Paula Fernandes fala do papel de avó em 'Coração acelerado' e vibra: 'Saio com tesão para trabalhar'

Até a cantora Paula Fernandes, de 41 anos, se assustou quando foi convidada para interpretar Maria Cecília, a avó de Agrado (Isadora Cruz) em “Coração acelerado’’, novela das sete da TV Globo, que estreia amanhã. Mas há uma explicação para isso: na história, a personagem morreu precocemente e, responsável por repassar o interesse musical para a família, aparecerá por meio de flashbacks nas lembranças da filha, Janete (Leticia Spiller), e da neta.

— Eu sei que existem avós de 40 anos, mas me surpreendi (risos). Depois é que fui entender. E estou me realizando com esse trabalho num grau! Tenho saído de casa feliz, com tesão para trabalhar. Eu já tinha realizado tudo o que queria em minha carreira musical, mas é engraçado me deparar com a possibilidade de sentir emoções que nunca imaginei que sentiria — celebra Paula, que ainda não se imagina tendo netos, mas sonha um dia ter filhos: — Por enquanto, sou mãe da minha carreira e de pet. Tenho cavalo, coelho…

As novas sensações vividas não são provocadas apenas pelo êxito profissional, mas também pelo trabalho no set. Mesmo não sendo uma estreante (a primeira novela que a cantora fez foi uma participação de um dia em “Deus salve o rei’’, de 2018), as novas cenas têm feito Paula explorar emoções profundas. Uma de suas primeiras aparições, por exemplo, será numa cena no enterro de Eliomar (Stepan Nercessian).

— Tem uma carga emocional interessante. E Cecília é forte, representa mulheres de uma época em que eram reprimidas pelo marido. Ela lutou contra o machismo para poder cantar. Nesse ponto, foi até fácil para mim interpretá-la, porque desde a minha infância enfrento dificuldades na carreira sertaneja por conta dos homens.

São mais de 30 anos de trajetória musical, mas a virada de chave se deu no primeiro álbum, em 2009, “Pássaro de fogo”. Os inúmeros hits a levaram a cantar ao lado de Roberto Carlos em um especial de TV. Em 2011, após outro bem-sucedido álbum ao vivo, a frequência de shows foi insana: 220 em um ano. Requisitada, ainda assim ela foi obrigada a ouvir fofocas maldosas.

— Já li que meu sucesso foi conquistado porque dei “uma cruzada de pernas” no Roberto Carlos. O que é isso? Eu nunca me prostituí ou me vendi, nem optei pelo caminho mais curto. Sinto também que sofri um boicote por ter dito muitos “nãos’’ para situações de assédio por parte de pessoas consideradas poderosas. E olha que sempre respondi de forma muito elegante, sempre soube dar um braço de distância. Além disso, sempre fui discreta na minha vida pessoal, sou “low profile”, não costumo me expor. Mas ignoro todos esses boatos, minha resposta sempre foi na minha música, no meu trabalho bem feito. Contra boas obras não há argumentos — afirma.

Com tanta experiência, qual conselho Paula daria, então, para sua neta da ficção, que vai se arriscar nesse mundão em carreira semelhante?

— A música dita o caminho. Mesmo nos momentos mais confusos, para não se perder, lembre-se de que a missão é cantar. Ser humano no meio artístico é complicado (risos). Querem que sejamos máquinas, mas não dá para esquecer que temos coração — ensina a mineira de Sete Lagoas.

Curiosa pra ver como ela vai se sair, esse tanto de procedimento congelou a cara dela