disco há uma ilustração explicando como fazer a leitura das imagens, que é semelhante ao sinal de TVs analógicas. As agulhas que fazem as leituras dos arquivos foram colocadas nas capas dos discos.

O disco é feito de cobre e folheado a ouro e sua agulha tem ponta de diamante, o material foi escolhido para resistir às intempéries do cosmos.

Fonte: O que tem nos discos das Voyagers? – Espaço do Conhecimento UFMG

Status das Voyagers:

2 curtidas

amgs, acho isso tão interessante

saber que uma civilização pode achar um rastro da raça humana bilhões e bilhões de anos depois da nossa extinção

1 curtida

será que algum dia alguma raça de alguma galaxia próxima vai ter acesso ao conteúdo e ele ainda estará intacto?

quem criou isso? a falta do que fazer meu pai

imagino algo parecido com a cena final do A.I, as criaturas achando os disquinhos e dando play vendo imagens de cachorros e pássaros

essencial para fazer as melhores seleções para não deixar rastro do péssimo gosto da humanidade pra música.