Pabllo Vittar, Anitta, Iza, Gloria Groove... Por que o pop está exaltando as 'origens' na pandemia?

Pandemia tem feito artistas mergulharem na memória afetiva e reproduzirem ritmos, sentimentos e músicas que marcaram infância e adolescência.

Por Gabriela Sarmento, G1

22/07/2021 06h00 Atualizado há 6 horas

O olhar de artistas pop ficou mais voltado para o passado e para as origens durante a pandemia. Basta reparar nos últimos lançamentos de Pabllo Vittar, Anitta, Iza e Glória Groove.

Nas músicas, as cantoras exaltam, em letras e ritmos, memórias dos lugares onde cresceram, como Santa Izabel do Pará, a zona norte do Rio ou a zona leste de São Paulo.

Música pop se volta para memória afetiva durante pandemia; Iza, Anitta, Pabllo Vittar e Glória Groove dedicaram lançamentos recentes aos lugares de onde cresceram — Foto: Arte/G1

Música pop se volta para memória afetiva durante pandemia; Iza, Anitta, Pabllo Vittar e Glória Groove dedicaram lançamentos recentes aos lugares de onde cresceram — Foto: Arte/G1

Essa celebração às origens, no sentido geográfico mesmo, durante a pandemia pode ser explicada por alguns fatores:

  • A pandemia fez as pessoas olharem para o passado, para tempos felizes anteriores à incerteza e o medo provocados pelo vírus;
  • Sem shows e turnês, grandes momentos de exposição internacional foram adiados, como no caso de Pabllo Vittar;
  • Levantar a bandeira do lugar de onde veio pode ser um desejo genuíno, mas também é uma excelente estratégia de marketing;
  • Nos últimos meses, o foco tem sido o streaming e músicas que despertam a nostalgia tem funcionado bem, como foi o caso do pagode que teve grande audiência em lives.

‘Batidão Tropical’, de Pabllo Vittar

Pabllo Vittar lança ‘Batidão Tropical’, álbum dedicado ao forró e tecnobrega

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Pabllo Vittar lança ‘Batidão Tropical’, álbum dedicado ao forró e tecnobrega

A ideia de fazer releituras de tecnobrega e forró já pairava na cabeça de Pabllo Vittar, mas foi a pandemia que deu o empurrão decisivo para o conceito do quarto álbum da cantora.

A carreira internacional era o foco do ano passado, com shows importantes em festivais como Coachella e Primavera Sound. Quando toda a agenda caiu, Pabllo começou a pensar o que poderia fazer no tempo ocioso.

“Queria de alguma forma exaltar realmente a minha origem, a minha cultura, o Maranhão, o Pará”, afirma a cantora de São Luís.

É como se eu pegasse o Norte e Nordeste, colocasse em um pedestal e mostrasse para o Brasil e o mundo verem o tanto que é rico e plural”.

Os produtores do álbum também comentam sobre a memória afetiva em alta na pandemia.

“Ficar preso faz você olhar para dentro. A gente está em um momento que trazer o bom do Brasil é lembrar às pessoas que o país tem coisas boas”, afirma Zebu.

“A gente está em casa o tempo inteiro, sem poder fazer as coisas que a gente fazia”, diz Gorky. “Acaba que coisas que a gente nunca deu valor são recuperadas”.

‘Girl From Rio’, de Anitta

Anitta mostrou o Rio que conhece em 'Girl From Rio' — Foto: Divulgação

Anitta mostrou o Rio que conhece em ‘Girl From Rio’ — Foto: Divulgação

“Deixa eu te contar sobre um Rio diferente, aquele de onde eu venho, mas não aquele que você conhece”, canta Anitta, em inglês, na faixa com sample de “Garota de Ipanema”.

A música junta bossa nova com trap, subgênero do rap em alta no mundo, em uma aposta voltada para o mercado internacional.

Ela não fala exatamente sobre Honório Gurgel, mas exalta o Rio “real”, segundo as suas experiências pessoais.

“‘Girl from Rio’ é uma música sobre a cidade do Rio de Janeiro, vista sob a minha perspectiva. É sobre o Rio que eu vi e no qual morei”, afirmou a cantora ao lançar o single em abril.

Além de fazer uma releitura do visual da época em que o gênero de Tom Jobim e Vinicius de Moraes estava em alta, o clipe também mostra um dia no Piscinão de Ramos, com cenas e corpos reais.

“Falo sobre um pouco de tudo, sobre minha família, sobre o lugar de onde eu vim, onde eu cresci, as pessoas que vi e vejo todos os dias. Exponho o meu ponto de vista das mulheres em geral e da beleza que eu enxergo nelas”.

Apesar do esforço de marketing e grande investimento, a música não ficou nas paradas das plataformas de streaming por muito tempo.

‘Gueto’ de Iza

Iza no clipe de 'Gueto' — Foto: Divulgação

Iza no clipe de ‘Gueto’ — Foto: Divulgação

As memórias de infância de Iza em Olaria, zona norte do Rio, motivaram “Gueto”, primeira faixa do segundo álbum da cantora, previsto para este ano ainda.

A vontade de falar sobre o lugar que a formou como pessoa vem como uma forma de agradecimento.

