PATRÍCIA PINHO: Atriz revive perseguição contra avô comunista em Além da Ilusão: 'Um herói'

Patrícia Pinho terá a oportunidade de passar a limpo a história da própria família em Além da Ilusão. Afinal, Fátima será vítima da truculência da polícia política de Getúlio Vargas (1882-1954) assim como o avô da atriz --Altamirando Araujo Pinho. Ele foi preso e expulso do Exército em 1936 por jogar panfletos do Partido Comunista do alto de um prédio durante uma parada militar de 7 de Setembro. “Um herói”, pontua.

Em entrevista ao Notícias da TV, a atriz conta que foi atrás de todos os documentos que provam o ocorrido e achou até mesmo o laudo médico no Arquivo Nacional:

Oitenta e seis anos depois desse acontecido, vou gravar uma cena denunciando a violência e a truculência da polícia política. Para mim, é muito emocionante. Me sinto lavando a alma e honrando meu avô e minha família que tanto sofreu por isso.

Patrícia lembra que os vizinhança achava a militância de Altamirando junto ao Partido Comunista uma “vergonha” porque, ao ser detido, ele deixou a mulher e cinco filhos em uma situação financeira muito frágil. “Hoje vejo meu avô como um herói idealista que plantou e lutou por uma vida melhor para mim. É uma honra ser neta de um gráfico, de um operário, de um homem que acreditava na humanidade e na igualdade social.”

A atriz Letícia Pedro como Olívia ao lado de Patrícia Pinho, a Fátima, em cena de Além da Ilusão

Olívia e Fátima na primeira fase do folhetim

Em família

Os ideais de Olívia (Debora Ozório) também enchem o peito de Fátima de orgulho, mas igualmente de preocupação no folhetim de Alessandra Poggi. A jovem já foi chamada de “comunista” por Joaquim (Danilo Mesquita) ao brigar por melhores condições para os operários da Tecelagem Tropical.

Patrícia brinca que, em meio às semelhanças entre vida real e ficção, o papel de mãe é sempre um dos mais difíceis ainda que prazeroso:

Sou louca pelo meu filho, Matheus, de 28 anos, que é um adulto e tem a vida dele. Ser mãe é interessante em qualquer fase da vida. Amo ser mãe, tenho vocação para isso, cuido de três gatos e das pessoas também. Gosto de ajudar, ouvir, abraçar, apoiar. Só acredito no mundo coletivo, numa organização afetuosa, na cooperação. Luta por poder é a coisa mais cafona do mundo. Não quero ser VIP, quero ser cidadã.

Os dramas de Fátima, no entanto, são leves para a intérprete que vê a personagem como um divisor de águas em sua carreira na TV, em que coleciona programas de humor como o Zorra (2015-2020):

Ela apareceu na minha vida trazendo uma religiosidade muito forte. Fui ao santuário em Aparecida [SP] e ainda quero ir até Fátima, em Portugal, para agradecer por essa mulher tão forte e tão corajosa. Ela é uma homenagem às minhas avós, Lourdes e Laura, que foram duas mulheres muito trabalhadoras, batalhadoras. Elas me ensinaram que a alegria e a música são a fonte da nossa saúde e da nossa força.