PREMIAÇÃO EM BAIXA: Racista e bizarro: Sete pecados capitais que tornaram o Globo de Ouro uma piada

Globo de Ouro chega à edição de 2022 como uma premiação amaldiçoada e uma grande piada. A cerimônia de entrega dos troféus neste domingo (9) não será exibida pela TV nem contará com a presença dos indicados. O boicote da indústria é reflexo de décadas de nomeações bizarras e de comportamento racista da HFPA (Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood), responsável pelo prêmio.

A crise na premiação começou em janeiro de 2021, quando uma reportagem do jornal Los Angeles Times revelou que a HPFA não contava com membros negros há mais de 20 anos. Alvo de escrutínio, a associação também foi exposta na questão de “jabás” --as equipes de alguns longas pagavam viagens extravagantes aos votantes ou conseguia eventos exclusivos com astros em troca daquela lembrança amiga na hora de escolher seu ator ou filme favorito.

Os problemas do Globo de Ouro, porém, já vêm de longa data. A premiação tem um histórico de astros indicados pelo simples fato de serem famosos e de séries bem votadas que caíram no esquecimento. Além disso, regras internas proíbem produções estrangeiras de concorrerem na categoria principal --um absurdo para uma associação formada justamente por jornalistas de fora dos Estados Unidos.

Confira os sete pecados capitais que culminaram no declínio do Globo de Ouro em Hollywood:

Fama a qualquer custo

Facilmente impressionados com a presença de famosos, os votantes da HFPA têm o costume de indicar grandes astros para o Globo de Ouro, mesmo que em atuações medíocres. O objetivo, claro, é assegurar a presença de nomes de peso para a festa da premiação.

De que outra maneira justificar a indicação de Johnny Depp e Angelina Jolie pelo sofrível O Turista (2010), de Hugh Jackman por Kate & Leopold (2001) ou de Ewan McGregor e Emily Blunt pelo inexpressivo Amor Impossível (2011)? Só pelo star power, mesmo.

Mas é comédia?

A divisão dos indicados em categorias de drama e de comédia ou musical também gera algumas situações bizarras para um prêmio que tenta se levar a sério. Eleito o melhor ator de comédia ou musical em 2015, Matt Damon admitiu em seu discurso que nem fazia ideia de que Perdido em Marte (2014) era um filme cômico --a produção de ficção científica dirigida por Ridley Scott ainda levou o prêmio de melhor longa do gênero.

Encontrar indicados que entreguem boas atuações em produções de comédia --tradicionalmente menos densas que as de drama-- ainda rende algumas nomeações que passariam longe de outras premiações. James Franco foi lembrado pelo maconheiro de Segurando as Pontas (2008), e Melissa McCarthy concorreu por A Espiã que Sabia de Menos (2015), longa bobinho e com cara de Sessão da Tarde.

Estrangeiro, pero no mucho

A categoria que premia longas estrangeiros tem um diferencial no Globo de Ouro: é chamada oficialmente de melhor filme em língua estrangeira. Isso significa que produções norte-americanas, com toda a força do marketing de Hollywood, podem concorrer com pequenos projetos de outros países --o que, por si só, já deixaria a disputa injusta.

Essa distinção ainda permitiu, por exemplo, que Angelina Jolie concorresse com Na Terra de Amor e Ódio (2011), sua estreia como diretora de ficção, porque o filme é falado em sérvio, bósnio e croata. Mel Gibson também emplacou seu Apocalypto (2006), que usava um dialeto maia.

Excelente, mas estrangeiro

Por outro lado, longas indicados na categoria de língua estrangeira não podem concorrer aos prêmios principais da noite, o de melhor drama e o de melhor comédia ou musical. Isso levou à exclusão, em anos anteriores, de produções muito elogiadas, como Roma (2018), Minari (2020) e Parasita (2019) --que, inclusive, levou o Oscar de melhor filme daquele ano.

Esses longas, por outro lado, podem concorrer normalmente em outras categorias --Alfonso Cuarón foi premiado como melhor diretor por Roma, e Boon Joon-ho concorreu na mesma categoria por Parasita. Já a francesa Isabelle Huppert venceu por sua atuação em Elle (2016), por exemplo. Como um filme com direção e elenco dignos de troféu não pode ser o melhor do ano pelo simples fato de ser falado em uma língua que não o inglês?

Pioneirismo tem um preço

No lado de séries, o Globo de Ouro sempre se destacou por fugir do lugar-comum e apostar em séries novas, enquanto os votantes do Emmy se mantinham presos às mesmas produções durante muitos anos. Mas o que poderia ser um ponto positivo para a HFPA acabou se tornando uma dor de cabeça: na tentativa de inovar, muitas vezes os membros escolhiam atrações de pouco impacto e que acabavam canceladas em seu primeiro ano ou que perdiam o prumo rapidamente.

Foi assim com Heroes (2006-2010), indicada por sua primeira temporada e que virou uma bagunça sem pé nem cabeça nos episódios seguintes. E o que dizer de Commander in Chief (2005-2006), série que trazia Geena Davis como a primeira presidente mulher dos Estados Unidos, indicada a melhor drama e vencedora da estatueta de melhor atriz? Alguém se lembra?

Promessa de sucesso, só que não

Outra categoria causou tanta controvérsia na premiação que foi aposentada na década de 1980. Até 1982, os votantes da HFPA elegiam a cada edição o melhor novo ator e a melhor nova atriz --ou seja, as revelações do ano. O problema é que algumas apostas passaram longe do sucesso.

A última vencedora, por exemplo, foi Sandahl Bergman, de Conan, o Bárbaro (1982), que não atua desde 2003. Outras revelações pouco expressivas incluem Irene Miracle, Chaim Topol e Joseph Bottoms. Mas o Globo de Ouro também acertou ao premiar Ben Kingsley, Jon Voight, Robert Redford, Jessica Lange, Mia Farrow e Bette Midler.

O fim da categoria, porém, não foi determinado pela taxa de erros nas previsões. Em 1981, Pia Zadora foi eleita a revelação do ano pelo filme Butterfly --que também lhe rendeu o Framboesa de Ouro de pior atriz. Só que a novata era casada com o bilionário Meshulan Riklis (1923-2019), que pagou voos e estadia para os membros da HFPA em um hotel de luxo em Las Vegas. As acusações de que o prêmio teria sido comprado foram o último prego no caixão do quesito --pelo jeito, o chamado “jabá” é um problema antigo…

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Cadê a representatividade?

Os pecados que cimentaram a crise no Globo de Ouro, porém, foram o racismo e a falta de representatividade. A HFPA contava com 87 integrantes até o início do ano passado: alguns deles trabalham para veículos de mídia pouco expressivos e abusam de seu poder como votantes para conseguirem vantagens em Hollywood; para piorar, nenhum deles é negro.

Criticada por deixar de fora da premiação principal de 2021 filmes elogiados como Destacamento Blood, Judas e o Messias Negro e Ma Rainey: A Mãe do Blues --todos com forte teor racial–, a instituição passou a ser analisada com mais afinco pela indústria, e outros problemas vieram à tona.

Para tentar reverter a situação, a HFPA aceitou 21 novos membros no ano passado, seis deles negros. A mudança, embora bastante necessária, ainda não devolveu o prestígio ao grupo.

nesse eles magicamente acertaram em cheio.

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Uma merda de premiação. Junto ao grammy, são dois expoentes de total racismo e muita grana para privilegiar determinados artistas brancos insípidos…

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Poxa Gaga nem dessa vitória pode se orgulhar

quase um grammy

É desse prêmio que os LM se orgulham?