“Partiu de um orgulho muito grande que comecei a sentir vendo todas as coisas que estava conquistando. Não tinha como celebrar as coisas que estavam acontecendo e o lugar para onde eu estava indo, sem lembrar do lugar de onde eu vim”, explica Iza.

O objetivo também é inspirar quem ainda pode ter um caminho tão bem sucedido quanto o dela.

“Quero que as pessoas se sintam orgulhosas de serem quem são. É possível, sim, abrir as portas para o gueto, é possível ser feliz e bem-sucedido, inspirar outras pessoas fazendo aquilo que a gente ama e mostrar para as pessoas que não existe limite”.

O tom pessoal e geograficamente relacionado ao Rio deve estar presente apenas nesse single, segundo a cantora.

O segundo álbum sai ainda neste ano com uma mistura de reggae, trap, R&B, dancehall, hiphop.

‘Lady Leste’ de Gloria Groove

Gloria Groove no clipe de 'Bonekinha' — Foto: Rodolpho Magalhães/Divulgação

Gloria Groove no clipe de ‘Bonekinha’ — Foto: Rodolpho Magalhães/Divulgação

Depois do EP de R&B, “Affair”, a nova era de Glória Groove vai ser voltada para a zona leste de São Paulo, região onde a cantora cresceu e vive até hoje.

Tanto que Lady Leste não só é o nome do segundo álbum, como também do alter ego que vai conduzir o trabalho.

“Ele é inspirado na minha relação de amor com o lugar onde nasci, que é a zona leste de São Paulo, a Vila Formosa. É também uma homenagem a todas as ‘ladies lestes’ que conheço”, afirma Glória.

“Acredito muito nisso, porque ao mesmo tempo que tem um ‘que’ de fenômeno internacional, Lady Leste, é uma coisa que traz pra si, traz pra casa, traz para as origens, traz para as raízes que é o que pretendo mostrar ainda mais nesse trabalho”.

Lançado em junho, o single “Bonekinha” marca a volta de Glória para o pop, mas ela não quer fazer uma coisa só: “O legal de fazer um álbum pop é não precisar se limitar na mistura de estilos”.

Assim como para Pabllo Vittar, ocupar a cabeça fazendo música foi importante para Glória nesses meses de isolamento.

“Na pandemia, a gente está com nossos pensamentos e projetando tudo o que a gente ainda quer fazer um dia, sabe? Muito de Lady Leste está saindo disso, do que estou projetando como o sonho da diversão que ainda teremos juntos”, diz.

“Então tem tudo a ver querer que a Lady Leste exista agora, para resgatar, para me resgatar disso e para me levar para cima. A música tem me salvado o tempo todo e eu não parei de produzir em nenhum momento”.

Mas ninguém está inventando a roda…

… porque falar sobre o lugar de origem não vem de hoje no funk, nem na música brasileira como um todo.

“Pode até ser que a pandemia reforce ainda mais essa ideia, mas, antes de tudo, essas cantoras estão negociando o tempo todo com essa ideia de território e de gênero”, diz Simone Pereira Sá, professora de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense.

“Elas nunca abandonaram esse lugar da casa, do território. Olhando para a obra, dá pra ver que elas estão sempre com um pé no mundo, mas com outro reivindicando esse lugar de origem”, explica Simone.

A pesquisadora também escreveu o livro “Música pop-periférica brasileira: videoclipes, performances e tretas na cultura digital”.

De fato, o forró já esteve presente na discografia de Pabllo Vittar, assim como Anitta sempre soube exaltar a cultura do Rio e da favela em pontos estratégicos da carreira, como em “Vai Malandra”, hit de 2017.

Mas os lançamentos com o tema em comum refletem, talvez até inconscientemente, uma rotina diferente que a pandemia impôs: longos períodos em casa, maior tempo com a família, nostalgia e o sonho de voltar a viver dias que já foram melhores.

6 curtidas

@Vittarlovers @BondePesadao

Quanta coisa obvia!

@Anitters

Vittar amo

amo o morador da vila formosa, classe média, aluno de colégios particulares forçando que é das quebradas da zl

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Lendo

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Só hinos e hinários

Luísa out pois não tem identidade artística

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O mundo ta acabando e todo mundo ta voltando ao início antes do juízo final

Gente alguém me ajuda

Entrei no grupo de fãs da Florence e do pabllo

E quero que apareça flows embaixo do meu nome mas não aparece. Sai do grupo de fãs da pabllo pra ver se aparecia e nao

Pq acontece isso??? Quero ficar como flow porra

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Preguiça de ler mas Pabllo Vittar lenda e Batidão Tropical AOTY brasileiro

vila formosa não é um bairro popular? kkkkk chocado

De quem cê tá falando

Pior que ela falou que ia colocar música nativista no álbum mas pelo visto ficou out

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Quando vai ser o apocalipse amr?

Vai nas configurações da conta: https://bcharts.com.br/u/dani25/preferences/account

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E a outra do subúrbio do Rio dizendo que é favelada

Até 2023 segundo minha seita tudo vai se transformar radicalmente e só sobrará 1 terço da população com costumes totalmente diferentes.É o reset cultural

Vai nas preferências amiga
Tem uma opção ali chamada título